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Reforma eleitoral

Antes proibido, patrocínio de posts por políticos ainda precisa de regulamentação

Pela primeira vez candidatos poderão impulsionar posts nas redes sociais duarante a campanha. Justiça Eleitoral ainda não sabe como fiscalizará a novidade

Publicado em 13/01/2018, às 14h45

"Movimento de incluir a campanha feita na internet é positivo, mas a forma como foi feita deixou a desejar", afirmou Amaro Grassi, pesquisador da FGV
Foto: Divulgação/ FGV
RENATA MONTEIRO

No Brasil, a utilização das redes sociais em campanhas políticas é uma realidade já há algum tempo. Mas, pela primeira vez, candidatos e partidos poderão usar dinheiro para impulsionar suas publicações, alcançando um número maior de eleitores. A mudança foi implementada após a reforma eleitoral aprovada pelo Congresso em 2017 e passa a valer a partir de agosto, quando oficialmente a campanha começa.

Ao impulsionar uma mensagem, o candidato ou partido consegue que aquela publicação chegue a um número maior de usuários ou seja endereçada a grupos específicos. A vantagem é que essas pessoas não precisam sequer seguir a página em questão para receber esse material. Em uma campanha com duração reduzida (45 dias) e com gastos limitados, o mecanismo mostra-se uma ferramenta muito útil.

“Até então, a campanha na internet era feita através de páginas de apoio, blogs, e mesmo assim muitas vezes não se conseguia fazer a mensagem chegar a uma quantidade de pessoas que o meio em si possibilita. A partir do momento que as campanhas vão poder se comunicar com o público que está presente nessas redes sociais, a gente vai ter uma redução grande desses intermediários e, consequentemente, vamos ter uma campanha mais assertiva”, avaliou o coordenador do Laboratório de Estudos de Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Fábio Malini.



Regulamentação

Apesar de considerar as mudanças nas regras eleitorais em parte positivas, Amaro Grassi, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita que a falta de uma regulamentação pode trazer consequências nocivas ao patrocínio de publicações nas redes sociais. “Após a aprovação das mudanças, não se fez nada para regular o uso dessa ferramenta, determinar quem pode fazer o impulsionamento, que tipo de prestação de contas terá que ser feita etc. O movimento de incluir a campanha feita na internet é positivo, mas a forma como foi feita deixou a desejar”, cravou.

Dependendo basicamente de denúncias para encontrar irregularidades neste tipo de publicação, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a fiscalização dos posts impulsionados será mais um desafio que precisará ser encarado pela Justiça Eleitoral no pleito deste ano.


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