Jornal do Commercio
Espaço

Asteroides, uma ameaça incerta, mas muito real

Conscientização sobre o potencial devastador dos asteroides será feita nesta sexta-feira (30)

Publicado em 28/06/2017, às 19h37

Durante 4,5 bilhões de anos, asteroides impactaram na Terra, causando desde salpicos inócuos no oceano até a extinção de espécies / HANDOUT / EUROPEAN SPACE AGENCY / AFP
Durante 4,5 bilhões de anos, asteroides impactaram na Terra, causando desde salpicos inócuos no oceano até a extinção de espécies
HANDOUT / EUROPEAN SPACE AGENCY / AFP
AFP

"Asteroid day" não é o nome de um novo filme de ficção e sim uma jornada mundial que acontecerá na próxima sexta-feira (30) para conscientizar sobre o potencial devastador desses corpos do Sistema Solar e a necessidade de nos protegermos.

Durante 4,5 bilhões de anos, asteroides impactaram na Terra, causando desde salpicos inócuos no oceano até a extinção de espécies. Ninguém sabe quando será o próximo grande impacto, mas os cientistas trabalham para prevê-lo e descobrir como abortá-lo.

"Cedo ou tarde sofreremos um impacto maior ou menor", disse à AFP Rolf Densing, diretor do Centro Europeu de Operações Espaciais, em Darmstadt (Alemanha), com motivo do Dia Internacional do Asteroide.

E "não estamos preparados para nos defendermos", acrescentou. "Não temos medidas ativas de defesa planetária".

As táticas poderiam consistir em destruir o asteroide com laser, tentar desviá-lo ou enviar um "trator" espacial para arrastá-lo. Mas o primeiro que precisa ser feito é detectar a ameaça.

Os astrofísicos classificam estes corpos por tamanho, desde os que medem vários milímetros e queimam ao penetrar diariamente na atmosfera da Terra, até os mastodontes de 10 km, como o que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos.

Estima-se que estes episódios acontecem uma vez a cada 100 milhões de anos, e que o próximo poderia supor o fim da humanidade.

Até agora os especialistas catalogaram 90% dos asteroides desse tamanho e determinaram que não supunham uma ameaça imediata.

Mais preocupantes são os milhões de asteroides de entre 15 e 140 metros. Um deles, de 40 metros, causou o maior impacto da história recente quando colidiu em Tunguska (Sibéria), em 30 de junho de 1908 (daí a data escolhida para o Dia Internacional), derrubando 80 milhões de árvores em uma zona pouco povoada de 2.000 km quadrados, uma superfície superior à de Londres.

Outro episódio relevante foi registrado em Chelyabinsk, no centro da Rússia, em 2013, quando um corpo de 20 metros - que não tinha sido detectado com antecedência - entrou na atmosfera criando uma energia cinética equivalente a 27 bombas de Hiroshima.

A onda de choque fez com que as janelas de quase 5.000 edifícios quebrassem e deixou mais de 1.200 feridos.

- Evacuar as cidades -

Diante da ameaça, a Europa está criando uma série de telescópios, cuja conclusão está programada para daqui a dois anos.



Esta rede "escaneará sistematicamente o céu a cada noite, e qualquer asteroide que se aproxime será detectado com uma antecedência de duas a três semanas", disse Nicolas Bobrinsky, responsável do projeto de vigilância de asteroides "Space Situational Awareness", da Agência Espacial Europeia.

"Não é muito, mas é melhor do que o que temos agora", acrescentou. No mínimo, permitirá evacuar cidades e alertar sobre a onda de choque.

"Ao contrário de outros riscos naturais na Terra, como tsunamis e terremotos, este é o único que podemos prever", disse Patrick Michel, astrofísico do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França.

O que se necessita é cooperação entre políticos e agências espaciais, e principalmente dinheiro.

Um sistema para desviar um asteroide requereria entre 300 e 400 milhões de euros, segundo Bobrinsky, uma soma minúscula comparada com o custo do desastre potencial.

A ONU declarou o 30 de junho como Dia Internacional do Asteroide para alertar do que seus organizadores descrevem como o "maior desafio da humanidade".

Foi promovido pelo astrofísico e guitarrista do Queen, Brian May, e pelo cineasta Grigorij Richters, que dirigiu o filme de ficção científica "51 Degrees North", sobre um asteroide que se dirige perigosamente para Londres.

A iniciativa conta com o apoio de dezenas de cientistas, astronautas e famosos, muitos dos quais participarão em um programa especial de 24 horas emitido ao vivo na sexta-feira no site https://asteroidday.org.


Palavras-chave

Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Marcas do medo Marcas do medo
Mais do que um saldo de 4,1 mil mortos até setembro de 2017, a violência em PE deixou uma população inteira refém do medo. Sentimento sem cara ou forma, que faz um número cada vez maior de vítimas no Estado. Medo de sair de casa, de andar nas ruas
Great Place to Work 2017 Great Place to Work 2017
Conheça agora as 30 melhores empresas para trabalhar em Pernambuco, resultado de uma pesquisa feita pela Grat Place to Work, instituição com credibilidade de 25 anos, em 57 países, envolvendo anualmente sete mil empresas e 12 milhões de colaboradores
#ACulpaNãoÉDelas #ACulpaNãoÉDelas
Histórias de mulheres que passaram anos sendo agredidas por seus parceiros e, com medo, permaneceram em silêncio. Essa série de reportagem discute novos olhares no enfrentamento às agressões contra a mulher, até porque a culpa não é delas

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM