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Epidemia

Mais de 20 mil casos e 200 mortes por cólera no Iêmen em três semanas

OMS teme atingir 250.000 casos de cólera nos próximos seis meses

Publicado em 19/05/2017, às 14h25

De acordo com a OMS, os combates deixaram mais de 8.000 mortos e mais de 44.500 feridos desde março de 2015 / Foto: AFP
De acordo com a OMS, os combates deixaram mais de 8.000 mortos e mais de 44.500 feridos desde março de 2015
Foto: AFP
AFP

A epidemia de cólera, que castiga o Iêmen desde o final de abril, causou 242 mortes e 23.425 casos suspeitos neste país em guerra, indicou nesta sexta-feira (19) a Organização Mundial da Saúde (OMS), que teme atingir 250.000 casos nos próximos seis meses.

Na quinta-feira (18) foram registrados 3.460 novos possíveis casos e outras 20 mortes por cólera, em um país onde cerca de dois terços da população passa fome, segundo a ONU.

"A velocidade de propagação da epidemia de cólera é sem precedentes", declarou por telefone à imprensa em Genebra o representante da OMS no Iêmen, Nevio Zagaria.

A cólera é uma infecção intestinal aguda, provocada pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo bacilo Vibrio cholerae.

Quando alguém apresenta sintomas, são na maioria dos casos de leves a moderados. No entanto, uma minoria desenvolve diarreia aquosa aguda, acompanhada de desidratação grave. Sem medicação e tratamento, este quadro pode ser fatal, de acordo com a OMS.

A epidemia se espalha por todo o país, onde as instalações hospitalares e condições de higiene se deterioraram pela guerra entre rebeldes xiitas huthis e as forças leais ao governo, apoiadas desde março de 2015 por uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita.



A guerra causou uma grave crise humanitária no Iêmen. Cerca de 19 milhões de pessoas, ou seja, em torno de dois terços da população, precisam urgentemente de ajuda humanitária.

Estado de emergência

Na segunda-feira (15) os rebeldes xiitas declararam estado de emergência pela epidemia de cólera e pediram ajuda à comunidade internacional para enfrentar o problema na capital Sanaa.

Os casos de cólera registrados recentemente superam a "média habitual" e o sistema de saúde da capital é "incapaz de conter esta catástrofe", afirmou o Departamento de Saúde da administração instaurada pelos rebeldes xiitas huthis na capital do país.

De acordo com a OMS, os combates deixaram mais de 8.000 mortos e mais de 44.500 feridos desde março de 2015.

Zagaria explicou que as agências da ONU estão se preparando para lançar "um plano de emergência contra a cólera" no Iêmen nas próximas 48 horas, com a intenção de aumentar o número de centros de tratamento e reidratação.

Ele lamentou a falta de fundos recebidos para ajudar as autoridades iemenitas a reparar as infraestruturas destruídas pelos combates e ataques aéreos da coalizão árabe.

"A velocidade (de propagação) da doença é muito alta e se faz necessária uma ajuda substancial para reparar a rede de encanamento e esgoto" e tentar purificar o sistema sanitário, disse ele.


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