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Cármen Lúcia nega pretensão de chegar à Presidência

Cármen afirmou que estará na magistratura 'até o último dia'

Publicado em 19/05/2017, às 20h24

Carmén Lúcia nega interesse por presidência da república / Foto: AFP
Carmén Lúcia nega interesse por presidência da república
Foto: AFP
Estadão Conteúdo

Em uma conversa informal com jornalistas, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, disse nesta sexta-feira (19), que o Brasil vai sobreviver ao conteúdo das delações da JBS, rebateu os rumores de que poderia eventualmente assumir a Presidência da República e afirmou que pretende continuar na magistratura "até o último dia".

"Estou no lugar que eu tenho a obrigação constitucional de estar e estarei com muito gosto", disse a ministra. Cármen fez uma visita-surpresa de 13 minutos aos repórteres que cobrem o STF para verificar as instalações do comitê de imprensa, que devem ser reformadas.

"Fui muito honrada de ter tido oportunidade de ser juíza, me sinto muito bem na magistratura e, se Deus quiser, até o último dia que eu estiver aqui, que eu tiver saúde, condições de estar aqui, eu vou estar cumprindo a minha função com o mesmo gosto que eu cumpro hoje. Ser juiz não é fácil, não é alegre, mas é a função que a gente exerce", completou a ministra, cujo nome tem ventilado nos bastidores no caso de uma eventual eleição indireta.

Questionada se acompanha a crise política que se instalou no País nos últimos dias, a presidente do STF disse que está "o tempo todo" preocupada com os rumos do Brasil.

"Preocupada com o Brasil nós estamos o tempo todo. O papel do poder Judiciário, no que a democracia ajudar, nós estamos fazendo. As instituições estão funcionando, o Brasil está dando uma demonstração de maturidade democrática. Os percalços fazem parte das intempéries", comentou.



Na avaliação da presidente do STF, "o mundo inteiro está preocupante". "Momento de grandes transformações, não tem modelo prévio. O mundo está girando e eu estou igual a roda viva", afirmou.

Indagada pelo Broadcast Político se o Brasil vai sobreviver às delações, respondeu: "O País sempre vai sobreviver, porque o País é o povo. E o povo, o ser humano, tem o instinto de vida muito mais forte que o de instinto de morte. As gerações, eu acredito muito que vão vir coisas e pessoas boas, depois que a gente já tiver ido embora."

Construção

Ao falar com uma repórter com cinco meses de gestação, Cármen brincou: "Ó, fala pra ele (o bebê) assim: nós estamos construindo outro Brasil, não se preocupa com isso, não. Na sua hora, nós vamos ter arrumado tudo".

Para a ministra, o Brasil "está aí para ser reconstruído a cada minuto". "Nós não temos escolha", disse.

Antes de se despedir dos repórteres, Cármen também informou que deve na próxima semana elaborar a pauta de julgamentos de junho e adiantou que vai priorizar processos de repercussão geral - casos em que a Corte analisa o mérito da questão e a decisão tem de ser aplicada depois pelas instâncias inferiores em ações similares.

"Estamos julgando normalmente. Está tudo andando porque tem de andar mesmo", disse a presidente do STF.


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