Jornal do Commercio
Artigo

Inovação, trabalho e austeridade: o tripé necessário

Mensagem de ano-novo de João Carlos Paes Mendonça aposta nesses valores para a redenção do país

Publicado em 31/12/2014, às 20h00

"Nosso país precisa urgentemente de um choque de gestão", diz João Carlos

Foto: Heudes Régis/JC Imagem

João Carlos Paes Mendonça
Presidente do Grupo JCPM e do SJCC

Não sou um estranho ao povo de Pernambuco. Tenho, com essa brava gente, uma convivência que se conta em décadas, quando fui absorvendo, dia a dia, o seu modo de ser e de pensar, descobrindo o quanto os sonhos dessa gente são também os meus – porque nos unimos numa utopia de vida que abomina a opressão e as injustiças, além de, fugindo de todas as iniquidades, buscarmos reter conosco as oportunidades que a vida coloca à nossa frente.

Porque não sou um estranho ao povo de Pernambuco é que, anualmente, no primeiro dia de janeiro, venho, já faz tempo, elencando alguns temas e outras ideias sobre as quais creio que juntos podemos refletir. Dúvidas e incertezas, sonhos e angústias, temores e percepções fazem parte da vida de quem tem algum tipo de compromisso moral e social – para que todos sejam merecedores de “uma segunda oportunidade sobre a terra”, expressão do escritor colombiano Gabriel García Márquez.

Pois bem: tivemos um ano tumultuado e revolto neste 2014 que acaba. Se antes já havíamos externado a nossa preocupação com a degradação de valores morais que sepultam os destinos de uma nação, a grave e longeva crise que se abateu sobre a Petrobras escancarou a dimensão das relações espúrias entre a estatal e algumas das maiores empreiteiras do país, todas atoladas num lamaçal de denúncias que a história não apagará. Chantagem, sobrepreços, corrupção ativa e passiva, desvio de milhões de dólares com a cumplicidade e participação de diretores – eis aí um mar de lama talvez ainda mais sujo e vergonhoso do que o chamado “mensalão” que, pelo menos, mandou para a cadeia antigos figurões de prestígio da República. Tivemos eleições gerais, reelegemos a presidente Dilma Rousseff por uma margem pequena de votos, perdemos o ex-governador Eduardo Campos num trágico acidente aéreo – logo ele que chegava na política nacional como uma esperança de renovação, colocamos no Governo de Pernambuco o ex-secretário Paulo Câmara. Nas idas e vindas de nossa realidade, sentimos que muitos projetos anunciados deixaram de ser executados, outros ficaram pela metade, uns poucos foram concluídos. Suape já não é o mesmo canteiro de obras que foi nos anos passados. No plano nacional, a realidade mostrou os equívocos de nossa política econômica – a carência de um projeto, a improvisação, os remendos, a eterna corrida para recuperar o tempo perdido. É possível que com os novos condutores de nossa economia, consigamos, enfim, ter um projeto para o país capaz de retomar o crescimento e trazer para a meta os índices da inflação. Porque – ninguém se iluda – o nosso país precisa urgentemente de um choque de gestão, de menos politicagem, do fim da intervenção estatal na economia. Tenho, por formação, ojeriza à burocracia. Perdemos tempo, talento e dinheiro com o emaranhado burocrático que permeia a vida pública brasileira, garantindo emprego para quem não merece e atrapalhando a vida de quem trabalha. E me pergunto: Até quando a sociedade brasileira aceitará e conviverá com essa distorção?

TRIPÉ

Não tenho dúvidas de que o caminho de nossa redenção contempla um tripé formado por inovação, trabalho e austeridade. E falo com conhecimento de causa: são esses os princípios que já adotávamos desde há muito e que replicamos no ano que passou, o que permitiu ao nosso Grupo JCPM registrar mais algumas conquistas no campo de atividades onde atua.

Em outubro passado, inauguramos, no Ceará, o RioMar Fortaleza, “irmão-caçula” do RioMar Recife, hoje uma realidade consolidada na capital pernambucana e um dos mais belos centros de compras do continente. Ainda em Fortaleza, está em construção o RioMar Presidente Kennedy, que deverá ficar pronto em 2016. Vamos ampliar nossos shoppings em Salvador e Aracaju – iniciar nossa produção de vinhos na região do Douro, em Portugal, atividade que se apresenta muito mais como um hobby do que mesmo como uma realidade empresarial. Estamos atentos às transformações vividas no mercado da comunicação, com o surgimento de novas mídias e avanços tecnológicos inimagináveis há uma década – e pretendemos manter, no nosso Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, o protagonismo que sempre nos caracterizou. Carrego o orgulho de realizar um trabalho social através do Instituto JCPM, onde mais de 8 mil jovens, moradores de Brasília Teimosa e Pina, no entorno do RioMar, foram treinados para o mercado ao longo dos últimos sete anos. Era uma população em situação de risco, tentada pelo tráfico, algumas vezes por usuários de drogas – a quem foi dado o direito humano e legítimo de construir um futuro honrado e decente. Situação que foi parcialmente revertida, mas que ainda é carente de uma forte presença dos governos municipal e estadual. A recuperação social e realização profissional desses jovens, estampadas no rosto de todos e de cada um, é a melhor recompensa pelo trabalho realizado. Na pequena e querida Serra do Machado, interior de Sergipe, berço dos meus pais e de minha família, segue forte e atuante a Fundação Pedro Paes Mendonça, luz e sombra para os quase 2 mil moradores da localidade. Além do abrigo para idosos – alguns dos quais já viraram a quota dos 100 anos – a Fundação mantém uma escola com 290 alunos em tempo integral e atende a todo o povoado com serviços médicos e odontológicos, incentivo ao empreendedorismo, programa habitacional, etc, num trabalho social cuja dimensão é reconhecida muito além de suas fronteiras. É um trabalho realizado pelo compromisso social que tenho e na esperança de estimular outras pessoas a seguirem o mesmo caminho; deixar de esperar apenas pelas iniciativas governamentais e fazer algo para reduzir as disparidades sociais existentes no Brasil.

Portanto, meus amigos, aquele projeto que começou pequeno, e que parecia uma utopia – é uma realidade que pulsa e vibra, que deu àquela comunidade o direito de testemunhar que o amor e fraternidade serão sempre possíveis, e que nas noites mais escuras de nossa vida há sempre lá no fundo a luz da esperança. Para todos vocês, pernambucanos e nordestinos como eu, os melhores votos de um ano venturoso e produtivo.


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