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Entrevista/Humberto Costa

"Modelo de gestão é o do PT"

Candidato do PT à PCR fala dos problemas internos do partido, da vontade de ter João da Costa no seu palanque e ataca o discurso de candidato gestor, adotado pelo PSB

Publicado em 07/07/2012, às 15h19

Ana Lúcia Andrade e Bruna Serra

JORNAL DO COMMERCIO - Após muitos problemas, a campanha está começando de fato? Ou ainda virão problemas pela frente?
HUMBERTO COSTA
- Não vejo muitos problemas na nossa candidatura não, pelo contrário. Primeiro nas pesquisas estou na frente, todas as que foram feitas até agora desde que a minha candidatura foi colocada. A chapa que nós apresentamos, de todas as chapas que estão aí, sem dúvida é a chapa mais forte. Pela primeira vez eu vou ter entre seis e sete minutos de televisão para apresentar uma proposta, em nenhuma eleição eu tive mais de quatro minutos. Nós vamos ter quase 200 candidatos à Câmara Municipal na nossa chapa. O partido que mais de 50% da população, não é 50% de quem tem alguma preferência partidária, é da população. Mais de 50% da população tem uma preferência pelo PT. Um projeto de 12 anos que tem enormes conquistas ao longo desse tempo. Eu tenho o apoio dos três principais eleitores da cidade do Recife. Lula, Dilma e João Paulo, quer dizer, uma candidatura como essa pode ter problemas? Eu acho nós estamos bem, nós temos uma chance muito boa de ganhar a eleição, naturalmente que aconteceram dificuldades que nós vamos superar sem problema. Eu tenho certeza que vamos estar juntos.


JC - Mas são dessas dificuldades que estamos falando. Esse processo de construção da sua candidatura foi bastante traumático. Qual o efeito que isso pode ter na campanha?
HUMBERTO -
 Nas pesquisas eleitorais o efeito é pequeno pelo que eu tive oportunidade de ver, inclusive de pesquisa qualitativa que nós fizemos, as pessoas não estão muito preocupadas com toda essa briga política que aconteceu, eles estão preocupados em saber o que é que é melhor para a cidade, o que é melhor para elas. Por isso o PT continua sendo uma referência importante para todas elas. Não vamos ignorar que tivemos dificuldades, problemas e tal. Mas nenhum deles é problema intransponível para a gente conseguir dar continuidade a esse trabalho.

JC - Esses problemas não exigem explicações?
HUMBERTO -
Acho que isso vai passar durante a campanha até porque, é como eu disse, as pessoas querem um debate sobre a cidade. Eu pretendo e estou fazendo um debate sobre a cidade. E eu acho que isso vai ser o centro da discussão na campanha.

JC - Todos os candidatos estão falando em debate da mudança. Você vai ser o projeto da continuidade?
HUMBERTO -
 Veja o nosso projeto é um projeto de mudança contínua. Nós temos um projeto de reestruturação da cidade do Recife. Então, é um projeto que tem continuidade, mas, ao mesmo tempo, ele tem inovações, tem mudanças significativas e importantes. A nossa proposição é que o Recife siga em frente e seguir em frente é o que? Ao mesmo tempo em que a gente vai dar continuidade a tudo de bom que foi e está sendo feito, nós vamos repensar a cidade do futuro e ao mesmo tempo enfrentar com novas propostas os novos problemas e os problemas históricos que nós temos. Quer dizer, o nosso lema de campanha vai ser o que? Cuidar da cidade e cuidar das pessoas. Garantir que a cidade cresça, se desenvolva, melhore a infraestrutura e a gente continua a ter as perspectivas como referência das nossas políticas sociais.

JC - Um lema bem parecido com o da Prefeitura da Cidade do Recife na atual gestão.
HUMBERTO -
 Não só da atual como da anterior. Isso é uma, vamos dizer assim, uma filosofia da nossa gestão.


