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Eleição presidencial

'Não somos racistas', mas queremos que a 'França continue francesa'

Marine Le Pen conseguiu suavizar a imagem da Frente Nacional francesa, um partido várias vezes condenado nos tribunais por seus comentários racistas.

Publicado em 20/04/2017, às 14h35

Até o momento, as pesquisas preveem que o segundo turno, em 7 de maio, será entre Macron e Le Pen (foto). / AFP
Até o momento, as pesquisas preveem que o segundo turno, em 7 de maio, será entre Macron e Le Pen (foto).
AFP
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"Não somos racistas, mas este é nosso país", afirmam, sob o sol da Côte d'Azur francesa, tradicional reduto da extrema direita, os partidários de Marine Le Pen, que convocam um "grande fervor patriótico" para a eleição presidencial de maio.

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"Desta vez vamos ganhar... Houve o Brexit, a eleição de Donald Trump, os escândalos de François Fillon... os planetas estão alinhados", declara exultante Florent Erard, de 27 anos, liderança local dos jovens membros da ultradireitista Frente Nacional (FN) no Var, um departamento entre Marselha e Nice.

Esse departamento foi o que mais votou no movimento de extrema direita nas últimas eleições, as regionais de 2015, com 44,6% dos votos no primeiro turno, contra a média de 27,9% em todo o país. Foi lá, na localidade de Saint-Raphaël, que Marine fez um de seus comícios em meados de março.

Desde que o escândalo de empregos-fantasma envolvendo o candidato da direita, François Fillon, explodiu em janeiro, a líder nacionalista anti-imigração disputa o título de favorita para o primeiro turno da eleição presidencial que acontece em 23 de abril com Emmanuel Macron, um ex-banqueiro que foi ministro da Economia do socialista François Hollande.

Até o momento, as pesquisas preveem que o segundo turno, em 7 de maio, será entre Macron e Le Pen.

Para os partidários de Le Pen, "Macron não tem a menor chance".

"Os franceses sabem de onde ele vem. É o candidato do mundo das finanças, enquanto Marine é a candidata do povo", opina Jean-Marc Micallef, de 55 anos, ansioso por ver "Marine".

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A imigração, o lugar do Islã na França e o debate sobre a identidade nacional, temas candentes no país, alimentam a extrema direita, assim como o medo que tomou conta de uma parte dos franceses, após uma onda de atentados extremistas que deixou 238 mortos em 2015 e em 2016.



"Estamos no nosso país!", ouvia-se na sala, onde mais de mil pessoas se reuniram para ouvir a candidata, com bandeiras nas cores azul, branco e vermelho.

Alguns dos presentes afirmam que votarão em Le Pen, porque querem que "a França continue sendo francesa". Outros disseram que foram ouvir a candidata "sem filtro dos meios de comunicação".

'Gente respeitável'

"A Frente Nacional nunca governou. Não sabemos como seria se estivesse no poder, talvez não seja melhor, mas não pode ser pior", acredita Philippe, que, aos 45 anos, participa de um comício de campanha pela primeira vez.

Betty, de 68 anos, era uma fiel seguidora do ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, derrotado nas primárias do partido Les Républicans (LR). Agora, diz estar "enojada" com a política.

"Que outra opção temos além de Marine?", questiona, advertindo em seguida: "mas, cuidado, sou moderada".

"Além disso, olhem ao seu redor. Não há cabeças raspadas, apenas gente respeitável", completou.

Marine Le Pen, de 48 anos, conseguiu suavizar a imagem da Frente Nacional, um partido fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen, várias vezes condenado nos tribunais por seus comentários racistas.

"O eleitorado da FN agora é muito mais diverso do que há alguns anos. Há operários, empregados, empresários...", celebra Frédéric Boccaletti, liderança do partido no departamento do Var.

No porto de Brusc, mais ao oeste na costa do Mediterrâneo, Yoan Jenais está feliz de ter conseguido trocar algumas palavras com Marine Le Pen.

Esse jovem de 19 anos concorda com as posições firmes do partido nos temas de imigração e segurança.

"Não sou racista, mas, quando vejo nossos pais trabalhando feito cachorros e chegando a duras penas ao fim do mês, enquanto árabes desempregados passeiam com seus Iphones... Não queremos ser melhores do que os outros. Queremos igualdade", alega.


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