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Conflito eleitoral

Votação na Venezuela é marcada por guerra entre governo e oposição

A eleição dos constituintes foi adiada uma hora porque, de acordo com as autoridades eleitorais, ainda havia eleitores na fila para votação

Publicado em 30/07/2017, às 20h33

Em algumas mesas eleitorais, houve longas filas para votar. Houve, inclusive, temor de represálias por parte dos empregados políticos / Foto: AFP
Em algumas mesas eleitorais, houve longas filas para votar. Houve, inclusive, temor de represálias por parte dos empregados políticos
Foto: AFP
Agência Brasil

A votação da Assembleia Nacional Constituinte, na Venezuela, neste domingo (30), foi marcada por uma guerra de informações sobre o grau de participação do eleitorado convocado pelo presidente Nicolas Maduro, o tamanho dos protestos realizados pela oposição e número de mortos e feridos de ambos lados.

A eleição dos constituintes, encarregados de reescrever as regras do pais, começou às 7h (horário de Brasília) e deveria ter durado doze horas. Mas às 19h (horário de Brasília) foi adiada por uma hora porque, segundo as autoridades eleitorais, ainda havia eleitores na fila para votar.

A oposição boicotou o processo, que considera “uma fraude” e não apresentou candidatos, nem votou. Mas desafiou o governo, que proibiu manifestações de rua ate segunda-feira (31) e foi reprimida. Desde cedo, os opositores denunciavam o suposto plano governista para manipular os dados.

O presidente do Parlamento (de maioria opositora), Júlio Borges, disse que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) iria ampliar o prazo de votação, na tentativa de mostrar uma grande participação do eleitorado. E que já tinha pronto um boletim anunciando que 8,5 milhões de eleitores tinham ido às urnas, quando o número verdadeiro não passava de três milhões.

Às 19h (horário de Brasília), a presidente do CNE, Tibisay Ramirez, de fato anunciou a extensão do prazo de votação, devido às grandes filas. Mas disse que os resultados, antecipados por alguns, deveriam ser ignorados, já que os números oficiais só seriam anunciados três horas depois do fechamento da última urna.

Guerra e paz

Em algumas mesas eleitorais, os venezuelanos fizeram longas filas para votar. Alguns empregados públicos disseram que temiam represálias, caso não comparecessem às urnas, como pedia o governo. Outros eleitores manifestaram esperança com a reforma constitucional, que Maduro assegura ser a única saída pacifica para a crise.



Nas redes sociais, entretanto, os opositores divulgaram as fotos de centros de votação, quase vazios – prova, segundo eles, do sucesso do boicote e de fracasso da convocação governamental.

Ao longo do dia, as autoridades eleitorais e as forças de segurança informavam que a eleição transcorria “normalmente e em paz” – salvo em “alguns focos de problemas”. Já o jornal El Nacional, de tendência opositora, noticiava na capa de sua versão online que o número de mortes nos protestos do final de semana já chegava a 13. O Ministério Publico reconheceu a morte de sete pessoas. “É mentira”, disse o politico governista Jorge Rodriguez, em uma entrevista em que fez um balanço da eleição. “Quem disse isso? A futura ex-procuradora-geral?”, perguntou.

Desde marco, quando criticou abertamente o crescente autoritarismo do presidente Nicolas Maduro, a procuradora-geral Luiza Ortega passou a ser a voz dissidente dentro do governo. Tanto Maduro quanto vários de seus aliados já deram a entender que o primeiro passo da Assembleia Nacional Constituinte será retirá-la do cargo.

Segundo o analista politico, Edgar Gutierrez, a reforma constitucional não poderá resolver os problemas da Venezuela - inflação anual superior a 700%, recessão e desabastecimento. “Nesse clima de instabilidade e falta de confiança no governo, é impossível endireitar a economia”, disse. “A Constituinte é apenas um mecanismo do governo para controlar e eliminar seus adversários”.

Os opositores estão apostando no apoio da comunidade internacional – e nas sanções de países como os Estados Unidos - para resistir à Assembleia Nacional Constituinte. E o governo voltou a criticar o que chama de ingerência externa e imperialista nos assuntos venezuelanos.


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