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Tragédia

Familiares prestam homenagem às vítimas do voo MH17

Três anos depois que o voo MH17 foi derrubado na Ucrânia, cerca de 2.000 familiares homenagearam nesta segunda na Holanda as 298 vítimas da tragédia.

Publicado em 17/07/2017, às 10h34

Foto tirada em 9 de setembro de 2014 mostra parte do avião da Malaysia Airlines que caiu no vilarejo de Hrabove, na Ucrânia / Foto: AFP/Arquivos
Foto tirada em 9 de setembro de 2014 mostra parte do avião da Malaysia Airlines que caiu no vilarejo de Hrabove, na Ucrânia
Foto: AFP/Arquivos
AFP

Três anos depois que o voo MH17 foi derrubado na Ucrânia, cerca de 2.000 familiares homenagearam nesta segunda-feira (17) na Holanda as 298 vítimas da tragédia com a inauguração de um "bosque de memórias".

Formando um "laço verde", 298 árvores foram plantadas em homenagem a cada uma das vítimas, incluindo 196 holandeses, que morreram depois que o Boeing 777 da Malaysia Airlines foi derrubado por um míssil no leste da Ucrânia em guerra.

O rei Willem-Alexander e a rainha Máxima da Holanda inauguraram às 14h00 (9h00 de Brasília) o monumento no parque Vijfhuizen, perto do aeroporto de Amsterdã-Schiphol, de onde decolou em 17 de julho de 2014 o avião com destino a Kuala Lumpur.

Os nomes dos passageiros e membros da tripulação foram lidos por parentes e amigos, enquanto o casal real, acompanhado por 17 crianças de Vijfhuizen, depositou as primeiras flores no monumento. Foram seguidos pelas famílias que vieram de várias partes da Holanda, bem como da Austrália, Malásia, Reino Unido, Alemanha e Indonésia, para homenagear as vítimas de 17 nacionalidades diferentes.

Estas "298 árvores irão manter viva a memória das vítimas", indicou a fundação das famílias das vítimas em um comunicado. Este "laço verde (...) une e serve como um oásis de reflexão, conforto e esperança".

O projeto, financiado por doações e concebido pelo artista Ronald A. Westerhuis e pelo arquitecto paisagista Robbert de Koning, foi selecionado em novembro de 2015 por 60% das famílias entre três propostas.

'Sem esquecer' 

Após três anos, os supostos autores não foram presos, mas as autoridades holandesas anunciaram no início de julho que serão julgados na Holanda.



A equipe de investigação conjunta (EIC) concluiu que o avião foi atingido por um míssil tipo BUK fabricado na Rússia e lançado a partir de uma zona de combate controlada pelos rebeldes pró-russos. Uma centena de pessoas que "desempenharam um papel ativo na tragédia" foram identificadas.

Em Kiev, o presidente ucraniano Petro Poroshenko declarou nesta segunda-feira que a Rússia deveria responder pela destruição do avião.

"Foi um crime flagrante que poderia ter sido evitado se não tivesse havido uma agressão russa, equipamento russo e mísseis russos fornecidos a partir do território russo", ressaltou Poroshenko em sua conta do Facebook.

Mas as autoridades separatistas e Moscou negam qualquer responsabilidade e acusam o Exército ucraniano.

Algumas famílias também criticam a Rússia de criar obstáculos à investigação, de acordo com a imprensa holandesa. Neste aniversário, "não se trata apenas de tristeza, luto e lembrança. Nós também queremos justiça", declarou Sander van Luik, que perdeu seu irmão na tragédia, citado pelo jornal De Telegraaf.

Cada árvore do monumento nacional MH17 de Vijfhuizen leva o nome de uma vítima. Uma macieira em flor será dedicada a Gary, um adolescente de dezesseis anos de Roterdã (leste), cujo corpo ainda não foi identificado. 

"É bom ter uma árvore para ele, porque não recebemos seu corpo", admitiu seu pai, Jan Slok, ao jornal AD.

A parede de aço em forma de olho de dezesseis metros de comprimento e quatro metros de altura que rodeia o monumento, representa "o peso da perda", de acordo com o jornal Trouw. A parede de aço deve, ao longo do tempo, oxidar-se, símbolo da lenta evolução da dor.

Já os nomes das vítimas foram gravados no centro, em aço inoxidável.

"Se olhar do interior, verá a si mesmo e o nome de seu ente querido", explica o artista Ronald A. Westerhuis, citado por Trouw.

"Este aço foi polido de maneira a refletir a luz do sol sobre a parede em sombra", explica.

"A memória ilumina assim a dor", indica em seu site.


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