Jornal do Commercio
Música

Não tem mais São João de volta

"A festa é de Prefeituras e produtores. Quanto mais palcos e artistas, melhor"

Publicado em 19/06/2017, às 11h37

"O São João tradicional existe apenas nos comerciais que se divulgam pela TV ou Rádio"
Foto: JC Imagem
José Teles

Num debate de que participei, na Rádio Jornal, no programa do meu amigo Ednaldo Santos,. sexta-feira, com Xico Bizerra e Anselmo Alves, confessei meu pessimismo sobre mudanças no formato adotado para os festejos juninos no Nordeste. Assim como o Carnaval, não tem mais volta o São João. Aliás, como de resto, quase todas as festas populares. É uma equação de fácil resolução. O povo é só público. A festa é de Prefeituras e produtores. Quanto mais palcos e artistas, melhor. Por isso são criados polos descentralizados, anunciados como se fossem um presente para o coitadinho que mora longe e, portanto, não tem acesso ao artista famoso.

A descentralização apenas apressa o fim das manifestações populares que ainda existiam porque estavam distante dos palcos. Se o povo da zona rural ou da periferia não vai aos palcos, levam-se os palcos a ele. Em lugar de incentivar a continuidade do tipo de festa que se fazia no local, promove-se a inserção destes "atrasados" na cultura "muderna" de palco e plateia.
O modelo, que foi disseminado, Nordeste afora, para os festejos juninos, é uma bastardização cultural mais grave do que a que se faz no Carnaval. Na região, a folia de Momo acontece, basicamente, em Salvador, no Recife e em Olinda. Enquanto o São João é festejado em centenas de municípios. Em todos os estados.

VER O SHOW

Acho que não tem volta, tanto São João quanto Carnaval. Pelo menos duas gerações cresceram indo ver a festa, e não brincar na festa. Não a entendem de outra maneira. Os secretários de cultura não assumem o cargo esboçando uma política cultural que possa ser continuada. Pensam nas atrações que serão contratadas para o próximo São João.



O São João tradicional existe apenas nos comerciais que se divulgam pela TV ou Rádio. Todos eles têm como música de fundo, o forró tradicional. Raros são os municípios que apresentam peças promocionais anunciando o que contrataram como atrações para o palco principal, Luan Santana, Jorge e Mateus, Wesley Safadão, e similares, todos pagos regiamente, e sem atraso. Estes nem são convidados para o coquetel de lançamento do "São João Monumental" de determinada cidade. Só chegam na hora do show.

O São João não tem mais volta também porque os forrozeiros acomodaram-se no papel de convidados da própria festa. Aceitam o papel de coadjuvantes, num filme que todo ano se repete, com muita conversa mole, péssima trilha sonora, grande bilheteria, e público garantido.


Palavras-chave

Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Educação, emprego e futuro Educação, emprego e futuro
Investir em educação é um pressuposto para o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda. Aos poucos, empresas dos mais variados setores entram numa engrenagem antes formada apenas pelo poder público.
Pernambuco Modernista Pernambuco Modernista
Conheça a intimidade de ateliês, no silêncio de casas, na ansiedade de pincéis sujos para mostrar como, quase nonagenária, a terceira grande geração da arte moderna de Pernambuco vai atravessando as primeiras décadas do século 21
A crise que adoece A crise que adoece
Além dos índices econômicos ruins, a recessão iniciada em 2014 no Brasil cria uma população mais doente, vítima do estresse causado pela falta de perspectivas. A pressão gera problemas psicológicos e físicos, que exigem atenção.

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM