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Editorial JC

Editorial: Brasileiro e sua mania de deixar tudo para última hora

Um exemplo foi o da situação eleitoral de 4 mil pessoas em Pernambuco, no último dia o atendimento chegou a cerca de 20 mil pessoas, formando-se as conhecidas ''filas quilométricas''

Publicado em 14/05/2018, às 08h20

De que forma se poderiam aplicar esses dois princípios a, por exemplo, a regularização eleitoral de que resultou um espetáculo assustador de filas quilométricas? / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
De que forma se poderiam aplicar esses dois princípios a, por exemplo, a regularização eleitoral de que resultou um espetáculo assustador de filas quilométricas?
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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Para uma média diária de regularização da situação eleitoral de 4 mil pessoas em Pernambuco, no último dia o atendimento chegou a cerca de 20 mil pessoas, formando-se as conhecidas “filas quilométricas” que revelam duas detestáveis vocações brasileiras: deixar tudo para a última hora e adorar filas. É assim para  uma vaga de emprego, um jogo de futebol, um show de rock, inscrição para qualquer benefício público, para atendimento num posto de saúde, até para uma blackfriday. Pessoas que dormem nas filas uma, duas e até mais noites para obterem um ingresso ou serem as primeiras atendidas revelam uma disposição lúdica para o sofrimento ou simplesmente estão dizendo que, diante da incompetência de organização, têm mesmo que se submeter ao tratamento cruel. Tem mesmo que ser assim? Parecem questões supérfluas, mas não são. Não são raros em nosso País seminários destinados à análise de modelos de gestão, inclusive voltados especificamente para o problema das filas do INSS, do que saíram algumas ideias que não tiveram o tratamento que se deveria dar a um problema nacional crônico em muitos campos. De entre muitas ideias, poderiam ser sacadas duas que se aplicam aos entes públicos ou privados promotores de ações e eventos de massas, assim como às próprias massas, as pessoas: vontade de fazer e competência. 

Resposta

De que forma se poderiam aplicar esses dois princípios a, por exemplo, a regularização eleitoral de que resultou um espetáculo assustador de filas quilométricas? Pela repetição dos nossos hábitos, ou vícios, que parecem dizer que gostamos de sofrer nas filas, pode-se até admitir que a resposta é complexa, trata-se de problema comum a outros povos e o problema é jogado para futuro incerto, quando se trata apenas de questionar se somos capazes de responder ao desafio de um atendimento burocrático sem infelicitar a vida das pessoas, utilizando recursos fartamente disponíveis, como simplificação de atendimento, treinamento de
pessoal e, sobretudo, utilização de recursos tecnológicos disponíveis.



É o caso de se pensar em modelos de gestão sempre que tivermos pela frente um grande desafio como a regularização eleitoral, sem a qual estaremos contribuindo para alimentar e reafirmar métodos arcaicos incompatíveis com o crescimento demográfico e de demandas sociais. Testemunhar filas gigantescas para disputa de vagas de trabalho é um retrato da fratura social. Mas não faz parte dessa conjuntura o cumprimento de uma formalidade burocrática – como é regularizar uma situação eleitoral – que pode ser
aplicada em qualquer dia do ano, diretamente ou online.


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