JC - Vai ser preciso falar das deficiências dessa gestão, até porque na prévia essas dificuldades já foram colocadas.
HUMBERTO -
 Não. Se você fizer uma retrospectiva da minha fala o tempo inteiro, sempre foi de colocar o seguinte: de que a nossa divergência com o prefeito João da Costa no campo da gestão administrativa era uma divergência pequena. A nossa divergência maior era no campo da gestão política. A relação com o partido, a relação com os partidos da Frente, a relação com a Câmara, a relação com a sociedade, com a cidade, com o governo federal, com o governo estadual. Quer dizer, na verdade, a nossa divergência se centra fundamentalmente nisso. Então eu vou defender a gestão dentro do que é esse nosso projeto.

JC - Mas há uma reprovação concreta, identificada em pesquisa a gestão João da Costa.
HUMBERTO -
É, mas em parte tem a ver com os próprios problemas políticos que a gente viveu ao longo desse período, ao longo desse tempo. De ordem política. E do rompimento com João Paulo.

JC – O senhor é uma dessas pessoas que entende que começou aí os problemas?
HUMBERTO -
 Olhe, isso é um problema, mas nós tivemos outros. As condições de saúde do prefeito, enfim, muitas coisas aí que pesaram.

JC - Qual a impressão que ficou da saída do ex-deputado federal Maurício Rands do PT?
HUMBERTO -
Na verdade eu vejo como uma decisão individual, unilateral, da parte dele, não foi discutido conosco, com o partido. Como tal eu não tenho nem muitos elementos para analisar. Por isso eu dei aquela nota e pronto. Para mim é um assunto encerrado, superado.

JC - Então Maurício Rands não será uma peça que vai fazer falta no seu palanque?
HUMBERTO
-  O que eu tinha que falar sobre esse assunto eu já me coloquei, eu já falei.

JC - Mas é complicado de entender, porque vocês vieram de uma campanha de prévia juntos. Um defendendo o outro.

HUMBERTO -  As mesmas dúvidas que você tem, eu tenho. Porque ele não conversou com o partido sobre isso. Enfim, só posso me posicionar em torno daquilo que ele falou.

JC - Você está querendo dizer então que essa decisão surgiu após tudo o que vocês viveram nessa prévia?
HUMBERTO -
 Não sei. Desde a reunião da Executiva nacional, quando essa decisão de me indicar, inclusive, com a presença dele lá, defendendo essa saída, eu não tive mais contato com Maurício. Ontem foi que ele me ligou para me comunicar que estava lançando essa nota, que estava saindo do partido. Mas eu não participei das reflexões que ele fez para poder chegar a essa posição.

JC - Foi o senhor o responsável pela candidatura de Maurício Rands nas prévias. Foi Humberto que foi buscar Maurício Rands para disputar essa prévia?
HUMBERTO
-  Nós todos apoiamos. João Paulo apoiou, eu apoiei, todos os nossos vereadores entraram de cabeça nesse processo. Nós tivemos uma reunião da CNB (Construindo um Novo Brasil), naquele momento me perguntaram se eu iria ser candidato eu coloquei que não iria ser candidato, que não iria participar de prévia e nem de nada. O grupo entendeu que a CNB deveria ter um nome e eu acho que foi Jurandir Liberal, que apresentou o nome Maurício para uma discussão e no outro dia estava no jornal. E aconteceu tudo isso que aconteceu. Mas para mim é um assunto encerrado isso daí. Quem pode explicar melhor as razões dele é ele próprio, não é?

JC - E o prefeito João da Costa, como está a relação com ele?
HUMBERTO
-  Dentro das condições atuais eu diria que está bem. Eu tive contato com ele na semana passada na reunião do Diretório nacional do partido. Falei com ele por telefone na sexta-feira antes da convenção, comunicando a ele a composição da nossa chapa. Falei com ele por torpedo esta semana para que a gente pudesse ter acesso a algumas informações da prefeitura. Ele indicou uma pessoa que poderia fazer isso. Então está indo aí. Vai ter um momento adequado que a gente vai sentar para conversar. Eu tenho uma expectativa positiva quanto à presença dele na campanha, pela história dele no PT, pelo compromisso partidário, pelo fato de fazer parte de um projeto que não é um projeto individual, mas é um projeto político, partidário. Então eu tenho essa expectativa.

JC – Quando se coloca no lugar dele, o senhor acha que é uma posição confortável para João da Costa apoiar sua candidatura?
HUMBERTO
-  Veja, eu no PT tive muitos momentos que aquilo que eu, digamos assim, desejava, ou achava que era o melhor, não coincidia com a realidade do partido. Por exemplo, em 2008 meu convencimento era de que seria melhor que o partido tivesse escolhido naquele momento um outro nome, mas a escolha do partido foi em torno do nome de João da Costa e eu participei da campanha. Nosso grupo deu apoio, nós participamos do governo. Assim como houve outros momento que não coincidiram com o que era o meu desejo ou a minha vontade, mas dentro de uma visão partidária, até para o partido ter sucesso a gente tem que acompanhar o partido nos momento em que a gente também não concorda.

JC - Mas foram momentos bem diferentes que foram vividos em 2008 e foi vivido agora. João da Costa não era prefeito.
HUMBERTO
-  É, mas eu não fui protagonista desses episódios de agora. Mas pelo menos protagonista na intensidade de que outro foram, né? Eu não me coloquei como candidato, não me inscrevi como candidato, não entrei em prévia, não disputei a prévia. Assumi ser candidato por uma convocação do partido, da direção nacional, uma convocação que foi homologada pelo PT municipal, pelo PT estadual e pelo Diretório nacional do partido. Então, na verdade, estou cumprindo um papel, uma missão. Lógico uma missão prazerosa, uma missão que eu terei o máximo orgulho de exercer se eu vier a ser eleito, mas é uma missão. Então, não tenho dificuldades com João da Costa e nem vejo porque ele tenha qualquer restrição pessoal a mim.

 

JC - De onde vem então essa versão de que foi você quem conduziu tudo isso da pior forma e gerou esse desfecho?
HUMBERTO
-  Olha acho que isso aí é uma coisa fabricada. Por quem tem interesse de colocar o PT contra o PT, gente do PT contra gente do PT. Não precisa ser um grande detetive para ver quem fica disseminando essas fofocas, essas coisas aí.

JC - Humberto quando se deu a escolha de João Paulo para a sua vice, ali você não fez o prefeito entender que ele não era bem vindo no seu palanque, já que o prefeito e João Paulo são desafetos públicos?
HUMBERTO
-  Não. Veja, não até porque eu conversei com ele antes, falei a ele das possibilidades que a gente tinha para fazer essa composição. As dificuldades em relação às possibilidades que tinham sido colocadas. Eu acho que ele entendeu que eu fiz a opção pelo que eleitoralmente era mais forte, pelo que simbolicamente era mais forte para o PT, por alguém que tem experiência administrativa, sempre foi considerado um bom gestor. Eu tenho certeza que qualquer outro do PT que estivesse nessa condição, gostaria de poder ter o direito de fazer essa opção, de poder escolher alguém como João Paulo para compor a chapa. Isso não quer dizer uma declaração contrária ao prefeito, não, mas uma declaração favorável ao partido.

