Jornal do Commercio
Investigação

OPAQ rejeita proposta de Rússia e Irã sobre ataque químico na Síria

A rejeição desta proposta ocorreu um dia após a OPAQ anunciar provas "irrefutáveis" sobre a utilização de gás sarin durante o ataque.

Publicado em 20/04/2017, às 14h21

Ataque químico na Síria deixou 87 mortos, incluindo 31 crianças. / Foto: Abd Doumany/AFP
Ataque químico na Síria deixou 87 mortos, incluindo 31 crianças.
Foto: Abd Doumany/AFP
AFP

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) rejeitou nesta quinta-feira (20) a proposta de Rússia e Irã de abrir uma nova investigação sobre o suposto ataque químico na Síria no início de abril, indicou a delegação britânica na OPAQ.

>>> OPAQ examina proposta da Rússia e Irã sobre ataque químico na Síria
>>> O que se sabe sobre o ataque químico em Khan Sheikhun, na Síria

"O Conselho Executivo da #OPAQ rejeitou de forma esmagadora a decisão russo-iraniana", disse a delegação britânica em sua conta no Twitter.

O projeto de Moscou e Teerã, obtido pela AFP, pedia a abertura de uma nova investigação por parte da OPAQ "para estabelecer se foram usadas armas químicas em Khan Sheikhun e como foram entregues no local do suposto incidente".

Esta iniciativa ignorava a atual investigação realizada pela OPAQ sobre este ataque que deixou 87 mortos, incluindo 31 crianças, nesta pequena cidade controlada pelos rebeldes e jihadistas na província de Idlib (noroeste).

>>> Ataque químico na Síria foi erro russo, diz secretário dos EUA
>>> Número de mortos em ataque 'químico' na Síria chega a 72

Moscou e Teerã também pediam que os investigadores viajassem à base aérea de Shayrat, bombardeada pelos Estados Unidos após o suposto ataque químico de 4 de abril, para "verificar as acusações sobre o armazenamento de armas químicas" neste local.

Mas a intenção da Rússia era "comprometer a missão de investigação" atual, denunciou a delegação britânica.

"É inútil informar que a missão de investigação continua", acrescentou. E "o Reino Unido a apoia plenamente".

A rejeição desta proposta ocorreu um dia após a OPAQ anunciar provas "irrefutáveis" sobre a utilização de gás sarin ou de uma substância similar durante o ataque.



Analisadas por quatro laboratórios designados pela organização, as amostras extraídas de três pessoas mortas e de sete hospitalizadas "demonstram uma exposição a gás sarin ou a uma substância similar", declarou na quarta-feira Ahmet Uzumcu, diretor da OPAQ.

Emanação de Sarin

"Se realmente tivesse existido gás sarin em Khan Sheikhun, então como a OPAQ pode explicar que os impostores dos capacetes brancos (socorristas na zona rebelde) andassem entre as emanações de sarin sem equipamento de proteção?", perguntou nesta quinta-feira o porta-voz do ministro da Defesa russo, Igor Konashenkov.

Igualmente, o porta-voz exigiu uma "investigação objetiva do incidente no local", denunciando que "nem um único representante da OPAQ se dirigiu ao local em duas semanas".

Uzumcu informou na quarta-feira que uma missão de controle estava pronta para ser implantada na cidade "se a situação em termos de segurança permitir".

Os ocidentais acusaram o regime sírio de ter realizado o bombardeio aéreo contra Khan Sheikhun. Acusações que o presidente sírio, Bashar al-Assad, classificou de invenção.

Este pedido reavivou as tensões no Conselho Executivo da OPAQ, nesta semana em Haia, onde muitos Estados expressaram seu apoio à equipe de investigação atual.

O projeto de texto de Rússia e Irã também convidava os Estados membros a "fornecer especialistas nacionais para participar da investigação".

Moscou tinha a intenção, assim, de propor os seus próprios especialistas junto às equipes independentes da OPAQ, em uma tentativa que pretende "desacreditar os resultados" alcançados até agora, enfatizou à AFP uma fonte próxima às discussões.

A Rússia impôs na semana passada seu veto a um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava o suposto ataque químico e pedia que o governo sírio cooperasse com uma investigação. Este é o oitavo veto de Moscou em apoio ao seu aliado de Damasco.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Hobbit - 80 anos O Hobbit - 80 anos
Como a maioria dos hobbits, Bilbo Bolseiro leva uma vida tranquila até o dia em que recebe uma missão do mago Gandalf. Acompanhado por um grupo de anões, ele parte numa jornada até a Montanha Solitária para libertar o Reino de Erebor do dragão Smaug
Marcas do medo Marcas do medo
Mais do que um saldo de 4,1 mil mortos até setembro de 2017, a violência em PE deixou uma população inteira refém do medo. Sentimento sem cara ou forma, que faz um número cada vez maior de vítimas no Estado. Medo de sair de casa, de andar nas ruas
Great Place to Work 2017 Great Place to Work 2017
Conheça agora as 30 melhores empresas para trabalhar em Pernambuco, resultado de uma pesquisa feita pela Grat Place to Work, instituição com credibilidade de 25 anos, em 57 países, envolvendo anualmente sete mil empresas e 12 milhões de colaboradores

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM