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Irma perde força no sudeste dos EUA após devastar Florida Keys

Irma agora é considerado 'tempestade tropical'. Ao menos 40 pessoas morreram em decorrência do furacão

Publicado em 12/09/2017, às 06h21

Irma perde força nos EUA / Foto: AFP
Irma perde força nos EUA
Foto: AFP
AFP

A tempestade Irma, que deixou um rastro mortal em Cuba e no Caribe, perdeu força na segunda-feira mas continuava afetando o sudeste dos Estados Unidos, onde provocou "devastação" nas Florida Keys e inundações em Jacksonville, embora o impacto pareça menor que o esperado.

O número de mortos após a passagem de Irma - rebaixado para tempestade tropical após devastar, como furacão, várias ilhas do Caribe - chega a ao menos 40, após os 10 falecidos em Cuba no fim de semana e de outros 27 reportados em várias ilhas caribenhas, aos que se acrescentou, nesta segunda-feira, uma vítima fatal no Haiti. 

Outras duas pessoas morreram em acidentes de trânsito provocados por Irma na Flórida, detalharam as autoridades, após informarem inicialmente três vítimas.

No Caribe, os residentes tentavam voltar à normalidade apesar dos enormes danos de infraestrutura, enquanto os Estados Unidos, França, Holanda e Reino Unido buscavam ajudar seus territórios de ultramar, gravemente afetados. 

Os habitantes da Flórida começaram na segunda-feira a avaliar os danos em suas propriedades, que pareciam inicialmente menores que o esperado. 

O panorama é espetacular, mas não catastrófico, disse à AFP Roberto Cuneo, de 41 anos, morador de Miami Beach que decidiu não deixar sua casa e observou ruas inundadas com até 30 cm de água e palmeiras derrubadas pelo vento.

No extremo sul da Flórida o panorama era muito diferente. O acesso às Keys estava fechado. Após sobrevoar a área, o governador Rick Scott disse que a zona tinha ficado "devastada" e os estacionamentos de trailers destruídos. 

Cerca de 6,5 milhões de pessoas continuavam sem eletricidade na Flórida, apontou.

Em "fase de recuperação"

Irma avançava sobre a Flórida na direção norte-noroeste, com a previsão de um giro para o noroeste na terça-feira. Os ventos tinham diminuído para 85 km/h e se projetava um enfraquecimento contínuo da tempestade até chegar a depressão tropical. 

Segundo os meteorologistas, o olho de Irma continuará se movendo sobre o sudoeste da Geórgia na noite de segunda-feira, e se moverá em direção ao Alabama na terça-feira.

Cerca de 6,3 milhões de pessoas no sudeste dos Estados Unidos foram ordenados a evacuar a zona devido ao furacão, que provocou um dos maiores êxodos da história do país. 



Como estava previsto, Irma atingiu no domingo de manhã as Florida Keys, um conjunto de ilhas ao sul da península, como furacão de categoria 4 (em uma escala de 5), e à tarde voltou a tocar terra em Marco Island (oeste), mas com categoria 2. 

Miami, a maior cidade americana na trajetória do Irma, amanheceu nesta segunda-feira com ramos, escombros e letreiros em suas ruas, especialmente no centro e no distrito financeiro de Brickell, cujo passeio costeiro foi invadido pelas águas.

"Estamos agora em uma fase de recuperação", disse o prefeito de Miami-Dade, Carlos Giménez. "Mas nos salvamos da pior parte da tempestade", acrescentou.

Ajuda internacional

Enquanto os residentes começavam a revisar suas casas, as autoridades advertiram sobre linhas elétricas derrubadas, esgoto sem tratamento e fauna deslocada, como serpentes e jacarés.

Em Bonita Springs, na costa sudoeste da Flórida, duramente impactada pelo Irma, grandes áreas estavam inundadas e a cidade continuava sem energia elétrica. Alguns tentavam chegar às suas casas caminhando com água pela cintura, enquanto outros remavam em canoas. 

O presidente americano, Donald Trump, que prometeu viajar à Flórida "muito em breve", aprovou a declaração de catástrofe natural, que permite desbloquear fundos federais de ajuda aos afetados. 

No entanto, o custo estimado dos danos foi revisado para baixo nesta segunda-feira, de cerca de 100 bilhões de dólares para entre 20 e 40 bilhões, após o furacão mudar de trajetória sem impactar diretamente a rica costa leste da Flórida. 

"Nosso cenário catastrófico não se concretizou", disse o especialista na indústria de seguros Shahid Hamid.

Cuba, fortemente atingida durante 72 horas pelo vento, as chuvas e as marés de tempestade (elevação do mar associada ao fenômeno climático) de Irma, o furacão mais mortífero desde Dennis, em 2005, começou o árduo trabalho de quantificar danos e reabilitar sua danificada infraestrutura de serviços.

O impacto no turismo ainda não foi avaliado, mas a destruição que a tempestade deixou em sua passagem poderia afetar gravemente uma economia que depende em grande medida dos quase três bilhões de dólares que o setor registra por ano.

O Panamá iniciou a distribuição de pelo menos 90 toneladas de ajuda humanitária a Saint Martin - ilha devastada pelo furacão - e Cuba, enquanto a Venezuela - país que enfrenta uma grande crise econômica - enviou 30 toneladas de alimentos, água potável e outros produtos a Cuba e várias ilhas do Caribe afetadas pelo Irma.

O Unicef informou que avalia os danos em Cuba para enviar ajuda o mais rápido possível


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