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Editorial: Consequências do encontro entre Estados Unidos e Coreia do Norte

Parte da imprensa dos Estados Unidos repercute a mensagem como uma espécie de mantra da paz, registrando que é o primeiro encontro da história entre um presidente norte-americano em exercício e um líder norte-coreano

Publicado em 11/05/2018, às 07h22

Mas o que está repercutindo contra o esforço de afirmação do governo Trump é sua disposição de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã / Foto: AFP
Mas o que está repercutindo contra o esforço de afirmação do governo Trump é sua disposição de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã
Foto: AFP
JC Online

Poucas horas depois de receber três norte-americanos mantidos em cativeiro por mais de um ano na Coreia do Norte, o presidente Trump avisou – via Twitter – que vai se encontrar com Kim Jong Un, o controvertido líder coreano do Norte, no dia 12 de junho. A mensagem é messiânica, como em tudo que Trump se mete: “Vamos tentar fazer desse encontro um momento muito especial para a paz mundial”. Parte da imprensa dos Estados Unidos repercute a mensagem como uma espécie de mantra da paz, registrando que é o primeiro encontro da história entre um presidente norte-americano em exercício e um líder norte-coreano.

O efeito do anúncio pode ser visto, também, em seu caráter de propaganda capaz de desviar as atenções para outros lados de uma moeda de muitas faces. Por exemplo, curiosamente, os três norte-americanos que serviram como moeda de barganha entre os dois países se chamam Kim Hak-song, Kim Sang-duk e Kim Dong-chul. Nenhum louro chamado Tom, ou Mike, ou Smith, mas tipos asiáticos iguais aos estrangeiros que deixam repugnado o dirigente dos Estados Unidos em sua cruzada contra imigrantes.



Acusações

Entretanto, apesar do jogo de cena, ainda não caiu no esquecimento da maior potência do mundo o caso de Otto Warmbier, estudante americano que foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados na Coreia do Norte, sob a acusação de ter roubado um cartaz com propaganda política em uma área reservada a funcionários de um hotel na capital coreana. Ele ficou preso durante 17 meses, foi solto no ano passado, chegou aos Estados Unidos em estado de coma e morreu seis dias depois. A família está processando o Estado coreano e quando a questão envolve o ordenamento jurídico norte-americano contra agressões externas o resultado costuma ser configurado dentro do ideal apregoado todo instante por Trump: América primeiro.

Mas o que está repercutindo contra o esforço de afirmação do governo Trump é sua disposição de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. A determinação abala o mercado porque não se trata de uma saída burocrática, protocolar, mas significa o restabelecimento de sanções com a imposição de penalidades econômicas. Uma expectativa que atinge os índices das bolsas, para baixo, como costuma ser no império norte-americano. Também uma prova de que o momento de paz mundial anunciado por Trump não tem consistência é a escalada militar entre Irã e Israel, exatamente quando se dá o anúncio de abandono do acordo nuclear. Fazendo contraponto à decisão norte-americana, a União Europeia divulgou um comunicado informando que “enquanto o Irã continuar a implementar seus compromissos nucleares, como vem fazendo até agora e foi confirmado pela Agência Internacional de Energia Atômica em 10 relatórios consecutivos, a UE continuará comprometida com a implementação total e efetiva do acordo nuclear”. Uma linguagem que não combina com a de Trump, muito pelo contrário.


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