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JERUSALÉM

Jerusalém: querida para os muçulmanos, mas símbolo de seu fracasso

A cidade tornou-se fonte de revolta e ressentimento entre os muçulmanos

Publicado em 07/12/2017, às 13h01

Na literatura árabe nacionalista e islâmica, na poesia e na música, Jerusalém tornou-se um símbolo de derrota coletiva / Foto: AFP
Na literatura árabe nacionalista e islâmica, na poesia e na música, Jerusalém tornou-se um símbolo de derrota coletiva
Foto: AFP
AFP

Jerusalém, ou Al Quds em árabe, cidade querida pelos muçulmanos, tornou-se fonte de revolta e um símbolo da derrota para aqueles que, antes, voltavam-se a ela para orar.

Um dia após o reconhecimento pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de Jerusalém como a capital de Israel, a cidade volta a ser a causa de uma nova onda de ressentimento em todo o mundo muçulmano.

Várias vezes capturada, perdida e recuperada pelos exércitos muçulmanos ao longo dos séculos, a cidade é vista como um símbolo de união para os muçulmanos.

Os cruzados cristãos se apoderaram da localidade no século XI para torná-lo a capital do seu "Reino de Jerusalém". Quase um século depois, os exércitos de Saladino (Salaheddine) recuperaram a cidade.

Outros exércitos muçulmanos, os mamelucos, e depois os turcos otomanos controlaram a cidade. Esses últimos permaneceram no poder  por quatro séculos, adormecendo qualquer sonho de unidade árabe.

Foram os britânicos que, em 1917, assumiram o controle da cidade, reascendendo o nacionalismo árabe contra o inimigo turco e dividindo a comunidade muçulmana.

Em seguida, a criação do Estado de Israel em 1948 alterou radicalmente a situação: o inimigo comum passou a ser o Estado hebreu.



Neste contexto, a perda de Jerusalém Ocidental durante a guerra de 1948 contra Israel e a parte Oriental da cidade em 1967 constituíram graves afrontas ao pan-arabismo e ao mundo muçulmano em geral.

Na literatura árabe nacionalista e islâmica, na poesia e na música, Jerusalém tornou-se um símbolo de derrota coletiva.

 'Esposa de seu arabismo' 

"Jerusalém é a esposa de seu arabismo", escreveu o poeta comunista iraquiano Muzzafar al-Nawab. "Então, por que permitiu que todos esses fornicadores da noite entrassem em seu quarto?" Você se sentou atrás da porta ouvindo seus gritos", continua o poeta.

É preciso voltar às origens do Islã, e mesmo antes, para entender essa paixão, especialmente entre árabes e muçulmanos em geral, em relação a Jerusalém.

Se o Corão não menciona seu nome, aparece em textos religiosos como sendo o local da Mesquita Al-Aqsa, de onde o profeta Maomé subiu ao céu para encontrar os profetas antigos, incluindo Moisés, e aproximar-se de Deus.

Durante a vida de Maomé, os muçulmanos se voltavam para Jerusalém para orar antes de se voltarem para Kabaa em Meca.

Mas a cidade manteve sua santidade para os muçulmanos, mesmo vindo em terceiro lugar atrás de Meca e Medina.

Está perto do local do templo do rei Salomão, reverenciado como um grande profeta pelos muçulmanos, que foi construído no século 7, por Omar ibn al-Khattab, o segundo califa, a mesquita Al-Aqsa.

Hoje, este complexo histórico do Monte do Templo é também o local mais sagrado dos judeus. Para os cristãos, é o Santo Sepulcro, onde está o túmulo de Cristo, o que a torna uma cidade santa.


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