JC – O senhor acha que são legítimos os argumentos do governador Eduardo Campos para lançar essa candidatura que ele diz que foi capaz de unir a frente popular?
HUMBERTO
-  Não. Eu vou dar um exemplo para você: Caruaru. O PDT partido que tem a prefeitura, o prefeito José Queiroz é candidato à reeleição, o vice-governador, que é do PDT, já declarou publicamente que não apoia essa candidatura. A filha dele, que é deputada e secretária, já declarou que não apoia essa candidatura. Outros partidos da Frente Popular também não querem apoiar essa candidatura e ninguém, por isso, ainda achou que o PDT teria perdido a condição de comandar o processo lá, inclusive nós do PT, que estamos apoiando lá a candidatura de José Queiroz. Porque é que o PDT lá, tendo uma divisão, tem condição de conduzir o processo e o PT aqui não tem? Quer dizer, esse argumento não é um argumento que justifiquei esse rompimento, que não foi o PT que fez. Na verdade o PT ele está na gênese da formação da Frente Popular nos moldes atuais. Foi em 2006 quando eu era candidato a governador quando manifestei o meu apoio à candidatura de Eduardo antes mesmo de discutir com o próprio PT que gerou a formação da Frente Popular nesses moldes. Quer dizer, Frente Popular sem o PT ou o PSB para mim não existe. Não fomos nós que rompemos. Nós continuamos a defender as mesmas ideias, os mesmos princípios. É preciso que as pessoas que defendem esse posicionamento digam o que foi que o PT rompeu com os princípios da Frente Popular, com as ideias da Frente Popular, com a maneira de fazer política da Frente Popular. Não fomos nós que tomamos essa decisão. Esses argumentos são muito mais justificativa para querer disputar uma hegemonia aqui na cidade do Recife. Nós continuamos do mesmo lado, nós estamos fazendo alianças com os partidos e com as figuras que compõem a Frente Popular, que fazem parte da base de governo de Dilma, de João da Costa, do próprio Eduardo. Eu não fui atrás de Jarbas Vasconcelos, que é o maior adversário político de Lula e de Dilma. Eu não fui me juntar com a direita para pode apresentar uma candidatura, então não somos nós que estamos nos afastando dos princípios da Frente Popular, entendeu?

JC - Você acha então que essa candidatura do PSB já estava nos planos do partido?
HUMBERTO -
Eu não posso fazer esse julgamento, não é? Eu acho que é preciso que se pergunte ao presidente do PSB.


JC - O que você observa? Porque há um movimento visível do PSB de crescimento.
HUMBERTO
- Eu acho que é justo que o PSB queira crescer, que ele queira se consolidar como um partido nacionalmente forte, mas eu acho justo que o PT queira defender seus espaços. Nós não estamos crescendo em cima do PSB ou em cima do PCdoB, nem em cima de nenhum partido que faz parte da base de Dilma. Nós estamos querendo crescer em cima da oposição, em cima daqueles que se contrapõem ao nosso governo, ao nosso projeto.

JC - Deve ocorrer fatalmente uma polarização entre PT e PSB nessa eleição, devido ao discurso do candidato Geraldo Julio?
HUMBERTO
- Não sei. Primeiro porque eu acho um erro subestimar a oposição aqui. Nós ganhamos uma eleição no ano 2000 aqui que nós começamos com 5% ou 6% e João Paulo ganhou a eleição no segundo turno contra Roberto Magalhães, que era um prefeito muito bem avaliado, que tinha o apoio de Fernando Henrique, que tinha o apoio de Jarbas Vasconcelos, que tinha dezenas de partidos na coligação, que tinha um tempo gigantesco de televisão. E nós ganhamos. Então a gente nunca deve menosprezar nenhum adversário, não posso dizer que a polarização aqui vai ser governo e governo.

JC - Mas você identifica no PSB um discurso de oposição ao PT?
HUMBERTO - Não quero fazer esse julgamento se é um discurso de oposição. Agora é preciso que a gente faça um debate político. Por exemplo, esse discurso de modelo de gestão, que a cidade precisa de um gerente, esse discurso é antigo, o PSDB faz esse discurso há muito tempo. Na verdade o modelo de gestão é meio, não é fim. Monitorar, definir resultado é uma obrigação de qualquer gestor. O que na verdade difere um partido, um projeto do outro, são os fins e, no Recife, nós temos uma filosofia que é cuidar da cidade e cuidar das pessoas e isso nós fizemos mudanças profundas na cidade. Invertemos prioridades, mudamos saúde, educação, construímos o maior programa habitacional que o Recife já teve. Investimos no meio ambiente, nos parques, na estrutura viária, nas pessoas. O modo de gestão do PT, o modelo de gestão do PT é o modelo que criou o Bolsa Família, que criou 15 milhões de empregos, que promoveu o maior desenvolvimento que o Brasil teve ao longo dos últimos anos. É isso que tem que ser objeto dessa comparação. Se esse discurso que fazem lá é de oposição ou não, eu não sei. Mas na nossa visão é isso que é fundamental. Quem vai dizer se é de oposição ou de situação não somos nós.

JC - Porque que os projetos de gestão do PT foram incapazes de unir os demais partidos da frente em torno do PT? Porque está todo mundo no projeto do PSB?
HUMBERTO
- Eu acho que nós tivemos dificuldades na questão da gestão política. Naturalmente que o PT também cometeu erros, nenhuma pessoa especificamente no PT. Acho que nós cometemos erros. Mas eu atribuo muito mais às dificuldades de gestão política que nós tivemos ao longo desse período. Agora porque A ou B não está com o PT aí você tem que perguntar a esses partidos. Nós estamos com o PCdoB lá em Olinda. Não ficamos preocupados em saber se tinha divisão, se não tinha divisão, se o candidato estava bem ou não, mas estamos com eles lá. Em Caruaru, nós estamos lá com o PDT, independentemente se tem unidade ou não tem unidade dentro do PDT.

JC - Qual o seu sentimento dessa eleição de que o PT está na companhia do PP e tem toda uma frente de partidos que até ontem fazia parte desse projeto e hoje vai se contrapor a ele?
HUMBERTO
- Esses partidos fazem parte do nosso projeto tanto que eles estão na prefeitura, já tiveram no governo do Estado, no governo federal. Não vejo nenhuma contradição, nenhuma dificuldade nisso. Mas o que eu estou dizendo, porque é que determinados partidos não estão conosco infelizmente tem que perguntar para eles. Nós não arredamos um milímetro sequer dos princípios que formam a Frente Popular. Os confrontos que tiverem que acontecer vamos enfrentar, sem problemas.

JC - Maurício Rands e o prefeito João da Costa estão falando muito em renovação e autoritarismo no partido depois desse processo que o escolheu como candidato. O que despertou esse discurso?
HUMBERTO
- O PT é um partido de 32 anos. Isso logicamente que num tempo histórico é pouco tempo, mas de uma geração é muita coisa. Nós precisamos de fato ter uma renovação de lideranças, nós somos um partido que tem se renovado ao longo do tempo, do ponto e vista não só das lideranças, mas de suas ideias. O PT que ganhou as eleições em 2002 era um PT completamente diferente daquele que a gente formou em 1980. Assim como o PT que elegeu Dilma em 2010 é um partido diferente daquele de 2002, quando elegeu Lula, as mudanças que aconteceram na política, na economia, na cultura fizeram com que o partido se readaptasse. E também agora nesse momento. O maior exemplo disse é como Lula tem procurado construir novos espaços, novas candidaturas, novas lideranças. Eu acho que é um movimento válido.

JC - Você acredita que vai ser possível reeditar a campanha de 2006 quando o PSB e o PT Tiveram dois candidatos. Essa eleição fatalmente vai colocar cada um no seu campo?
HUMBERTO
- É uma campanha diferente. A começar pelo fato de que aquela eleição tínhamos dois candidatos ao governo que apoiavam o mesmo presidente da República. Agora nós não temos eleição presidencial. O presidente Lula já disse claramente qual é o seu palanque. A presidente Dilma vai dizer também qual é o seu palanque. O governador assumiu o seu palanque também. Então, eu acho que vai ser uma campanha respeitosa, eu pretendo como eu nunca fiz política na base da rasteira, nem usando baixaria, nem fazendo fofoca em blog de ninguém, eu pretendo fazer campanha do mesmo jeito, respeitosamente, discutindo as propostas no campo da política e espero que todos os candidatos se portem assim, mas não é uma campanha igual à de 2006, nós vamos ter um enfrentamento político.

