Jornal do Commercio
Brasil

Itália quer extradição de Cesare Battisti

Governo italiano confirmou a vontade de obter do Brasil a extradição do ex-militante de extrema-esquerda que foi condenado à prisão perpétua na Itália

Publicado em 06/10/2017, às 00h04

Battisti foi preso na fronteira do Brasil com a Bolívia / Foto: Antonio Scorza/AFP
Battisti foi preso na fronteira do Brasil com a Bolívia
Foto: Antonio Scorza/AFP
AFP

O governo italiano confirmou, nesta quinta-feira (5), sua vontade de obter do Brasil a extradição do ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália e detido ontem na fronteira brasileira com a Bolívia.

Battisti teve a "prisão preventiva decretada" pelo juiz federal do Mato Grosso do Sul Odilon de Oliveira, após ser ouvido por videoconferência a partir de Corumbá, nesta quinta-feira.

"O juiz acredita que, por medo de ser extraditado, o italiano tentou sair do Brasil, já que o governo da Itália insiste em sua extradição", revelou um comunicado da justiça federal de Mato Grosso do Sul.

"Seus antecedentes, gravíssimos, impõem o decreto de sua prisão preventiva", acrescentou.

A Itália pede há anos a extradição do militante, condenado por assassinatos e símbolo dos "anos de chumbo" e dos grupos armados italianos.

"Hoje trabalhamos com o embaixador (italiano no Brasil, Antonio) Bernardini para trazer Battisti para a Itália e entregá-lo à Justiça. Continuamos trabalhando com as autoridades brasileiras", declarou o ministro italiano das Relações Exteriores, Angelino Alfano.

Ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti, hoje com 62 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios ocorridos na década de 1970 e fugiu para o Brasil em 2004, onde viveu na clandestinidade. Foi detido no Rio de Janeiro em 2007.

Dois anos depois, a pedido de Roma, o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição, que foi negada em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Desde 2007, Battisti ficou detido por quatro anos antes de ser posto em liberdade em junho de 2011.

O último pedido de extradição por parte da Itália foi em 25 de setembro e, segundo a imprensa italiana, o presidente Michel Temer teria-se mostrado favorável, o que pode ter motivado a "tentativa de fuga" de Battisti para a Bolívia.

O italiano foi preso ontem em Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia, levando 6.000 dólares e 1.300 euros sem declarar em uma abordagem de rotina. Ele é suspeito de cometer crime de evasão de divisas.

'Doutrina Mitterrand'

Em junho de 1979, Battisti foi preso em Milão como parte da investigação de um dos assassinatos. Acabou condenado a 12 anos de prisão por participar de um grupo armado, mas escapou da prisão de Frosinone, perto de Roma. Fugiu para a França e, depois, para o México, antes de retornar para a França.

Em território francês, beneficiou-se do compromisso do então presidente, o socialista François Mitterrand, de não extraditar qualquer militante de extrema esquerda que tivesse renunciado à luta armada. Uma posição conhecida como "Doutrina Mitterrand".

Após sua conversão a escritor de livros policiais, Battisti deixou a França em 2004 diante da perspectiva de ser extraditado para a Itália. O então presidente francês, o conservador Jacques Chirac, era a favor dessa medida.

Na época, Battisti se beneficiou do apoio de personalidades e intelectuais, como o romancista Fred Vargas, o filósofo francês Bernard-Henri Lévy e o abade Pierre.

Dessa forma, conseguiu fugir para o Brasil com uma falsa identidade e, segundo ele, com a ajuda dos serviços secretos franceses.

"O que eu quero?", dizia naquela época, "uma reconciliação com o povo italiano. É necessária uma anistia, outros países fizeram isso".

Em 2015, Battisti se casou com uma brasileira no estado de São Paulo.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

JC recall de marcas 2017 JC recall de marcas 2017
Conheça o ranking das marcas que têm conseguido se manter no topo da preferência dos pernambucanos. O rol é resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Harrop, há duas décadas parceiro do Jornal do Commercio na realização da premiação
10 anos do IJCPM 10 anos do IJCPM
O Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM) comemora 10 anos de história, contribuindo para transformar a vida de jovens de comunidades com histórico de desigualdade social nas cidades de Recife, Salvador, Fortaleza e Aracaju
Chapecoense: um ano de saudade Chapecoense: um ano de saudade
Um ano de saudade. Foi isso que restou. A maior tragédia do esporte mundial, no dia 29 de novembro de 2016, quando houve o acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, em Medellín, na Colômbia, fez 71 vítimas. Entre elas, dois pernambucanos

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM