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Número dois da Uber deixa a companhia, que avalia mudanças na direção

Executivo deixa Uber em meios às acusações de machismo e abuso sexual

Publicado em 12/06/2017, às 18h41

Executivo da Uber deixa companhia / Foto: Arnaldo Carvalho/ JC Imagem
Executivo da Uber deixa companhia
Foto: Arnaldo Carvalho/ JC Imagem
AFP

O número dois da Uber Emil Michael deixou o cargo na empresa, segundo fontes próximas ao caso. A multinacional passa por uma reforma da direção em meio a acusações de machismo e abuso sexual. 

"Ontem (domingo) foi meu último dia na Uber", escreveu Emil Michael em uma mensagem dirigida a funcionários que foi publicada pelo jornal New York Times. Na terça-feira a companhia deve publicar uma série de recomendações para enfrentar os escândalos pelo qual tem passado. 

Fontes próximas ao caso confirmaram essa informação à AFP, assim como a nomeação no conselho de administração de um diretor da Nestlé, Wan Ling Martello, como havia anunciado o Wall Street Journal.

Emil Michael, próximo ao controverso presidente da Uber, Travis Kalanick, é acusado de ser responsável pela cultura  agressiva e machista imposta na empresa e denunciada pelos trabalhadores.

A multinacional de transporte privado de passageiros contempla uma reforma da direção que inclui a eventual substituição de seu presidente executivo, e se dispõe a publicar na terça-feira os resultados de uma investigação independente sobre má conduta e práticas éticas.

A Uber lançará o relatório, preparado pelo ex-procurador-geral americano, Eric Holder, nesta terça-feira, segundo fontes próximas ao caso.

O conselho da Uber se reuniu neste domingo com Holder e o consultor Tammy Albarran para discutir os resultados e "votaram por unanimidade em adotar todas as recomendações" do relatório, segundo a mesma fonte.

As recomendações não foram imediatamente divulgadas, mas a Uber se encontra sob pressão para conter o estilo de gestão sem limitações de seu presidente Travis Kalanick, e reformar uma cultura do trabalho criticada por discriminação e por práticas impiedosas.

A Uber também é questionada sobre o uso de programas de evasão de regulações e por táticas aparentemente voltadas a desestabilizar seus rivais. 



O conselho está considerando a proposta de manter Kalanick afastado durante alguns meses com uma "licença".

 Hora da verdade

"Podemos dizer que esta semana será a semana em que finalmente saberemos o quanto estão comprometidos Travis Kalanick e o resto do grupo de diretores da Uber com uma mudança cultural significativa", disse Jan Dawson, analista da firma Jackdaw Research.

Este relatório chega depois de uma série de revelações comprometedoras para a companhia nos últimos meses.

Na última terça-feira a companhia informou sobre a demissão de 20 funcionários, depois de 215 queixas na empresa sobre abuso sexual e discriminação. 

O diretor técnico do grupo, Amit Singhal, foi forçado a renunciar após ocultar a queixa por abuso sexual que lhe foi dirigida pela Google. Outro funcionário, Jeff Jones, deixou a empresa em março, seis meses depois de ter sido contratado, por descordar sobre a estratégia do grupo.

Em fevereiro, a Waymo, filial da Alphabet (Google) encarregada do desenvolvimento de carros autônomos, acusou um de seus ex-diretores, Anthony Levandowski, de ter roubado informação técnica ao se separar da empresa para fundar sua própria companhia, Otto, posteriormente adquirida pela Uber. 

A Uber anunciou no final de maior que havia despedido Levandowski, acusando-o de não querer cooperar com a investigação que foi aberta como resultado deste litígio.

Ainda neste âmbito legal, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação penal contra a Uber, suspeita de ter utilizado um software para que seus motoristas evitem ser detectados pelas autoridades nas áreas onde seus carros não podem trabalhar. 

Presente em 500 cidades no mundo, a Uber enfrenta frequentemente problemas legais com seus motoristas (mal remunerados em Nova York), com os táxis (na Argentina, na França, na Polônia, na Espanha, no Brasil entre outros países) e com as autoridades. 

E maio, o Tribunal de Justiça da União Europeia afirmou que a companhia precisa ser licenciada e ter autorizações, como os táxis regulares, para poder funcionar. 

Com um modelo de negócios bastante questionado, a Uber, que começou em 2010, não opera na Bolsa, mas é avaliada em 70 bilhões de dólares, com base na captação de fundos realizada entre os investidores.  


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