JC - E essa aliança Humberto/João Paulo, vocês dois sempre integraram lados opostos dentro do partido. Essa aliança leva o PT para onde?
HUMBERTO
- Olhe, apesar de ter havido no PT muitas disputas internas, eu nunca tive um rompimento político ou pessoal com João Paulo. Pelo contrário, nós sempre mantivemos uma relação respeitosa. Ao longo desses últimos dois anos nós tivemos alguns momentos importantes para a vida do partido que ele foi o protagonista. A possibilidade de sair do PT, por exemplo. Eu entendia isso como uma coisa desastrosa para o partido, por isso eu me empenhei que ele ficasse, procurei, conversei. Isso fortaleceu a minha relação com ele. Depois esse posicionamento nosso de tentar uma alternativa nesse processo interno de prévias, quando nós dois apoiamos a candidatura de Maurício e o nosso objetivo é exatamente construir uma aliança que ajude o Recife e ajude Pernambuco e ajude o PT a se construir aqui no nosso Estado. É uma aliança de longo prazo, é uma aliança política, é uma aliança que quer trabalhar na unidade do partido. Por isso, que eu digo que estamos na expectativa de que vamos ter o prefeito junto conosco. Ele é uma liderança de peso no PT hoje. Eu acho que nós temos que ter um PT. Sempre na hora de ir para o enfrentamento o partido sempre marcha unido.

JC - Esse fator Lula? Como isso vai ficar evidente na campanha?
HUMBERTO
- Olhe, essa não é uma eleição que a gente vai travar um debate nacional. Nem eu defendo que seja uma disputa entre Lula e Eduardo, Dilma e Eduardo. Não. Os candidatos são esses que estão aí. As pessoas vão escolher entre eles. Os apoios são importantes por quê? Por exemplo, o presidente Lula representa tudo o que aconteceu aqui em Pernambuco, todo crescimento, desenvolvimento do Estado. O que fez Pernambuco crescer? Foram as ações em parceira do governo federal com o governo estadual. Pernambuco não teria crescido se não fosse Estaleiro, Refinaria, Hemobrás, Fiat, duplicação da BR-101, Transposição, Transnordestina, duplicação BR-408, duplicação da BR-104. Tantas coisas que foram feitas em parceira e o povo tem esse reconhecimento em relação ao presidente Lula. O povo sabe que um prefeito que seja aliado de Lula e de Dilma é bom para a cidade. Então os apoios tem muito mais esse peso. Mas o que as pessoas vão julgar é a história de cada um. Eu tenho uma história política, uma história administrativa. Sou uma pessoa que tenho uma formação técnica e ao mesmo tempo tenho uma vivência. Essas duas coisas são importantes. Fui vereador, deputado estadual, deputado federal, sou senador. Tudo pelo voto. Fui secretário municipal de Saúde, secretário das Cidades do próprio Eduardo Campos. Fui ministro da Saúde. Como parlamentar e como gestor eu tenho as portas abertas para buscar os recursos para a nossa cidade. Tenho acesso à presidente da República para brigar por isso. Tenho uma relação extremamente fácil com a bancada de Pernambuco seja do Senado, seja da Câmara dos Deputados. É isso que as pessoas vão comparar, vão comparar o projeto, o que é que cada um quer para essa cidade. O que é que cada um já fez por essa cidade? O Recife me conhece e o Recife conhece João Paulo, conhece João da Costa, conhece o PT, conhece como a gente trabalha e o que a gente faz.

JC - PSB e PT saem dessa eleição com a mesma relação?
HUMBERTO
- Eu identifico esse momento com alguns afastamentos em cima das questões municipais. Eu não vejo uma política nacional que determine essa postura, não vejo uma ação nacional. Então defendo que nada mude. Agora, naturalmente quando chegar em 2014, nós vamos discutir. Certamente o PT vai ter uma candidatura, vai apresentar, vai discutir com os aliados. Mas o importante é que a população, lógico que ela quer saber o que vai acontecer em 2014, mas ela quer saber principalmente sobre as questões relativas à cidade.

JC - A formação de uma frente capitaneada pelo governador Eduardo Campos, isolando o PT então é vista com naturalidade?
HUMBERTO
- Não é visto com naturalidade. O natural seria que todos estivessem conosco, a começar do PSB. Agora, entre não ser natural isso e você ter uma frente nacional para isolar o PT vai uma diferença.

