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Recife

Candidatos questionam contratos do lixo

Pela primeira vez reunidos em um mesmo debate, candidatos a prefeito do Recife criticam contratos com as empresas que executam o serviço

Publicado em 07/08/2012, às 16h41

Débora Duque e Paulo Augusto

No primeiro debate entre os candidatos a prefeito do Recife, promovido pela Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), a polêmica sobre os contratos firmados administração municipal para garantir a coleta de lixo na cidade voltou à tona. Os postulantes não faziam perguntas entre si, mas respondiam aos questionamentos feito pela organização do evento e por alguns “catadores” que assistiram à discussão.  Até o senador Humberto Costa (PT) reconheceu que o sistema contratação das empresas que executam o serviço  precisa passar por uma reavaliação. Apenas os representantes do PSB, Geraldo Júlio e do PPL, Edna Costa não abordaram o tema em suas exposições.

O primeiro a ressuscitar o assunto foi Roberto Numeriano (PCB) que disse que, no Recife, a temática do lixo costuma frequentar as “páginas policiais”. “Não temos rabo preso com empresas que coletam lixo na cidade. O Tribunal de Contas já mandou a Prefeitura baixar o preço do contrato. Vejam como a coisa é aberta”, provocou.

Demonstrando estar à vontade com a plateia do evento, Daniel Coelho (PSDB) seguiu o mesmo tom de críticas. “Já teve recomendação do TCE para que a Prefeitura dividisse a licitação do lixo em quatro lotes, mas hoje, são apenas dois. Uma única empresa, hoje, é responsável por 80% da coleta da cidade. Por que não aumentar a concorrência?”, questionou.

Mais sutil do que os antecessores, Mendonça Filho (DEM) limitou-se a dizer que a Prefeitura “paga caro” pelo serviço e “exige pouco” das empresas prestadoras. “A nossa mudança passará pela transparência do processo de contratação dessas empresas. Nosso compromisso é rediscutir desde os contratos, o serviço de coleta e o destino do lixo”, afirmou, evitando se aprofundar sobre o tema. Ele preferiu centrar suas críticas à qualidade do serviço. “São 12 anos de gestão PT-PSB e pouco foi feito na questão da limpeza urbana”, completou.

Diante dos questionamentos, Humberto Costa (PT) tentou reforçar pontos positivos sobre a gestão do lixo na cidade. Ele lembrou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi implantada pelo ex-presidente Lula (PT) e afirmou que, antes de o PT assumir a Prefeitura, apenas 60% do lixo era recolhido pela administração municipal. “Hoje temos 100% da coleta estabelecida. Nosso compromisso não é só retórico, mas histórico no Brasil e no Recife também”, afirmou.

Apesar da defesa do selo petista, Humberto admitiu, ao final de sua exposição, que existem questões que devem ser “eticamente” rediscutidas. Ele citou como exemplo o fato de uma mesma empresa - a Vital Engenharia – ser responsável por efetuar 70% da coleta e também pela destinação final do lixo. No ano passado, a Vital adquiriu um terço do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos de Jaboatão, chamado CTR - Candeias, local que recebe 100% do lixo que é produzido no Recife.

Geraldo Júlio preferiu não entrar na polêmica e procurou destacar ações executadas pelo Executivo estadual, como o projeto “Reciclar”. Após o debate, o socialista alegou que a avaliação sobre os contratos firmados pela gestão caberia apenas aos orgãos de controle.

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