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ACORDO NUCLEAR

Presidentes da UE acertam posição comum para salvar acordo com Irã

União Europeia irá apoiar Teerã desde que os compromissos sejam cumpridos, embora haja preocupações do Trump

Publicado em 16/05/2018, às 21h40

A posição dos presidentes, após um jantar de trabalho de quatro horas em Sófia, também marca o início
A posição dos presidentes, após um jantar de trabalho de quatro horas em Sófia, também marca o início "dos trabalhos para proteger as empresas europeias afetadas negativamente pela decisão dos Estados Unidos"
Foto: Stoyan Nenov/ POOL / AFP
AFP

Os presidentes dos países-membros da União Europeia acordaram nesta quarta-feira uma "posição unitária" para salvar o acordo nuclear com o Irã, que vão apoiar enquanto Teerã cumprir seus compromissos, embora tenham reconhecido algumas das preocupações expressas pelo presidente americano, Donald Trump, segundo uma fonte europeia.

A posição dos presidentes, após um jantar de trabalho de quatro horas em Sófia, também marca o início "dos trabalhos para proteger as empresas europeias afetadas negativamente pela decisão dos Estados Unidos" de sair do acordo nuclear e voltar a impor sanções ao Irã, acrescentou a fonte à AFP.

Os 28 se comprometeram a apoiar o acordo firmado em 2015, pelo qual Teerã suspendeu seu programa nuclear até 2025 em troca da suspensão das sanções internacionais, "enquanto o Irã respeitar o tratado".

Os líderes se comprometeram a abordar a questão do papel do Irã no Oriente Médio, assim como o "programa (iraniano) de mísseis balísticos" e o cenário a partir de 2025, algumas das preocupações que levaram  Trump a abandonar o pacto.

O grupo concordou em trabalhar "para proteger as empresas europeias afetadas negativamente pela decisão dos Estados Unidos" de abandonar o acordo com Teerã, acrescentou a mesma fonte.

Antes do jantar, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, criticou a decisão de Trump declarando que "somos testemunhas hoje de um novo fenômeno, a atitude caprichosa da administração americana".

"Quando observamos as últimas decisões do presidente Trump, podemos dizer que com estes amigos não precisamos de inimigos", declarou o ex-premier polonês, que coordena as cúpulas entre chefes de Estado e de governo da União Europeia.



Este acordo "é de uma importância primordial para a paz", advertiu o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, enquanto Tusk foi direto: "enquanto o Irã fizer a sua parte a EU também o fará".

A primeira-ministra britânica, Theresa May, confirmou o "compromisso" do Reino Unido em fazer respeitar o acordo enquanto Teerã cumprir a sua parte.

Sobre o comércio, os 28 declararam seu apoio à Comissão Europeia nas conversações em curso com Washington para se evitar a imposição de tarifas de 25% sobre as exportações de aço e de 10% sobre as do alumínio vendido aos Estados Unidos, que podem ser aplicadas a partir de 31 de maio.

Caso os Estados Unidos aceitem conceder uma "isenção permanente" à UE sobre o aço e o alumínio, os 28 estão dispostos a "aprofundar" as relações energéticas, especialmente em relação ao gás liquefeito, e "melhorar" o acesso recíproco ao mercado dos produtos industriais, entre eles os automóveis.

Os europeus se abririam também, neste cenário, a trabalhar na reforma da Organização Mundial do Comércio com "soluções aceitáveis para as duas partes", com o objetivo final de se "evitar uma guerra comercial" entre UE e Estados Unidos, segundo a fonte.

O encontro desta noite foi um prelúdio para uma reunião de cúpula programada para quinta-feira entre os líderes europeus e os dos Bálcãs Ocidentais (Albânia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia e Kosovo) para reafirmar seus laços com esta região, em face da influência russa.


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