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Charlottesville

Trump é criticado após violência em manifestação da direita radical

Declarações ambíguas de Donald Trump geraram polêmica após tragédia de Charlottesville

Publicado em 13/08/2017, às 13h37

Trump é criticado / Foto: AFP
Trump é criticado
Foto: AFP
AFP

Uma manifestação da extrema direita americana terminou em violência, provocando uma morte e deixando dezenas de feridos neste sábado em Charlottesville, Virgínia, gerando polêmica, após declarações ambíguas do presidente americano, Donald Trump.

Uma das vítimas foi uma mulher de 32 anos, que morreu quando um automóvel atropelou intencionalmente, segundo testemunhas, uma multidão de contramanifestantes que se opunham a uma marcha da direita radical americana integrada por neonazistas, defensores da supremacia branca, a Ku Klux Klan (KKK) e a direita alternativa, ou Alt Right, parte da qual apoiou Trump na eleição presidencial. Ela foi identificada como Heather Heyer, de 32 anos.

Também houve outras duas vítimas fatais quando um helicóptero caiu em uma área vizinha a Charlottesville, matando o tenente H. Jay Cullen e o piloto Berke M.M. Bates, que ajudavam nas operações, um acidente cuja causa está sendo investigada, segundo autoridades.

O procurador-geral americano, Jeff Sessions, denunciou o episódio: "A violência e as mortes em Charlottesville agridem o coração da lei e da Justiça americana", destacou. "Quando se produzem fatos de tamanha intolerância racial e de ódio, traem-se nossos valores fundamentais, e não podem ser tolerados", insistiu

O FBI anunciou a abertura de uma investigação de direitos civis sobre o caso.

O presidente Donald Trump expressou no Twitter suas "profundas condolências aos familiares e aos colegas oficiais do policial do Estado de VA que morreu hoje".

"Condolências à família da jovem mulher que morreu hoje, e meus melhores desejos para todos aqueles que ficaram feridos em Charlottesville, Virginia. É muito triste!", acrescentou o presidente. 

O fato de o presidente Donald Trump não ter criticado grupos da ultradireita provocou críticas, inclusive de membros do Partido Republicano.

"É muito importante para a nação ouvir @potus descrever eventos em #Charlottesville pelo que eles são, um ataque terrorista de #supremacistasbrancos", tuitou o senador pela Flórida, Marco Rubio.

O senador veterano Orrin Hatch, de Utah, tuitou: "Devemos chamar o diabo pelo nome. Meu irmão não deu a vida lutando contra Hitler por suas ideias nazistas para que elas fossem aceitas aqui em casa."

O senador Ted Cruz pediu que o fato seja investigado como "um ato de terrorismo doméstico".

Neste domingo, a Casa Branca esclareceu que a condenação pelo presidente americano da violência e do ódio pelos confrontos de ontem na manifestação na Virgínia inclui os "supremacistas brancos".

"O presidente disse, da forma mais enérgica, em suas declarações de ontem, que condena todas as formas de violência, fanatismo e ódio. Isto inclui, evidentemente, supremacistas brancos, neonazistas, o Ku Klux Klan e todo tipo de grupo extremista", garantiu um porta-voz do Executivo.

Polícia superada

Centenas de pessoas se reuniram em Charlottesville para participar ou protestar contra a "Marcha da Direita Unida", que rapidamente resultou em confusão, apesar da forte presença do batalhão de choque e de tropas da guarda nacional.



Muitos dos participantes agitavam bandeiras confederadas, consideradas um símbolo de racismo por muitos americanos, enquanto outros faziam a saudação nazista. Já os manifestantes contrários ao racismo levavam bandeiras do movimento Black Lives Matter e gritavam palavras de ordem.

"Marchávamos pela rua quando um automóvel, um carro preto ou cinza, veio para cima e atingiu todo mundo. Depois, retrocedeu e voltou a vir para cima", relatou uma testemunha à AFP.  

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um automóvel escuro atinge violentamente a traseira de outro veículo e, em seguida, retrocede velozmente entre os manifestantes.

O motorista do carro foi preso, e o caso é tratado como homicídio, segundo o chefe de polícia, Al Thomas.

De acordo com a rede de TV CNN, o suspeito, James Alex Fields Jr., 20 anos, nascido em Ohio, foi acusado de morte, ferimentos e crime de fuga.

A mãe de Fields Jr., Samantha Bloom, disse à imprensa de Ohio que sabia que o filho planejava ir ao evento, mas que desconhecia sua posição extremista e o havia aconselhado a "agir pacificamente".

Até o fim da tarde de ontem, 35 pessoas haviam sido atendidas com ferimentos, informou Thomas.

Estado de emergência

O governador da Virgínia, Terry McAuliffe, decretou estado de emergência, pedindo o não comparecimento ao protesto, e a polícia proibiu a manifestação.

Em meio a nuvens de gás lacrimogêneo, os confrontos entre manifestantes da direita radical e contramanifestantes se multiplicavam antes do início da mobilização, com brigas, lançamento de projéteis e pauladas.

Neste clima de alta tensão, o temor de acontecimentos mais graves aumentava, porque os manifestantes portavam armas, o que é permitido por lei no estado da Virgínia.

Os grupos da direita radical queriam denunciar e se opor ao projeto de Charlottesville de retirar de um espaço municipal a estátua do general confederado Robert E. Lee, que lutou a favor da escravidão durante a Guerra Civil americana.

Em entrevista coletiva, o governador McAuliffe enviou "uma mensagem a todos os defensores da supremacia branca e aos nazistas que vieram neste sábado a Charlottesville. Nossa mensagem é simples e clara. Voltem para suas casas. Vocês não são bem-vindos nesta bela comunidade."

O presidente americano, Donald Trump, pronunciou-se ontem no Twitter sobre o episódio, pedindo união. "Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que o ódio representa. Não há lugar para este tipo de violência nos Estados Unidos. Vamos nos unir como um só", pediu.

A primeira-dama, Melania Trump, condenou o sectarismo. "Nada bom sai da violência", tuitou.

Mais tarde, em Bedminster, Nova Jersey, onde passa férias, Trump voltou a criticar, em entrevista coletiva improvisada, a violência em Charlottesville.

As declarações foram feitas depois que o prefeito de Charlottesville, Mike Signer, confirmou no Twitter a morte da mulher atropelada.

No último dia 8 de julho, dezenas de membros da Ku Klux Klan já haviam se reunido nesse povoado tranquilo. Desta vez, a direita nacionalista esperava atrair mais seguidores, graças à presença de membros do movimento Alt-Right, que apoiou Trump durante sua campanha. 


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