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Curitiba

'Se eles estão com medo de que eu possa voltar, é melhor eles temerem', diz Lula

Durante discurso realizado em Curitiba, Lula não entrou no mérito do depoimento ao juiz Moro, mas fez fortes críticas à Lava Jato

Publicado em 13/09/2017, às 22h48

Ex-presidente aproveitou o
Ex-presidente aproveitou o "gancho" do depoimento para desfiar realizações de seus governos e apontar para o que pode ser um terceiro mandato do petista
Reprodução
Estadão Conteúdo

Em pronunciamento aos militantes que foram à praça Generoso Marques, no centro de Curitiba, poucas horas depois de prestar o segundo depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou os processos dos quais é alvo por suspeitas de corrupção como gancho para um discurso de forte teor eleitoral elencando tanto realizações de seus oito anos de governo quanto propostas para um possível terceiro mandato.

"Não sei quantos processos eu tenho. Não sei se eles vão cansar, eu não vou cansar. Se eles estão com medo de que eu possa voltar a me candidatar é melhor eles temerem porque vou provar que posso consertar este País", disse Lula.

Enquanto o ex-presidente falava, um helicóptero sobrevoava a praça carregando um letreiro luminoso exibindo frases de apoio à Lava Jato e combate à corrupção como "ninguém está acima da lei", "a hora de todos os corruptos vai chegar", "juntos com a Lava Jato queremos um Brasil limpo".

Durante os quase 20 minutos de discurso, Lula não entrou no mérito do depoimento ao juiz Moro, mas fez fortes críticas à Lava Jato. "Eu agora só quero que a operação lava Jato aqui de Curitiba, não o Ministério Público que é uma instituição que eu respeito, tenha a coragem de dizer: nós não temos provas contra o Lula, nós mentimos em relação ao Lula", disse o petista.

O ex-presidente aproveitou o "gancho" do depoimento para desfiar realizações de seus governos e apontar para o que pode ser um terceiro mandato do petista.

Segundo ele, seus grandes erros foram "sonhar" em "fazer a Petrobras ser a maior petroleira do mundo", incentivar a indústria naval nacional, o uso de energia limpa, "fazer uma empregada doméstica entrar na universidade, um filho de pedreiro virar engenheiro, fazer este País ser respeitado no mundo", pagar a dívida de 300 anos de escravidão com a África etc.

"Cometi um erro imperdoável pela elite brasileira, fiz com que o trabalhador tivesse 12 anos de aumento real do salário mínimo, que a empregada doméstica tivesse direitos de cidadã, que os negros fossem tratados como primeira classe e que os índios não fossem exterminados como hoje", afirmou.



Lula chegou a ressuscitar trechos de discursos de outras campanhas ao dizer que o Brasil é "um país que ainda tem escravidão e trabalho infantil, em que a mulher ainda é tratada como objeto de mesa e cama", peças de seus discursos na vitoriosa campanha de 2002.

"Não há na história de humanidade nenhum estadista que ousasse governar para os pobres e tenha resistido à sanha das elites perversas", disse Lula.

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, mais de 60 ônibus trouxeram ao menos 2.400 apoiadores de Lula a Curitiba. O ex-ministro Gilberto Carvalho, um dos organizadores do ato, estimou o público em 4 mil pessoas.

Lula diz a Moro não ter raiva, mas sim pena de Palocci

Segundo Lula, Palocci se preparou para cumprir um "ritual" no interrogatório feito por Moro na semana passada, com o objetivo de reduzir sua pena e conseguir a liberação de recursos bloqueados pela Justiça. O ex-presidente disse ainda lamentar o que classificou de "serviço pequeno" prestado por Palocci, acrescentando não ter raiva, mas sim pena pela forma como o ex-ministro encerra uma "carreira tão brilhante".

"Fico pensando o que está pensando a mãe dele agora, que é militante e fundadora do PT. Fico imaginando como estão as pessoas que militavam com ele no PT. É lamentável. Eu, sinceramente, não tenho raiva do Palocci, tenho pena de ele ter terminado uma carreira tão brilhante como ele terminou", declarou Lula.

O ex-presidente afirmou que, por conhecer como Palocci reage em situações adversas, sabe que o ex-ministro foi até Moro para entregar um conjunto de simulações.

"Já vi Palocci em situações difíceis na área econômica. O Palocci veio preparado para dizer que havia um fundo que eu sabia, para dizer que o doutor Emilio Odebrecht tinha me procurado para conversar, para dizer que eu chamei ele para conversar para bloquear a Justiça", disse Lula. "Foi um conjunto de simulações que o Palocci fez. Por isso, utilizei a palavra simulador", concluiu.


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