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Lucía Topolansky: da guerrilha à vice-presidência do Uruguai

Lucía Topolansky tem uma estreita relação com Raúl Sendic, que renunciou à vice-presidência do Uruguai no último sábado (9).

Publicado em 13/09/2017, às 15h19

A senadora Lucia Topolansky e o presidente Tabare Vazquez em 2015 / Foto: AFP/Arquivos
A senadora Lucia Topolansky e o presidente Tabare Vazquez em 2015
Foto: AFP/Arquivos
AFP

Lucía Topolansky tem uma estreita relação com Raúl Sendic, que renunciou à vice-presidência do Uruguai no último sábado (9), abrindo as portas para que a ex-guerrilheira e ex-primeira-dama chegasse ao cargo mais importante de sua carreira política.

Prestes a completar 73 anos, em 25 de setembro, Topolansky assumiu a Presidência da Assembleia Geral no Congresso do Uruguai nesta quarta-feira (13). A instituição a estabelece, assim, como vice-presidente da República, em um país onde esse cargo costuma ser o vínculo entre Executivo e Legislativo.

Seu papel será o de curar as feridas da governista Frente Ampla. Após anos de escândalos ligados a seu agora ex-vice-presidente, a sigla deverá se recompor no Legislativo, tentando não perder a maioria dos votos e a disciplina partidária que lhe permitiu aprovar projetos na contramão da oposição política.

Nascida em Montevidéu, em 1944, Lucía Topolansky está casada com José "Pepe" Mujica. Os dois se conheceram na juventude, quando ela era integrante da guerrilha Movimento de Libertação Nacional MLN-Tupamaros. O casal não teve filhos.

O MLN-Tupamaros atuou no Uruguai desde meados dos anos 1960 até sua derrota militar em 1972, antes do golpe de Estado de Juan María Bordaberry apoiado por militares em 1973.

Na guerrilha, participou de várias ações que os relatos históricos se encarregaram de mostrar como chave para esse grupo. Entre eles, a preparação do assalto a uma financeira e a falsificação de documentos para os guerrilheiros que buscavam se esconder.

Estudou Arquitetura, mas não concluiu o curso. Disputou, sem sucesso, a prefeitura de Montevidéu pelo setor político liderado pelo marido, o Movimento de Participação Popular, em 2015.

É senadora e antes foi deputada. Também chegou a ocupar brevemente a Presidência da República, quando presidente e vice-presidente estiveram ausentes por viagem durante o governo anterior presidido por Mujica (2010-2014).

Seu "nome de guerra" nos 1960 era "La tronca". Foi presa várias vezes, fugiu e voltou a ser detida pela última vez em 1972. Recuperou a liberdade com o fim da ditadura e o retorno da democracia no país em 1985.



Desde então, optou pela militância política tradicional e se incorporou em 1989, com alguns de seus companheiros da extinta guerrilha, à esquerdista Frente Ampla. Esta integra hoje o Movimento de Participação Popular, a corrente com mais votos dentro do partido governista que, com a saída de Sendic, reforça-se com mais uma cadeira no Senado.

Circunstâncias difíceis

De fala pausada e declarações muitas vezes polêmicas, Topolansky será a primeira mulher a ocupar a Vice-Presidência do Uruguai.

E irá fazê-lo em uma circunstância que dificilmente imaginou: após a renúncia ao cargo do filho do fundador e principal referência dos Tupamaros, Raúl Sendic (pai), um afilhado político do casal Mujica-Topolansky.

Sendic deixou o cargo, desabonado por seu próprio partido, por ter tido "um modo de proceder inaceitável na utilização de recursos públicos" com cartões corporativos oficiais, quando esteve à frente da petroleira estatal Ancap.

Além disso, admitiu - embora tenha negado depois - não ter um título de "licenciatura em Genética Humana" obtido em Cuba, com o qual se apresentou por mais de uma década. Essa história minou sua credibilidade perante a opinião pública.

Topolansky chegou a dizer que viu o diploma de Sendic, o que lhe valeu inúmeras críticas, em especial nas últimas horas.

Em declarações à Rádio El Espectador, a ex-primeira-dama mostrou sua consternação com o episódio de Sendic, que agora deverá enfrentar a Justiça.

"Para mim, é uma situação difícil. Iniciar neste cargo, porque o companheiro teve que renunciar em tais circunstâncias (...) Não é agradável", declarou, visivelmente abalada.

Lucía e Mujica vivem em uma pequena propriedade rural nos arredores de Montevidéu, um sítio que se tornou famoso pelas várias entrevistas dadas pelo veterano político a jornais do mundo todo desde que se tornou presidente.

Topolansky acompanhará Tabaré Vázquez até 2020. Ele assumiu seu segundo mandato em 2015. O primeiro foi de 2005 a 2010.


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