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CRISE NA VENEZUELA

Ex-procuradora venezuelana chega ao Brasil depois ter prisão decretada

Maduro anunciou que vai pedir a prisão Luisa Ortega à Interpol

Publicado em 23/08/2017, às 03h53

A ex-procuradora saiu de Bogotá um dia depois que o  presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lhe ofereceu asilo. Rumo ao Brasil, ela fez escala no Panamá. / Foto: Sergio Lima / AFP
A ex-procuradora saiu de Bogotá um dia depois que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lhe ofereceu asilo. Rumo ao Brasil, ela fez escala no Panamá.
Foto: Sergio Lima / AFP
AFP

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega, que fugiu de seu país denunciando uma perseguição política, chegou ao Brasil na madrugada desta quarta-feira. Ela veio da Colômbia prometendo falar em casos de corrupção depois que o presidente Nicolás Maduro anunciou que pedirá sua ordem de prisão à Interpol. 

Ortega estava fortemente protegida por guardas em sua chegada ao aeroporto de Brasília, onde participará nesta quarta-feira de um encontro oficial de procuradores do Mercosul a convite da Procuradoria brasileira. 

"Sim, vou falar da Odebrecht, do caso de corrupção na Venezuela e da minha situação", disse a ex-procuradora, que afirma ter provas de supostos pagamentos ilegais da Odebrecht a integrantes do governo venezuelano, incluindo Maduro.

Horas antes, em Caracas, o presidente venezuelano falou sobre a ex-funcionária, apoiadora do ex-presidente Hugo Chávez mas que rompeu com Maduro em março, após denunciar uma ruptura da ordem constitucional no país caribenho.

"A Venezuela vai solicitar à Interpol um código vermelho a estas pessoas envolvidas em crimes graves", destacou Maduro em coletiva de imprensa.

A advertência do presidente coincidiu com a viagem da ex-procuradora para o Brasil. Ela estava na Colômbia desde a sexta-feira junto com seu marido, procedente de Aruba, driblando a proibição imposta pela alta corte de seu país. 

"Andas com a oligarquia colombiana, com o golpistas brasileiros. Diga-me com quem andas e te direi quem és", acrescentou Maduro, dirigindo-se a Ortega, que foi destituída no dia 5 de agosto pela Assembleia Constituinte que rege a Venezuela com poderes absolutos.

A ex-procuradora saiu de Bogotá um dia depois que o  presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lhe ofereceu asilo. Rumo ao Brasil, ela fez escala no Panamá.

Até o momento, o governo de Michel Temer não se manifestou publicamente sobre a chegada de Ortega.

Não se sabe se a Interpol aceitará o pedido de prisão anunciado por Maduro. Está previsto nos estatutos da polícia internacional que é "rigorosamente proibido intervir em questões ou assuntos de caráter político, militar, religioso ou racial". 

Para Mauricio Santoro, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, há uma mensagem clara nessas viagens de Ortega, primeiro para a Colômbia e agora para o Brasil.

"É algo que ressalta aina mais essa dissonância entre o governo da Venezuela e a maioria dos países vizinhos", avalia Santoro. 



A ira de Caracas

Maduro acusou Ortega de trabalhar "há tempos com os Estados Unidos para prejudicar" seu governo, depois que autoridades americanas descobriram, segundo ele, supostos delitos do parlamentar.

"Os Estados Unidos conseguiram chantagear o ex-deputado Germán Ferrer, o chantagearam porque  descobriram suas contas no mundo inteiro. O quebraram moralmente", afirmou Maduro.

Ferrer  enfrenta uma ordem de prisão sob a acusação de liderar uma rede que extorquia empresários corruptos de dentro da Procuradoria.

O presidente venezuelano também alfinetou Santos, depois que este declarou Ortega, que garante que ela e seu marido sofrem perseguição política,  "sob proteção" de seu governo. 

"Tomara que você se retifique e desça da nuvem de prepotência que tem em Bogotá", disse Maduro, dirigindo-se a seu homólogo colombiano.

O divórcio definitivo ocorreu com a instalação da Assembleia Constituinte, com a qual Maduro pretende mudar a Constituição no âmbito de protestos opositores que deixaram 125 mortos nos últimos quatro meses.

Ortega se opôs à Constituinte, tentando inviabilizá-la com vários recursos judiciais, que foram desestimados. 

A Assembleia Constituinte, eleita em 30 de julho sem a participação da oposição -que a considera uma "fraude"- destituiu Ortega em sua primeira sessão. 

O vínculo com a Odebrecht 

Antes de chegar a Bogotá, a ex-funcionária participou por videoconferência de um encontro de procuradores, realizado na sexta-feira em Puebla, México.

Lá Ortega acusa o presidente Maduro de envolvimento no escândalo de corrupção internacional da empreiteira Odebrecht.

"Temos o detalhe de toda a cooperação, montantes e personagens que enriqueceram e esta investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e seu entorno", disse a ex-funcionária.

No domingo, Maduro contra-atacou. Em entrevista à televisão venezuelana, ele disse que a ex-procuradora bloqueou investigações ordenadas por ele sobre casos de corrupção.

Segundo o chefe de Estado, Ortega alertou as empresas vinculadas ao setor petroleiro que estavam sob suspeita em troca de "milhões de dólares".


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