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UE preocupada adverte May: 'não há tempo a perder' no Brexit

Foram realizadas eleições antecipadas em abril com intuito de fortalecer negociações do Brexit

Publicado em 09/06/2017, às 16h28

May teve um resultado inesperado nas eleições antecipadas e perdeu maioria no Parlamento / Foto: AFP
May teve um resultado inesperado nas eleições antecipadas e perdeu maioria no Parlamento
Foto: AFP
AFP

O inesperado resultado das eleições britânicos, com a perda da maioria absoluta da primeira-ministra Theresa May, levou incerteza a uma União Europeia que pediu nessa sexta-feira (9) a Londres que não perca tempo na negociação do Brexit.

"Nossa responsabilidade agora é garantir o Brexit menos perturbador. Não há tempo que perder", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em um tuíte com a carta de felicitação enviada a May que anunciou a formação de um novo governo.

A primeira-ministra britânica convocou eleições antecipadas em abril com o objetivo de se fortalecer diante das negociações do Brexit, apoiada na ampla vantagem mostrada nas pesquisas.

Os europeus participaram desta convocação antecipada já que, em seu julgamento, uma líder com um forte apoio eleitoral em Londres estaria em condição de fazer concessões a seus sócios durante as complexas negociações do Brexit.

Entretanto, depois que May não alcançou o seu objetivo, ficando com oito cadeiras a menos do que a maioria absoluta, os europeus mostraram a sua preocupação com o impacto deste resultado nas negociações, que pode começar em 19 de junho.

Em seu primeiro discurso após receber a ordem de formar governo da rainha Elizabeth II, tentou afastar temores assegurando que seu governo "guiará o país através de negociações cruciais sobre o Brexit, que começarão em dez dias". 

Esforços "para alcançar um acordo"
 

A incerteza também paira sobre o resultado dessas negociações entre a UE e um governo britânico em minoria, apoiado pelos unionistas da Irlanda do Norte.

O ministro britânico para o Brexit, David Davis, ameaçou deixar a negociação e destacou que em caso de um saída da UE sem acordo "não haverá nada a pagar".

O tema financeiro aparece como um dos mais complexos no processo de divórcio, principalmente quando as estimativas desta fatura a ser paga por Londres oscilam entre 50 e 100 bilhões de euros. Os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido é outro dos assuntos sensíveis.



E sem progresso nestes aspectos e sobre a fronteira na ilha da Irlanda, os 27 se negam a começar a discutir o futuro marco de relações com o Reino Unido, que poderia incluir um acordo de livre-comércio como Londres quer.

"Unamos os nossos esforços para fechar um acordo [de separação]", reiterou o negociador europeu, Michel Barnier, que deixou entrever que estavam dispostos a dar um tempo a Londres para se preparar antes do início das negociações.

Um governo britânico fraco pode conduzir a negociações "ruins" sobre o Brexit para ambas as partes, indicou durante a manhã o comissário europeu de Orçamento, Günther Oettinger. 

Para o analista do centro de pesquisa Real Instituto Elcano, Ignacio Molina, May conta agora com uma liderança "muito frágil" e sem muita margem de manobra para fazer concessões como teria tido em caso de uma vitória acachapante.

"O tempo continua correndo"
 

Os europeus, que desde o fim de abril já estão dispostos a negociar, não querem atrasar mais este complexo processo ativado em 29 de março e que deve se concretizar em março de 2019.

"O tempo continua correndo", nas palavras do líder dos eurodeputados do PPE, Manfred Weber, para quem May levou "o caos a seu país" no lugar da "estabilidade".

De Praga, o presidente do Executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, desejou que "o resultado das eleições não tenha um grande impacto nestas negociações, que esperamos desesperadamente".

O referente da Eurocâmara para o Brexit, o influente deputado liberal Guy Verhofstadt, lamentou um cenário cada vez mais complicado de separação.

"Outro gol contra, depois de Cameron, agora May fará com que as negociações sejam ainda mais complicadas", tuitou Verhofstadt, em referência ao ex-primeiro-ministro britânico David Cameron que convocou o referendo de junho de 2016, no qual os britânicos optaram por sair da UE.


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