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Irmãos Batista corromperam servidores e chantagearam autoridades públicas

Em despacho, juiz João Batista Gonçalves elencou relacionamentos mantidos entre os executivos e órgão públicos

Publicado em 13/09/2017, às 14h19

Wesley Batista foi preso nesta quarta-feira (13) / Foto: Reprodução/YouTube
Wesley Batista foi preso nesta quarta-feira (13)
Foto: Reprodução/YouTube
JC Online e Estadão Conteúdo

A venda de ações da JBS antes da delação dos controladores da empresa vazar na imprensa evitou prejuízo potencial de R$ 138 milhões aos irmãos Batista, segundo a Polícia Federal. Para atingir esse objetivo, Wesley e Joesley corromperam servidores e chegaram a chantagear autoridades públicas, segundo informações que constam no despacho do juiz João Batista Gonçalves, que autorizou a prisão preventiva dos dois empresários.

Os delegados da PF, Rodrigo Costa e Victor Hugo, explicaram que contaram com a colaboração da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nas investigações, que identificaram dois crimes distintos, mas ligados um ao outro: a compra e venda de ações e a compra e venda de contratos futuros de dólar. Ambos ocorreram antes do áudio da conversa de Joesley com o presidente Michel Temer vazar e também antes da delação dos empresários vir a público. 

Segundo os delegados, como os irmãos Batista detinham informações que outros acionistas não tinham, eles acabaram embolsando lucros com a operação, enquanto todos os demais acionistas tiveram que arcar com os prejuízos. 

 poder e a influência do grupo econômico dirigido pelos investigados em diversos setores da política e da economia nacionais, como, por exemplo, no BNDES, CADE, Receita Federal, Ministério da Agricultura e CVM, havendo elementos a indicar que em oportunidades anteriores os irmãos Batista naõ teriam se furtado a utilizar a exponencial influência que detinham para atender seus interesses.

No caso da venda de ações antes da delação, o delegado Victor Hugo ressaltou que irmãos Batista detêm 100% da empresa FB Participações, que por sua vez detinha 42,5% da JBS SA. "Eles tinham consciência de que quando o acordo de delação viesse à tona, iria ter impacto no mercado, provocando desvalorizando das ações da JBS", disse o delegado.



Assim, Joesley Batista determinou a venda pela FB de 42 milhões de ações da JBS a R$ 372 milhões. Ao mesmo tempo, a própria JBS, presidida por Wesley, passou a recomprar esses papéis. Ao fazer isso, segundo Victor Hugo, eles evitaram desvalorização maior das ações e diluíram o prejuízo com a queda dos papéis no momento que a delação fosse divulgada. 

Prejuízo

"A maior parte do prejuízo com a queda das ações não ficou com os irmãos Batista, mas com os outros acionistas", disse o delegado da PF. No dia seguinte ao vazamento da delação, os delegados ressaltaram que o dólar disparou 9%, a maior alta desde 1999, e ocorreu uma queda de 8,8% do índice Ibovespa, a pior desde 2008. No mesmo dia, os papéis da JBS chegaram a cair 37%. "A venda antecipada de ações evitou um prejuízo potencial de R$ 138 milhões", disse Victor Hugo.

"O que impressiona a todos é que esses crimes são gravíssimos", disse o delegado, ressaltando que os delitos foram praticados pelos dois empresários que já haviam se comprometido com a Justiça a colaborar e não cometer crimes. 

Os delegados explicaram que os crimes dos irmãos Batista foram comprovados por mensagens eletrônicas, depoimentos, relatórios da CVM e laudo pericial. "Os investigados lucraram milhões de reais com essas operações ilícitas." A vítima, disse Victor Hugo, não é só os demais acionistas da JBS, mas o Brasil e o próprio mercado financeiro, que tem a confiança abalada.


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