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CATALUNHA

Adiada posse de Puigdemont como presidente da Catalunha

O presidente do Parlamento da Catalunha afirmou que Puigdemont tem 'todo direito de ser empossado', mesmo sendo processado pelo governo espanhol

Publicado em 30/01/2018, às 11h43

Nas eleições antecipadas, os separatistas voltaram a obter uma maioria absoluta no Parlamento e, agora, querem devolver o poder a Puigdemont / Foto: AFP
Nas eleições antecipadas, os separatistas voltaram a obter uma maioria absoluta no Parlamento e, agora, querem devolver o poder a Puigdemont
Foto: AFP
AFP

Sob pressão judicial, o presidente do Parlamento da Catalunha, Roger Torrent, adiou indefinidamente a sessão que seria realizada nesta terça-feira (30) para empossar Carles Puigdemont como presidente regional.

Apesar deste adiamento, Torrent reiterou que o líder separatista continua a ser o único candidato para ocupar o cargo.

A poucas horas do início da sessão de posse na Câmara Regional em Barcelona, Torrent anunciou seu adiamento até que seja assegurado um "debate efetivo e com garantias", dada a situação judicial de Puigdemont.

Neste momento, não há, porém, "nenhum outro candidato", ressaltou o presidente do Parlamento regional.

Puigdemont está sendo processado na Espanha por rebelião e sedição e, apesar disso, "tem todo o direito de ser empossado", segundo Torrent.

Em Bruxelas desde a fracassada declaração unilateral de independência da Catalunha em 27 de outubro, Puigdemont pediu a Torrent que adotasse todas "as medidas necessárias" para permitir sua posse.

Mas ninguém sabe se o líder separatista viajará até a capital catalã, sob risco de detenção pelas acusações que pesam contra ele.

Mobilização

Os partidários do movimento de independência foram convocados para manifestações no centro de Barcelona e, depois, nos arredores da Câmara.

As organizações secessionistas pediram aos participantes que usem máscaras de Puigdemont, com a intenção de lotar as ruas com o rosto de seu líder.

Já Madri organizou uma operação especial para evitar sua entrada escondido no país.

Os juízes proibiram uma posse de Puigdemont a distância, o que o obriga a pedir permissão pessoalmente ao juiz que coordena o processo contra os principais nomes do independentismo catalão, para conseguir comparecer à Câmara.

O próprio Puigdemont recorreu contra a decisão. O Tribunal Constitucional se reúne nesta terça-feira para tomar uma decisão a respeito.



Aumentando a pressão antes de Torrent se pronunciar, o chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy, advertiu hoje que permitir uma investidura a distância de Puigdemont traria "responsabilidades por violar uma decisão judicial".

"Não se pode ser um foragido da Justiça, residir em Bruxelas e pretender ser eleito presidente de uma instituição democrática", disse Rajoy à televisão pública TVE.

Depois de conhecer a decisão de Torrent, a sigla Juntos pela Catalunha, a formação política de Puigdemont, disse não ter sido consultada e considerou que "as condições políticas estão dadas para realizar a sessão de posse hoje", de acordo com fontes parlamentares.

O empenho dos separatistas de empossar Puigdemont ameaça mergulhar a Espanha novamente em uma crise como a vivida no ano passado, a pior em décadas.

Após semanas de tensão e de um referendo de autodeterminação realizado apesar da proibição da Justiça, o Parlamento catalão declarou a independência da região, que acabou por não se materializar.

Horas depois, Madri interveio na autonomia regional, destituiu seu Executivo e convocou novas eleições, para 21 de dezembro, na esperança de acalmar a situação.

Nas eleições antecipadas, os separatistas voltaram a obter uma maioria absoluta no Parlamento e, agora, querem devolver o poder a Puigdemont.

"Não aceitaremos ingerências sobre um Parlamento democrático que tem o direito e o dever de empossar o presidente que reúne maior apoio. Neste sentido, serei muito claro: nem a vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaría nem o Tribunal Constitucional decidirão quem será o presidente da Generalitat (Executivo catalão)", ressaltou Torrent.


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