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Iêmen

Sanaa declara estado de emergência para enfrentar epidemia de cólera

Entre 27 de abril e 13 de maio, 115 pessoas morreram vítimas de cólera e foram registrados 8.500 casos suspeitos em 14 províncias do Iêmen

Publicado em 15/05/2017, às 06h39

A guerra no Iêmen destruiu as infraestruturas de saúde do país / Foto: MOHAMMED HUWAIS / AFP
A guerra no Iêmen destruiu as infraestruturas de saúde do país
Foto: MOHAMMED HUWAIS / AFP
AFP

As autoridades de Sanaa declararam estado de emergência nesta segunda-feira (15) em consequência dos muitos casos de cólera na capital do Iêmen e emitiram um pedido de ajuda internacional para enfrentar a epidemia.

Os casos de cólera registrados recentemente superam a "média habitual" e o sistema de saúde da capital é "incapaz de conter esta catástrofe", afirmou o departamento de Saúde da administração instaurada pelos rebeldes xiitas huthis que controlam a cidade.

O "ministro" da Saúde dos rebeldes, Hafid ben Salem Mohammed, afirmou que "a amplitude da doença supera a capacidade" dos serviços.

"Estamos enfrentando uma grave crise de cólera", declarou Dominik Stillhart, diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), no domingo em Sanaa, ao fim de uma missão no Iêmen. 

Ao citar um balanço do ministério da Saúde, Stillhart indicou que entre 27 de abril e 13 de maio, 115 pessoas morreram vítimas de cólera e foram registrados 8.500 casos suspeitos em 14 províncias do Iêmen. 

A doença se propagou e o balanço aumentou rapidamente. Na quinta-feira, a ONU confirmou 58 casos cólera e 47 mortes, com 2.301 casos suspeitos em 10 províncias. 



Antes do anúncio do estado de emergência, Amin Mohammed Jamaan, o prefeito de Sanaa nomeado pelos rebeldes, prometeu facilitar o trabalho das organizações internacionais no combate à doença.

"As autoridades de Sanaa fornecerão todas as facilidades, apoio e cooperação às organizações internacionais", afirmou Jamaan.

Guerra no Iêmen

A guerra no Iêmen destruiu as infraestruturas de saúde do país mais pobre da península arábica.

A guerra envolve as forças leais ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, apoiado por uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis, aliados ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os combates deixaram mais de 8.000 mortos e mais de 44.500 feridos desde março de 2015.

Quase 19 milhões de pessoas - praticamente 60% da população - vivem em situação de insegurança alimentar, indicou a ONU. 


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