JC - Mas isso é um movimento político do PSB em busca de uma hegemonia em Pernambuco?
HUMBERTO -
Tem que perguntar ao PSB. Eu acho que o ideal é que Pernambuco tivesse um equilíbrio político na frente, já que o governo do Estado está com o PSB, que a Prefeitura do Recife pudesse ficar com o PT. Essa é a nossa visão. Se há uma visão hegemonista de quem quer que seja, eu não sei. Tem coisas que eu não vou responder. Quem tem que responder é o PSB, porque agiu assim, assado.

JC - Mesmo com as turbulências que a sua candidatura vivenciou, já deu para elaborar algumas questões para apresentar ao Recife?
HUMBERTO
- Primeiro nós estamos trabalhando num levantamento de tudo o que foi feito ao longo desses 12 anos, e não foram poucas coisas. Recife é uma cidade completamente diferente do que era antes de 2001. E, a partir desse levantamento, nós vamos também identificar quais são os desafios e a partir daí elaborar novas propostas. Bem, nós continuamos numa visão de que é fundamental cuidar da cidade, cuidar das pessoas. O que é cuidar da cidade? Preocupação com a infraestrutura urbana, viária, com as políticas de saneamento básico, com o desenvolvimento da cidade, o crescimento econômico, a geração de emprego e renda. E cuidar das pessoas também é gerar renda, gerar emprego, mas implementar políticas sociais de saúde e educação, de habitação.

JC - Você já tem essas informações? O prefeito está contribuindo?
HUMBERTO
- Está contribuindo sim, para a gente poder travar esse debate e elaborar um programa de governo. Mas as nossas prioridades serão aqueles problemas que a população já conhece. O grande problema, sem dúvida, é a mobilidade. A ideia é investir no transporte público e coletivo, implantar novos corredores para os ônibus. Com a inauguração da Via Mangue é possível concretizar uma ideia, que nós trabalhamos no tempo em que eu estava na Secretaria das Cidades, que é um grande corredor que vem de Olinda e chega até Piedade, envolvendo Domingos Ferreira, Setúbal, Capitão Temudo, Agamenon Magalhães. Você podendo dar uma velocidade e um ritmo a esses ônibus bem maior que o atual. Um transporte mais confortável para estimular as pessoas a deixarem o carro em casa e puderem usar o transporte público. A utilização de um transporte não chamaria alternativo, até porque nas condições de esgotamento da estrutura viária do Recife, passa a ser quase que uma coisa que vale a pena investir. Por exemplo, a bicicleta. Eu sou ciclista e a gente sabe como é difícil ser ciclista em Recife hoje, não é? Eu quero trazer aqui para a cidade esse programa que nasceu em Nova Iorque e hoje está sendo implantado em São Paulo, que é o de cidade amiga do ciclista, amiga da bicicleta. Onde você estimula com obras, construindo ciclovias, construindo ciclo faixas, educando os motoristas a respeitar o ciclista. Você promove um crescimento significativo de pessoa que usam a bicicleta não somente como lazer. Quero que o Recife passe a ter um papel ativo no projeto de navegabilidade do Capibaribe e do Beberibe. Eu comecei esse projeto quando eu estava lá na Secretaria das Cidades, Nós licitamos o projeto básico, acompanhamos a elaboração do projeto. Hoje é uma ação feita com dinheiro do governo federal, mas executada pelo governo do Estado e que eu quero que a prefeitura tenha uma participação mais ativa. Inclusive destinando recurso para isso. Esse é um meio de transporte que pode desafogar bastante as nossas ruas. O prefeito deve terminar a Via Mangue antes do final do mandato, mas tem outras obras, pontes, perimetrais que estão em andamento. Outra coisa importante é a questão da política de saúde, que ainda é uma demanda. Recife melhorou muito sua política de saúde de 2001 para cá. Nós vamos aumentar o orçamento da saúde. Quando nós assumimos, a Prefeitura Recife gastava 5% do orçamento com saúde, hoje gasta 15%, que é o que a lei prevê. Eu pretendo ampliar isso. Na educação aumentar as escolas em tempo integral e cumprir as metas de construção dos Cemeis, que são esses centros de educação infantil. Dar continuidade a essa política habitacional que realmente é um marco na cidade.

