Jornal do Commercio
SAÚDE

Iêmen: rebeldes pedem ajuda para deter epidemia de cólera em Sanaa

O "ministro" da Saúde dos rebeldes, Hafid ben Salem Mohammed, afirmou que "a amplitude da doença supera a capacidade" dos serviços

Publicado em 15/05/2017, às 17h52

A epidemia causou 184 mortes desde 27 de abril, com 11.000 outros casos suspeitos assinalados no país. O balanço aumenta a cada dia / Foto: Mohammed HUWAIS / AFP
A epidemia causou 184 mortes desde 27 de abril, com 11.000 outros casos suspeitos assinalados no país. O balanço aumenta a cada dia
Foto: Mohammed HUWAIS / AFP
AFP

Os rebeldes xiitas do Iêmen declararam nesta segunda-feira (15) estado de emergência por uma epidemia de cólera em Sanaa e pediram ajuda à comunidade internacional para enfrentar o problema. Os casos de cólera registrados recentemente superam a "média habitual" e o sistema de saúde da capital é "incapaz de conter esta catástrofe", afirmou o departamento de Saúde da administração instaurada pelos rebeldes xiitas huthis que controlam a cidade.

Segundo um novo balanço do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) divulgado nesta segunda-feira (12), a epidemia causou 184 mortes desde 27 de abril, com 11.000 outros casos suspeitos assinalados no país.

O "ministro" da Saúde dos rebeldes, Hafid ben Salem Mohammed, afirmou que "a amplitude da doença supera a capacidade" dos serviços.

"Estamos enfrentando uma grave crise de cólera", declarou Dominik Stillhart, diretor de operações do CICV, no domingo em Sanaa, ao fim de uma missão no Iêmen.

A doença se propagou e o balanço tem aumentado rapidamente.

Antes do anúncio do estado de emergência, Amin Mohammed Jamaan, o prefeito de Sanaa nomeado pelos rebeldes, prometeu facilitar o trabalho das organizações internacionais no combate à doença.

"As autoridades de Sanaa fornecerão todas as facilidades, apoio e cooperação às organizações internacionais", afirmou Jamaan.



Guerra

A guerra no Iêmen destruiu as infraestruturas de saúde do país mais pobre da península arábica.

O conflito envolve as forças leais ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, apoiado por uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, aliados ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh.

O diretor adjunto do hospital Sabin de Sanaa descreveu à AFP uma situação catastrófica em seu estabelecimento, que recebe a cada dia entre 150 e 200 doentes com sintomas de cólera, e muitos são hospitalizados.

"Colocamos quatro pacientes por leito e instalamos camas em barracas de campanha e debaixo das árvores do jardim", afirmou a fonte.

"Mas a chuva e o frio complicam as coisas", disse, antes de citar a falta de medicamentos e de funcionários. 

Os opositores dos huthis, no entanto, acusam os rebeldes de dramatizar a situação para obter a suspensão do embargo sobre o aeroporto de Sanaa e evitar um ataque contra o porto de Hodeida, a principal porta de entrada para as importações iemenitas. 

A coalizão árabe que luta contra os rebeldes xiitas, sob o comando da Arábia Saudita, impõe um embargo aéreo a Sanaa e ameaça assumir o controle do porto de Hodeida, alegando que os huthis utilizam estas infraestruturas para importar armas iranianas. 

Vários organismos da ONU advertiram que uma operação contra o porto de Hodeida teria consequências devastadoras para o país no campo humanitário. 

Quase 19 milhões de pessoas - praticamente 60% da população - vivem em situação de insegurança alimentar, indicou a ONU. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os combates deixaram mais de 8.000 mortos e mais de 44.500 feridos desde março de 2015.


Palavras-chave

Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Mundo de Rafa O Mundo de Rafa
Rafael foi diagnosticado com síndrome de Asperger apenas aos 11 anos. Seus desenhos contam pedaços muito importantes da sua história. Exprimem momentos de alegria, de comemoração e também de desabafo, de dor
Gastos dos parlamentares pernambucanos Gastos dos parlamentares pernambucanos
Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no 1º semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado
Um metrô ainda renegado Um metrô ainda renegado
São 32 anos de operação e uma eterna luta por sobrevivência. Esse é o metrô do Recife

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM