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MEIO AMBIENTE

ONU pede que América Latina aposte no transporte elétrico

Com o aumento da frota de veículos, a situação ambiental na América Latina vai piorar

Publicado em 10/08/2018, às 15h39

Caso frota atual de ônibus e táxis de 22 cidades latino-americanas fosse substituída por veículos elétricos, se economizaria quase 64 bilhões de dólares / Foto: SMCS/ Fotos Públicas
Caso frota atual de ônibus e táxis de 22 cidades latino-americanas fosse substituída por veículos elétricos, se economizaria quase 64 bilhões de dólares
Foto: SMCS/ Fotos Públicas
AFP

A situação ambiental na América Latina vai piorar nos próximos anos devido ao aumento da frota de veículos, a menos que os governos da região aumentem sua aposta nos carros elétricos, alertou o diretor regional das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

"Estamos sofrendo uma poluição atmosférica muito forte nas cidades da América Latina e Caribe" e este problema "vai se intensificar de forma drástica", disse à AFP Leo Heileman.

A organização alertou nesta semana que a frota de veículos "está se expandindo mais rápido que em qualquer outra zona do mundo e poderia triplicar nos próximos 25 anos", o que produziria "um colapso das infraestruturas" e um "aumento proporcional de emissões poluentes".

Inclusive, estaria em risco o acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, para limitar o aumento da temperatura.

"Se não fizermos políticas para a mobilidade elétrica, vai ser mais difícil atingir essas metas" de Paris, indicou Heileman.

Para evitar este dramático cenário, a ONU considera imprescindível apostar no transporte elétrico, tanto público como privado.

 "Há interesse" 

Estudos apontam que se a frota atual de ônibus e táxis de 22 cidades latino-americanas fosse substituída imediatamente por veículos elétricos, se economizaria quase 64 bilhões de dólares em combustível até 2030.

Além disso, se reduziria 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente e se evitaria a morte prematura de 36.500 pessoas. 

"É importante o transporte elétrico em massa. Isso é essencial para reduzir o problema. O outro ponto é ajustar a forma em que podemos trabalhar à distância para reduzir a demanda de transporte", afirmou Heileman.



No mundo circulam 3 milhões de automóveis elétricos de passageiros, o dobro que em 2016, e até 2040 se espera que 55% dos novos veículos vendidos sejam elétricos.

Enquanto isso, na América Latina, Medellín (Colômbia) prepara a implementação de 1.500 táxis elétricos para 2020, e o Chile aspira a ter mais de 2.000 ônibus elétricos em 2025. 

Além disso, o Uruguai construiu estações de recarga elétrica em 300 km de suas principais estradas turísticas, o que constitui a primeira rota regional dessa classe, e exonerou de taxas de importação os veículos elétricos de uso comercial.

A Argentina baixou as tarifas para este tipo de carros, de 35% a 2%, e no México duas empresas adiantaram projetos para fabricar estes veículos. 

Na América Central, Costa Rica lidera, segundo a ONU, os planos para a transformação do sistema de transporte, enquanto o Panamá acaba de apresentar seu primeiro ônibus elétrico. 

"Há muito interesse (dos governos), mas um problema grave é o financiamento", de modo que são necessárias alianças entre os setores público e privado para impulsar medidas, indicou Heileman.

 Mudança será lenta 

Estima-se que até 2050 a frota de automóveis chegará a 200 milhões de unidades na América Latina.

Isto implicará um aumento na demanda de combustíveis e nas emissões de gases que causam o aquecimento global.

No entanto, especialistas descartam que a substituição dos veículos convencionais ocorra no curto prazo pelo alto custo dos veículos elétricos, embora Gustavo Máñez, da ONU Meio Ambiente, considera que há boas razões para mudar. 

"Quase todo mundo na região tem acesso a tomadas em casa ou no trabalho, e considerando que os veículos estão estacionados mais de 90% do tempo, poderiam ser carregados quase em todos os lugares a um custo quase 10 vezes menor que o dos combustíveis fósseis", disse.


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