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eleições 2016

No Recife, polêmica entre Uber e taxistas toma conta da campanha

Candidatos divergem quando o assunto é a regulamentação do serviço e o convívio com taxistas

Publicado em 06/09/2016, às 17h41

Uber tornou-se um dos temas centrais da campanha à Prefeitura do Recife / Foto: JC Imagem
Uber tornou-se um dos temas centrais da campanha à Prefeitura do Recife
Foto: JC Imagem
Mariana Araújo

Nada de pautas mais tradicionais, como saúde, educação e segurança. A grande polêmica na campanha para a Prefeitura do Recife, neste ano, é a regulamentação do Uber e as queixas dos taxistas contra o serviço presente na cidade. A discussão entre os prefeutráveis começou no último final de semana. O atual prefeito e candidato à reeleição, Geraldo Julio (PSB), encerrou antes do previsto uma caminhada que fazia no sábado (3) pela manhã. O motivo teria sido um protesto organizado por taxistas, que aguardava o prefeito-candidato no local que seria o final do trajeto previamente divulgado pela sua assessoria. A caminhada ocorreu no bairro de Campina do Barreto, na Zona Norte.

A atitude foi mal recebida pelos taxistas e Geraldo tentou resolver o problema. O socialista chamou a classe para conversar no final de semana. Foi divulgado um vídeo, gravado pelo próprio prefeito, afirmando que tem capacidade de diálogo e afirmando que irá intensificar a fiscalização do Uber. 

"Existe uma lei federal que diz que no Brasil o transporte individual de passageiros é privativo de taxista. A Prefeitura do Recife vem cumprindo a sua capacidade de fiscalização e vai intensificar. Vai ser feita uma comissão para ser uma interlocução permanente com os taxistas para fazer o acompanhamento de todas as ações de fiscalização para que seja cumprida a lei federal", afirma o prefeito-candidato na gravação. 

Nessa segunda-feira (5), Geraldo Julio divulgou um novo vídeo nas redes sociais reafirmando que irá cumprir a lei federal com a fiscalização do transporte individual do passageiro. "A opinião do prefeito sobre o Uber não tem qualquer influência aqui no Brasil, pois existe uma lei federal que diz que o transporte individual de passageiro só pode ser feito por taxistas. Sendo assim, qualquer candidato a prefeito que prometer que vai regulamentar o Uber não está dizendo a verdade, pois isso só pode ser feito no Congresso Nacional", explica o gestor no vídeo. 

A partir daí, os adversários do socialista expuseram suas opiniões sobre o tema e criticaram o prefeito-candidato. Os maiores ataques vêm do principal adversário no pleito, João Paulo (PT), que já governou a cidade por dois mandatos, de 2001 a 2008, e está em empate técnico com o socialista nas principais pesquisas de opinião de voto. Em uma caminhada na noite de segunda (5), também durante ato no bairro de Campina do Barreto, João Paulo afirmou que a atitude de Geraldo Julio foi "amadora". 

Nesta terça (6), em um evento com profissionais da área de saúde, o petista endureceu os ataques. "Ele é um vacilão e não tem coragem. Até agora ele não resolveu esse negócio do Uber porque não tem posição, não tem coragem para enfrentar. Fica na moita o tempo todo. Chega, chama os taxistas à noite, grava um vídeo (...). Chama os caras de noite, não tem representação formal, não chama o Uber e diz que 'aqui é o diálogo', não sei o que, não sei o que", disse João Paulo.

OUTRAS OPINIÕES

Em terceiro lugar nas pesquisas, Daniel Coelho defende a regulamentação, porém afirmou que irá debater o assunto com os taxistas. "Precisa entender que novas tecnologias virão. Não é só o Uber. A Google estaria abrindo o próprio aplicativo de transporte, não sei exatamente qual modelo. Mas existem novas tecnologias que podem aparecer. Hoje, é o Uber. Daqui a um ano, não sei o que virá. Precisa de regra, precisa de regulamentação. Mas precisa também conversar e dialogar com o taxista. O taxista, que é uma categoria importante, precisa saber que vai ter um prefeito disposto a sentar a mesa e que o serviço de táxi precisa ser viabilizado. As novas tecnologias não precisam vir para desmontar um serviço importante para o turista, para a população", afirmou, em entrevista à Rádio Jornal, na última quinta (1º).

