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Palácio do Planalto

Coincidências fazem cenário político de 2018 ser quase igual ao de 89

Indefinição política e crise econômica são algumas das semelhanças entre os anos eleitorais

Publicado em 13/01/2018, às 15h10

Pulverização de candidaturas torna corrida imprevisível / Foto: Guilheme Britto/PR
Pulverização de candidaturas torna corrida imprevisível
Foto: Guilheme Britto/PR
MARIANA ARAÚJO

Ao comparar os cenários políticos de 1989 – quando ocorreu a primeira eleição direta para presidente no Brasil após o fim do regime militar – com o período que está antecedendo o pleito de 2018, há a impressão de que 29 anos depois pouca coisa mudou.

Como coincidências temos um presidente com baixa popularidade, um cenário político conturbado, a necessidade de reerguer o País economicamente, políticos tradicionais com a imagem desgastada, um apresentador de televisão como candidato a presidente da República, um candidato se apresentando como o “novo” e outro que defende a “moralização” do Brasil estão entre os pontos de semelhança. Não raro, analistas e cientistas políticos fazem comparações entre os dois períodos.

Num cenário político que só deve ser definido após o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula (PT), marcado para o dia 24 deste mês, nomes como o do deputado federal Jair Bolsonaro (atual PSC, mas que ingressará no PSL) e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), ganham força entre os eleitores.

O estudo Cenário Melhor, Mas Ainda Incerto Para 2018 e 2019, do banco Credit Suisse, divulgado em dezembro do ano passado, analisou os cenários político e econômico do País para o biênio. A comparação entre os dois pleitos também é citada. “Não se pode descartar cenário similar nas eleições de 2018, com o lançamento de várias candidaturas com diretrizes econômicas provavelmente similares”, diz o estudo. O levantamento compara os principais nomes de 1989 com os de 2018 na corrida presidencial. Em comum, Lula, que na primeira eleição era um quadro novo e que chega agora com a bagagem de dois mandatos presidenciais, denúncias de corrupção e uma condenação em primeira instância.

As comparações do banco suíço aproximam Geraldo Alckmin (PSDB) de Mário Covas (PSDB), Jair Bolsonaro de Enéas Carneiro (Prona), João Doria (PSDB) de Fernando Collor (PRN), Luciano Huck (sem partido) de Silvio Santos (PMB), Marina Silva (Rede) de Fernando Gabeira (PV) e Ciro Gomes (PDT) de Leonel Brizola (PDT).

Vale lembrar que o estudo foi elaborado antes de Luciano Huck anunciar, em 27 de novembro de 2017, que não será candidato. Antes de o PSDB fechar acordo sobre o nome de Alckmin, tirando da disputa interna tucana o prefeito de São Paulo, João Doria. E antes de o deputado federal e presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), iniciar movimentos pela candidatura.



A questão da imprevisibilidade é lembrada pelo cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Juliano Domingues. “Desde 1994, as eleições presidenciais da Nova República adquiriram um certo grau de previsibilidade. Por isso, quando comparadas às anteriores, as deste ano se mostram atípicas e acabam lembrando 1989. As eleições 2018 vão se dar em um cenário instável politicamente, que se instalou no País a partir de variáveis que se contaminam, fruto da crise na economia, dos desdobramentos da Lava Jato e da queda de Dilma (Rousseff, do PT). Quanto maior o número de variáveis intervenientes em um cenário, mais imprevisível o resultado do evento”, avaliou.

Para o cientista político e professor do FGV CPDOC Sérgio Praça, há diferenças e semelhanças muito grandes entre os dois pleitos. “A diferença grande é o estado da economia. A gente está saindo de uma crise grave, mas a economia brasileira é bem mais robusta do que em 1989. Verdade que tem um problema previdenciário grave que ainda não está solucionado, mas não se compara à inflação e à incerteza de 1989. A semelhança é que não há uma ou duas candidaturas que são obviamente fortes. Em 89, Lula não era um candidato fortíssimo, mas foi para o segundo turno. Agora, ele é um candidato forte, mas é possível que não dispute as eleições”, declarou.

Ausência de polarização

Ainda segundo Sérgio Praça, o surgimento de nomes novos na política é estimulado pela ausência, por enquanto, de uma polarização. “A gente não sabe se Huck entra, se Alckmin, se Meirelles e Maia serão candidatos. Ao contrário de 94, 98, 2002 e as outras eleições, não há um desenho claro de PT versus PSDB. Isso estimula o surgimento de muitas outras candidaturas, estimula a falta de coordenação”, pontuou.

Entre os nomes novos está o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. “É uma incógnita completa. Ele não dá nenhum pronunciamento indicando que vá concorrer.”

Na opinião de Juliano Domingues, o calendário eleitoral, a esta altura, impede a viabilidade do surgimento de um novo nome no campo político para disputar com competitividade a eleição deste ano. “Seria preciso adquirir visibilidade e capilaridade suficientes para se tornar competitivo. O tempo até as eleições é muito curto para isso. O calendário também parece apertado demais para Meirelles reeditar algo semelhante ao fenômeno do Plano Real, que levou Fernando Henrique ao Palácio do Planalto”, acrescentou.


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