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Editorial: Venezuela colhe os frutos do isolamento político e econômico

Os venezuelanos padecem as consequências de grave crise social, política e econômica, que tem levado milhares de emigrantes a buscar melhores condições de vida atravessando a fronteira em direção ao território brasileiro

Publicado em 23/05/2018, às 07h31

Venezuelanos sofrem as consequências de grave crise social / Foto: AFP
Venezuelanos sofrem as consequências de grave crise social
Foto: AFP
JC Online

A negativa de reconhecimento oficial por diversos países sobre o resultado da eleição presidencial no último domingo lança luz no sequestro da democracia na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro, sucessor forjado por Hugo Chávez, utilizou-se de uma votação de validade questionada dentro e fora do País para se manter no poder até 2025. Alijados de um ambiente de liberdade e pluralismo, os venezuelanos padecem as consequências de grave crise social, política e econômica, que tem levado milhares de emigrantes a buscar melhores condições de vida atravessando a fronteira em direção ao território brasileiro, por exemplo, para
fugir da pobreza que acomete mais de 80% da população. A estimativa da ONU é que 1,6 milhão de venezuelanos deixaram o País desde 2015.

Em nota oficial assinada por 14 países do Grupo de Lima – composto pela Argentina, Colômbia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, México, Paraguai, Peru, Canadá e Santa Lúcia, além do Brasil – a crise humanitária que aflige o povo venezuelano é destacada. No mês que vem será feita reunião, no Peru, para tratar do acolhimento dos refugiados e tomar medidas facilitando as legislações e propondo soluções para as ameaças à saúde pública advindas dos surtos de sarampo e malária, entre outras doenças, na Venezuela.

INVESTIGAÇÃO

Há cinco anos no comando do País, Maduro é apontado como responsável pelas suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção em seu governo. Os embaixadores que ainda estão em Caracas devem ser levados a deixarem o posto para consultas. O embaixador do Brasil foi expulso em dezembro, depois que o governo brasileiro pediu ao venezuelano mais respeito aos direitos humanos. A população venezuelana sofre com a escassez de alimentos, falta de oportunidades de trabalho e racionamento de energia. Nas ruas, a situação geral é de desamparo.



A Venezuela colhe os frutos do isolamento político e econômico. Suspenso do Mercosul, sem interlocução diplomática com os países vizinhos e pressionado interna e externamente pela crise que a cada dia ganha proporções maiores, o governo Maduro escolheu a rota do aprofundamento da crise, ao optar pela permanência no poder. Apesar da participação de um candidato da oposição na disputa, o resultado de 68% dos votos válidos para a reeleição de Maduro, e um índice de abstenção de 54%, fez com que surgissem denúncias de irregularidades nos postos de votação. A oposição quer nova eleição em outubro, esperando levar mais gente às urnas.

A mais alta abstenção em meio século reflete o clima de desconfiança entre a população. Uma democracia farsesca e de fachada, com o apoio distante da China e da Rússia, faz aparecer, no resultado eleitoral, o contorno de uma nação sem democracia. A onda migratória deve continuar, no olhar de um povo sem horizontes, em que a continuidade do autoritarismo e da pobreza são as únicas coisas dadas como certas. No domingo, a vitória de Nicolás Maduro foi a eleição da desesperança.


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