Já a candidata Priscila Krause (DEM) foi direta ao defender a regulamentação do serviço. "O Uber veio para ficar. Vamos discutir a regulamentação deles", afirmou, durante entrevista na Rádio Jornal, na última sexta-feira (2). Por outro lado, a democrata disse que também está entre as suas propostas a revisão da lei de concessão dos taxistas. "Precisamos revisar a lei para dar mais competitividade aos taxistas, são mais de 7 mil famílias", acrescentou, na mesma entrevista. 

Edilson Silva (PSOL) também é favorável à regulamentação do Uber. "Não podemos atentar contra o desenvolvimento tecnológico. É como barrar a primavera", disse o candidato, também em entrevista à Rádio Jornal. "Acho que deve ser regulamentado o quanto antes. É preciso acabar com a concorrência desleal. E isso, nós somos contra", completou, na mesma entrevista, concedida nessa segunda (5). 

O postulante do PV, Carlos Augusto Costa, também promete chamar as duas categorias para discutir o assunto. "A gente percebe que tem muita conversa a ser feita até chegarmos a um consenso. A omissão da Prefeitura não pode continuar", declarou, em nota. 

"Todas as pessoas têm o direito de escolher a forma de se locomover. O único problema é que o Uber não é regulamentado. Regulamentando o Uber, não há problemas. O Uber é um produto do capitalismom mas existem taxistas que fazem parte de uma frota em que o dono é um só, por exemplo", disse Pantaleão (PCO), também em entrevista à Rádio Jornal, nesta terça (6). 

"Nossa posição é contra tanto a exploração da Uber por uma empresa multinacional que leva a riqueza para fora daqui, quanto por cooperativas ou donos de frota de táxi. Defendemos um modelo alternativo onde junto aos taxistas e motoristas da Uber que garanta um sistema justo e uma nova regulamentação que atenda aos dois setores , com tarifa reduzida e popularizada que a população seja beneficiada. Ganhando as eleições, discutiremos um modelo alternativo ao Uber e ao modelo de táxi atual, através dos conselho populares sem a exploração das cooperativas nacionais ou do grupo imperialista norte-americano aos motoristas", afirmou, em nota, a candidata do PSTU, Simone Fontana. 

RESPOSTA      

Em nota, a Uber afirmou que o serviço de transporte individual privado de passageiros “tem respaldo na Constituição Federal e é previsto na legislação federal (Código Civil de 2002 e Política Nacional de Mobilidade Urbana - PNMU Lei Federal 12.587/2012)”. A nota, diz, ainda, que o serviço é regulamentado na cidade de São Paulo e no Distrito Federal. A regulamentação está em discussão em Porto Alegre e Vitória. A empresa não comentou como estão as conversas com a Prefeitura do Recife, nem a paralisação programada dos condutores, além de não revelar a quantidade de veículos cadastrados no Recife.

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Comentários

Por João Sergio,07/09/2016

No Brasil é assim só destroem as classes de trabalhadores que não tem força política como os taxistas. Se estão deixando um aplicativo UBER de outro país levar o capital para fora mesmo com uma lei federal especifica proibindo então vamos liberar outros aplicativos para quem tem um micro-ônibus levar os passageiros para o centro do Recife (será que as empresas de ônibus vão aceitar?), ou um aplicativo para qualquer usar o carro como transporte escolar. Não precisamos de leis ou regulamentação basta uma empresa estrangeira criar um aplicativo. Taxista é uma profissão motorista de UBER é uma renda extra, existem casos de motoristas do UBER que trabalham em uma empresa durante o dia e a noite vai rodar como UBER. Como todos nós sabemos toda crise é cíclica essa também vai passar e quem tá dirigindo como UBER hoje amanhã vai voltar para as suas profissões e os taxistas que são 7 mil deles em Recife e suas famílias que gira em torno de 25 mil recifenses vão amargar o prejuízo que já está acontecendo. Quantos familiares de taxistas ligam para as rádios de Recife todos os dias implorando para as autoridades salvarem os taxistas pois estes tiveram 25% de redução das corridas devido a crise e mais 50% de redução devido ao UBER ou seja 75% é questão de tempo para os taxistas falirem. Portanto se for para liberar aplicativos que liberem para concorrer com todas as classes de trabalhadores pois do jeito que está é uma das maiores injustiças da história com um grupo de trabalhadores no Recife. Sou usuário e acho sim que os taxistas tem muitas melhorias a serem feitas e acho que a fiscalização aos taxistas também deveria aumentar mas exterminar uma classe de trabalhadores do jeito que estão fazendo mostra que o capital é mais importante do que a dignidade.



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