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José Dirceu pede que petistas se preocupem com Lula

Diante da chance de ser preso mais uma vez, o petista pediu que os membros do partido não se preocupem com ele, mas sim com a liberdade de Lula

Publicado em 17/04/2018, às 02h02

Dirceu também disse que Moro  funciona como um
Dirceu também disse que Moro funciona como um "instrumento" de perseguição política contra o PT
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Estadão Conteúdo

Em liberdade, enquanto aguarda o julgamento de seu último recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), marcado para a quinta-feira (19), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse nesta segunda-feira (19) que o juiz federal Sérgio Moro é um "cisco" e funciona como um "instrumento" de perseguição política contra o PT. Diante da chance de ser preso mais uma vez, o petista pediu que os membros partido não se preocupem com ele, mas sim com a liberdade do ex-presidente Lula

"Meus companheiros de cela muitas vezes, pela inocência, se desesperaram, e eu falei: 'está vendo esse cisco?' É o Moro'. Ele não é nada, é um instrumento. O aparato policial-judicial é um aparato de perseguição política. Não é só de criminalizar o PT, há setores que estão percebendo isso. Quando chegaram nos bancos, no PSDB e no Judiciário, a Lava Jato acabou. O que aconteceu com o trensalão? Com as últimas decisões do STF, abriram a porteira", questionou Dirceu, ao mencionar o cartel do Metrô em São Paulo.

"Todo lugar é uma trincheira. Onde eu estiver, vou estar numa trincheira, mas sou como um de vocês: eu estou preocupado com Lula, não comigo. Vocês podem ver que eu me cuidei. Eu sou um soldado, temos que libertar o Lula. Temos que enfrentá-los e não baixar a cabeça. Eles têm de ter certeza que vamos ressurgir das cinzas. Temos que ser implacáveis com eles. Eles não deixaram a gente governar, por que vamos deixar eles governar?", afirmou.

O TRF-4 aumentou a pena de Dirceu de 20 anos e 10 meses para 30 anos e 9 meses pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O discurso foi feito durante reunião com a militância petista, em Brasília, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal. Em tom de despedida, Dirceu fez questão de lembrar dos ex-tesoureiro João Vaccari e do ex-deputado André Vargas, também presos, e alertou os militantes sobre os principais inimigos do PT.

"Nosso principal inimigo é o sistema financeiro bancário, o rentismo e a Rede Globo. Vocês sabem que eu gosto de uma aliança Mas vamos precisar rever a forma petista de governar. A questão é como governar sem aderir à receita neoliberal. Os desafios são muitos, mas eu sou otimista. Nós precisamos tirar lições do que aconteceu no País", afirmou, antes de dizer que o poder político está submetido aos grandes brancos.

"Sabemos porque foi dado o golpe no Brasil. O golpe foi por causa da soberania nacional e do papel que Brasil passou a jogar no mundo. Se trata do pré-sal, que é a ponta do iceberg. É quase natural do Brasil ser elemento integrador da América Latina. O MST tem insistido no papel do capital financeiro no Brasil. Aqui os grandes bancos controlam a política monetária do País. O poder político está submetido a isso."



Chamado de "comandante" e enaltecido por gritos petistas, Dirceu pediu que o partido deixe de resistir e comece a combater e enfrentar os responsáveis pelo "golpe". Como exemplo, ele citou as caravanas realizadas recentemente pelo ex-presidente da Lula antes da prisão. Na visão do ex-ministro, não fosse Lula ter saído da defensiva, o petista não teria despontado nas pesquisas de intenção de voto.

"Estamos cansados de resistir, temos que combater. Ninguém fala contra o juro e o agronegócio. O povo brasileiro não cabe nessa economia que estão desenhando. Toda vez que a classe trabalhadora se autoconstituiu como força política no Brasil, deram golpe de Estado. Lula saiu da defensiva com as caravanas. Ele deu a volta por cima porque acreditou na consciência política do povo. A defesa jurídica é importante, mas é hora da defesa política", afirmou.

Mea-culpa em relação à gestões petista

Dirceu também fez um mea-culpa em relação à gestões petista, mas afirmou que o PT precisa se organizar para ganhar a eleição mais uma vez. O ex-ministro repetiu o argumento do partido de que eleições presidenciais sem Lula são um "simulacro". Além disso, atacou a gestão Temer.

"Praticamente rasgaram os direitos trabalhistas. A precarização vai levar a uma queda da renda e um novo ciclo de lutas vai começar. Em menos de um ano, Temer fez mais do que ditadura levou vinte anos para fazer e FHC nem conseguiu. Temer dá Refis de R$ 150 bilhões e não tem problema nenhum. Falaram das pedaladas (...) agora o TCU está normatizando para legalizar tudo porque Temer não vai cumprir a regra de ouro. Precisamos nos organizar e ir ao encontro do povo. Hoje vivemos um momento que temos que ter sabedoria. Estão transformando eleição num simulacro ao excluir Lula. A eleição é um elemento fundamental. Devemos lutar e nos organizar para ganhar a eleição", afirmou, antes de dizer que, se disputar o pleito em 2018, Lula ganha "no primeiro turno". "Ganhamos quatro eleições presidenciais; quem no mundo fez isso?", complementou.

Na presença de ex-ministros petistas como Gilberto Carvalho e Tereza Campelo, Dirceu também falou sobre a relação dos acontecimentos políticos com os movimentos de junho de 2013. "Lula tomou iniciativas importantes (no governo). As conferências eram grande instrumento de mudança política-cultural. Não houve magia em junho de 2013. Houve forças políticas que agiram. Houve consciência de classe das classes média e alta que agiram. Para derrotá-los, vamos ter que criar uma frente ampla nacionalista. A questão nacional foi fundamental na Catalunha", defendeu.

Por fim, o petista disse que o estado de bem-estar social está sendo desmontado no Brasil e enalteceu conquistas como o Sistema Único de Saúde (SUS), o salário-minimo e o desemprego. "Aprendi com o Brizola a sempre voltar à história. Qual país da América Latina tem um SUS como o Brasil tem? Temos educação pública e gratuita. Temos o salário mínimo. O estado de bem-estar social está sendo desmontado", disse.


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Comentários

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