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PMDB em retirada... por ora

Saída do partido do governo Dilma foi oficializada na terça-feira (29)

Publicado em 30/03/2016, às 06h00

Do JC Online

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Foi oficializada ontem à tarde a debandada que ganhou contornos mais precisos após a divulgação da carta do vice-presidente da República, Michel Temer, para a presidente Dilma Rousseff, no final do ano passado. A saída do PMDB do governo engrossa o cordão dos insatisfeitos com a gestão petista, amplia as dificuldades de manutenção da base aliada no Congresso, e pode abrir a porteira para que outros partidos da base façam o mesmo - se não considerarem o bastante a liberação das bancadas para a votação na comissão que analisa o pedido de impeachment de Dilma na Câmara. 

A agremiação que comandou a transição do regime militar para a democracia, na década de 1980, e obteve ao longo dos anos a pecha de fisiologista por integrar todos os governos desde então, dificilmente abandonaria o barco se não vislumbrasse no difícil momento atual a oportunidade de sair da sombra e exercer ainda mais o poder. A perspectiva gerada pelo processo de impeachment e abraçada explicitamente pelos peemedebistas é a substituição de Dilma por Temer, com metade do mandato a ser cumprido. 

A reunião em que o destino do partido foi selado serviu como uma manifestação pública em prol do impeachment. A entrega dos cargos na administração federal joga o PMDB, na prática, na oposição, pelo menos enquanto não se define o destino de Dilma. E gera para o governo duas questões imediatas: o tamanho da crise proporcionada pela ausência do PMDB, e o preenchimento dos cargos pelos partidos remanescentes em uma base política esfacelada e desarticulada. 

Como o PMDB é o PMDB, o licenciamento de eventuais ocupantes de cargos, inclusive ministros, não está fora de cogitação. Seguindo a lógica do zigue-zague que acompanha o pêndulo do poder, também não se deve tomar a “reunião histórica” de ontem como favas contadas. Fiel às conveniências, o PMDB pode retornar à base aliada adiante, se o processo de impeachment não passar no Congresso. O pior é que não seria surpresa o retorno pródigo do PMDB aos braços de Dilma e do PT - muito menos o acolhimento dos petistas ao PMDB.

A independência postulada para justificar o afastamento sem vinculação com o impeachment, por outro lado, não convence ninguém - e foi desmentida pela imagem contundente dos integrantes do partido pedindo a saída do PT e gritando “Temer presidente”. Liderado por profissionais da simbiose política, o PMDB deixa o governo apostando no agravamento da crise e na fragilização irreversível da base de Dilma, em deterioração já observada no Palácio do Planalto e no PT. Neste cenário, o impedimento de Dilma, ou mesmo sua renúncia, seria um caminho sem volta, possibilitando a ascensão de Temer e do PMDB.

O pragmatismo do partido de Cunha, Sarney e Renan Calheiros faz com que o desembarque de um aliado de 13 anos da nau petista tenha importância apenas relativa - pois seja qual for o desfecho do impeachment, o surrado terno da governabilidade dificilmente deixará de constar do figurino do PMDB.

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