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Editorial: O poder imperial de Vladimir Putin

Rei é uma versão ocidental, porque para os russos tradicionais melhor seria dizer Tzar, o continuador de Nicolau II, morto na revolução russa

Publicado em 08/05/2018, às 07h50

Nada pode fazer crer que naquela data, 2024, Putin não assuma o quinto mandato / Foto: AFP
Nada pode fazer crer que naquela data, 2024, Putin não assuma o quinto mandato
Foto: AFP
JC Online

No momento em que Vladimir Putin assumia o quarto mandato de presidente da Rússia nesta segunda-feira, na Europa eram feitas contas que chegaram a estes resultados: durante o tempo em que ele vem se mantendo no topo do poder, Estados Unidos, Inglaterra e França mudaram seus líderes quatro vezes, a Itália nove, o Japão 10. Essa conta explica os protestos no centro de Moscou marcados por uma só frase: “Ele não é nosso rei”. O blog da apresentadora e produtora de TV Tina Kandelaki fez eco ao clamor da oposição, dizendo que não se lembra da vida sem Putin e seus filhos não conseguem também lembrar da vida sem ele, porque nasceram e cresceram com ele. E pergunta: “Ele é um rei ou não”?

Rei é uma versão ocidental, porque para os russos tradicionais melhor seria dizer Tzar, o continuador de Nicolau II, morto na revolução russa de que Putin se fez por algum tempo representante na condição de agente da KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo. Tarimbado assim com as formas de poder absoluto, o pela quarta vez presidente da Rússia age por decreto, uma forma legislativa imperial que reativou agora com um comando chamado “Metas nacionais e tarefas estratégicas para o desenvolvimento da Federação Russa até 2024”.



Futuro mandato

Visto com as lentes hoje, nada pode fazer crer que naquela data, 2024, Putin não assuma o quinto mandato, para cumprir as instruções do decreto de metas nacionais destinadas a promover o avanço científico, tecnológico e socioeconômico do País, “superando a pobreza e aumentando a expectativa de vida dos russos”. Fica visto assim para as nações mais distantes, como nós da América do Sul, que a Rússia ainda está às voltas com a fratura social da superação da pobreza e a expressão política trágica de um “império” feito com votos, denunciados – como não poderia deixar de ser – como resultado do abuso de poder de um “rei”.

Além da primeira e acertada impressão de que estamos perante um novo Tzar, cá entre nós pode-se questionar o que temos com isso e a resposta será: “Tudo”. Temos tudo a ver com Putin no poder, sem o direito de questionar sua perpetuação, porque fazemos parte do mesmo bloco integrado pela Rússia a o Brics a, que nos faz vizinho mais próximo, como Brasil, Rússia, Índia, China e S de África do Sul. Assim, temos a ver com os avanços ou retrocessos de qualquer desses membros de um clube que vez por outra é discutido, analisado e temido pelo poder que representa, sobretudo com a ascensão da China ao posto de maior potência econômica do mundo disputado com os Estados Unidos e, agora, com as ambições de um “rei” contestado mas poderoso que ambiciona também chegar ao pódio e trazer de volta o fausto do czarismo, visível em todos os salões em que Putin circula em Moscou para receber os poderosos estrangeiros e inibi-los pela grandeza arquitetônica e o luxo do dourado nas cúpulas e nas paredes


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Comentários

Por Aída Paiva,19/05/2018

Se é pra mentir é possível não copiar? Esse artigo não foi comprado na mídia internacional mas segue o roteiro da mídia internacional. Pergunto se existe o jornalismo combatente que não se vende e vive de sonhos? Onde está a Veja que denunciava e combatia a opressão na ditadura 1964 (apesar da perseguição errada aos militares porque não denunciava os mandantes da tortura e da morte). Agora vejo que a revista Veja servia aos ricos porque escondia os verdadeiros culpados dos crimes da ditadura que se chamou militar. A Veja agia com liberdade porque não precisava ter medo pois tinha a vida garantida. Hoje a revista Veja continua seu papel covarde na Política Nacional apoiando a prisão de inocentes e comendo o que produzem escravos. Minha certeza de glória é que a Veja é consciente e que nunca conseguirá me olhar nos olhos.



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