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Igreja Católica

Papa Francisco causou surpresa pela escolha do nome e pelas atitudes

Com gestos e palavras, o Papa Francisco vem confirmando há cinco anos sua missão na defesa de uma Igreja Católica que agrega

Publicado em 13/03/2018, às 06h06

Um legado muito grande que o Papa vai deixar é de agrupamento de novos católicos e também de separação, afirma o historiador da UFPE Severino Vicente da Silva / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Um legado muito grande que o Papa vai deixar é de agrupamento de novos católicos e também de separação, afirma o historiador da UFPE Severino Vicente da Silva
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Ele era um jesuíta desconhecido quando foi eleito para suceder o Papa Bento 16 há cinco anos e surpreendeu o mundo com a escolha do nome. “O nome do Papa Francisco já diz a que ele veio”, declara padre Tiago Thorlby, escocês radicado no Recife e integrante da Comissão Pastoral da Terra.

“Pela escolha do nome a gente percebeu que era uma pessoa diferenciada. Ao assumir a postura de uma igreja pobre, voltada para o interesse dos pequenos, isso foi uma surpresa muito grande. E ele vem confirmando isso a cada dia, com gestos e palavras”, completa o arcebispo dom Fernando Saburido.

O nome do Papa, diz o historiador Severino Vicente da Silva, da UFPE, remete a três Franciscos. “Ele é o Francisco de Assis, da bondade, voltado para os bens universais coletivos. A mensagem do Papa Francisco ultrapassa os limites do catolicismo tradicional”, afirma o professor.

Mas ele é também o Francisco Xavier, jesuíta e missionário do século 16, que visitou o Oriente à procura de uma maneira não europeia de conversar sobre a mensagem cristã, informa o professor. “O Papa é um missionário que quer conversar com aqueles que não são europeus, que não são cristãos. E está abrindo veredas para a aceitação dos não católicos, numa linguagem de compreensão do outro e não de enfrentamento”, diz Severino Vicente.



E é o Francisco de Sales, bispo de Genebra na época da Reforma Protestante. “Francisco de Sales organiza os católicos de Genebra e das cidades circundantes. O Papa Francisco tem essa capacidade de perceber e administrar os problemas da comunidade. Ele é o missionário neste mundo em crise, aberto para as adversidades do mundo contemporâneo”, diz o historiador.

Falando para o mundo

O Papa que não impõe sua vontade, diz Severino Vicente, fala para o mundo e não só para os católicos. Por isso católicos e não católicos compartilham mensagens com orientações do Papa Francisco via WhatsApp.

“Acho que ele é um homem muito seguro, com clareza de que não está para agradar grupo A ou B. Ele tem uma missão, é um homem de profunda espiritualidade, e vai fazendo aquilo que a consciência dele manda”, diz o teólogo da Unicap Sérgio Vasconcelos.


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