JC - Qual a grande obra do governo João da Costa?
HUMBERTO
- Inegavelmente a Via Mangue, que vai entrar para a posteridade no município por ser uma obra estruturadora. Apesar de muita gente dizer que é uma obra para o carro, coisas como essas que eu falei do corredor de transporte coletivo tendo como escoar parte dos automóveis para outra região poderão ser viabilizadas. Além do mais, ela é estruturadora, porque nós temos vários investimentos ao longo da via, com empreendimentos comerciais numa área que antigamente era considerada sem valor. Isso tudo é geração de emprego e imposto. A Via Mangue é um grande legado da administração dele. Embora a primeira parte, aquele túnel e todas as tratativas tenham sido feitas na gestão João Paulo, mas inegavelmente é uma obra que marca o governo João da Costa.

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Comentários

Por GM Vítima de João Paulo e CIA,10/07/2012

Esses vermelhos foram um bando de anarquistas que tomaram o Brasil na conversa e depois quando sentaram no trono destruiram as instituições públicas, a começar pela robalheira, associada a incompetência. Lotearam o governo com pelegos sem preparo gerencial técnico e deu na porcaria que está ai. A Guarda Municipal sob o comando de João Paulo e sua turma é um retrato disso. Acabaram com uma instituição secular, não só no aspecto financeiro, mais ainda no moral e ético. Conseguiram dividir, criar uma rede de perseguição e punições a quem questiona-se, ou não demonstra-se simpatia ao descaso. Só o grupo deles que detinham toda espécie de privilégios, mudaram Leis para se beneficiarem, cometendo assim uma série de aberrações legais e morais. Com isso mantiveram a instituição falida, ineficiente e ineficaz. Seu servidores sem espectiva de nada, salários, condições de trabalho e progressão na carreira. O desánimo tomou conta, a revolta dever o grupo político de João Paulo casar e batizar com a estrutura pública, reservando para eles todas as benéfices e vantagens pecuniárias possiveis e inimagináveis. Esse é infelizmente a imágem que temos da gestão do PT e principlamente de João Paulo. Até depois que esse misserável saiu, ficou defora, continuou complicando a vida do seu poste, que queria mudar peças e era impedido pela cupúla de João Paulo. A pior experiência que um servidor pode viver é não mão desses caras. Muitos companheiros depois de pedir aposentadoria, depois de 35 anos dedicados ao serviço público, iam para casa com a metade dos vencimentos, resultado, desgosto, doença e morte. Foi esse o legado deixado por essa turma de João Paulo, que infelizmente nunca será esquecido, pelo que não fez e o que fez foi de ruim.

Por Roberto Adriano,10/07/2012

Quer dizer que as cabeças pensantes vão trocar 6 por meia duzia? Dudu malvadeza é uma fachada boa em propaganda, e tudo isto que esta colhendo hoje foram de anos atrás, pense em um ditador e que não negocia com os funcionários, o mesmo estilo será implantado na PCR, coitados dos ´colaboradores!

Por Suelena de Oliveira Torres,10/07/2012

Concordo com Fernando e Odilon. O PT está fora. Geraldo Júlio deverá ganhar no primeiro turno, arrasadoramente, para mostrar que a população não é idiota como pensam. Que não estraguem a imagem de Dilma.

Por Eraldo Clemente,10/07/2012

A historia do PT não é trabalho, é posição dentro do partido, e ser governo, exigindo cargos, propinas mensalão, desvio de verbas publicas, dinheiro na cueca, compra de dossiê, e outros. Ex. presidente Lula defendendo essas pessoas, quer dizer que é mais um chefões do mensalão também. Só votando nulo com protesto resolveremos essa situação politica brasileira.

Por claudio ferrario,09/07/2012

Maravilhosa a entrevista, companheiro Humberto. Lúcida, clara, tranquila e mostrando o quanto és conhecedor dessa fantástica cidade de nome Recife.

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