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IRAQUE

Três anos após perder Mossul, Exército iraquiano tem sua revanche

Em 2014, as forças iraquianas fugiam de Mossul, que caía nas mãos Estado Islâmico . Agora, o Exército está prestes a descontar a humilhação histórica

Publicado em 09/06/2017, às 01h14

A queda de Mossul simbolizou o colapso do Estado iraquiano e a derrocada de suas forças de segurança / Foto: MOHAMED EL-SHAHED / AFP
A queda de Mossul simbolizou o colapso do Estado iraquiano e a derrocada de suas forças de segurança
Foto: MOHAMED EL-SHAHED / AFP
AFP

Em 10 de junho de 2014, as forças iraquianas fugiam de Mossul que caía nas mãos do grupo extremista Estado Islâmico (EI). Três anos depois, o Exército está prestes a descontar a humilhação histórica.

A queda de Mossul simbolizou o colapso do Estado iraquiano e a derrocada de suas forças de segurança frente aos extremistas que varreram o oeste e norte do país.

Numericamente superior, o Exército abandonou a cidade e se retirou em total desordem, deixando para trás equipamentos e veículos militares, um prêmio inesperado para os extremistas.

"Há três anos, nesta mesma época, o Daesh descia rapidamente em direção a Bagdá", lembra Brett McGurk, enviado americano para a coalizão internacional que auxilia as forças iraquianas desde 2014, usando um acrônimo em árabe para o EI.

"Mossul caiu e sete divisões das forças iraquianas simplesmente se desintegraram", aponta.

Estes soldados "não estavam preparados" para enfrentar "uma ameaça como aquela" representada pelo EI 2014, explica o porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon.

Enquanto o EI se aproximava de Bagdá, "parecia quase impossível" inverter a tendência e "muita gente pensou que era o fim do Iraque", resume McGurk.

"Habitantes cooperam"

Mas os extremistas jamais conseguiram lançar um grande ataque na capital iraquiana.

O grande aiatolá Ali al-Sistani, a maior autoridade xiita do país, chamou os voluntários dentro desta comunidade majoritária no Iraque a combater o grupo extremista sunita. As milícias xiitas, apoiadas pelo Irã, foram mobilizadas para combater o avanço do EI.

Enquanto isso, os Estados Unidos estabeleceram uma coalizão internacional para conduzir uma campanha de ataques aéreos contra as posições dos extremistas. Seu campo de atuação logo foi ampliado para missões de consultoria e apoio às forças iraquianas.

Desde o final de 2014, os militares iraquianos recuperaram a maior parte do território perdido, incluindo as três grandes cidades de Tikrit, Fallujah e Ramadi, além de grande parte de Mossul.



O EI "controla apenas três ou quatro bairros, onde está cercado", garante o general Abdulghani al-Assadi, comandante das forças antiterroristas (CTS), unidade de elite do Exército.

Quando os extremistas tomaram Mossul, "as unidades (do Exército) que estavam lá não tinham preparação e equipamento, e a queda da cidade foi rápida", lamenta.

"Mas hoje as unidades estão muito melhor preparadas e suas relações com os habitantes são boas", acrescenta o oficial iraquiano. "As pessoas cooperam com os militares".

"Verdadeira tragédia"

"O sucesso da operação de Mossul vai provar que as forças de segurança percorreram um longo caminho desde o seu colapso em 2014", analisa Patrick Martin, do Instituto para o Estudo da Guerra.

Mas a reconquista da cidade "não deve mascarar o fato de que o Exército ainda tem pontos fracos" e "não tem tropas suficientes para proteger e manter todo o país", diz.

A reconquista dos territórios perdidos em 2014 teve um custo terrível: milhares de pessoas morreram e centenas de milhares foram forçadas a fugir de suas casas para escapar das atrocidades dos extremistas.

"A província de Nínive, em geral, e (sua capital) Mossul em particular, viveram uma verdadeira tragédia", ressalta o general Abdulwahab al-Saadi, outro comandante das CTS.

Os civis foram alvos de atrocidades e "todas as unidades (do Exército) pagaram um preço muito alto", indica.

A retomada iminente de Mossul não marcará o fim da guerra contra o EI no Iraque. Os extremistas ainda controlam territórios na província de Kirkuk e no oeste desértico do país.

E, além disso, segundo o coronel Dillon, há a "ameaça futura" de que o EI "retorne ao que era antes, um movimento de insurreição".


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