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Pesquisa indica apatia e descrença do recifense nas manifestações

Insatisfação silenciosa foi investigada na pesquisa do Instituto Uninassau, que foi às ruas para saber os motivos da desmobilização popular

Publicado em 13/08/2017, às 07h34

Houve um esfriamento na mobilização de rua. Na votação da denúncia do presidente Temer, por exemplo, só havia um manifestante em frente à Câmara dos Deputados / Foto: JC Imagem
Houve um esfriamento na mobilização de rua. Na votação da denúncia do presidente Temer, por exemplo, só havia um manifestante em frente à Câmara dos Deputados
Foto: JC Imagem
Marcela Balbino

Dois fatores - queda no poder de consumo e diminuição no sentimento de bem-estar - poderiam agir como gasolina no fogo da insatisfação popular, mas a apatia parece contaminar as manifestações políticas. Ao menos essa é a leitura revelada pela pesquisa do Instituto de Pesquisas Uninassau que avaliou o engajamento dos recifenses nos protestos. Segundo o levantamento, 73,4% dos entrevistados são favoráveis às manifestações de rua, mas, somente, 19,4% desse total saiu do sofá efetivamente para protestar.

A pesquisa mostra ainda o silêncio das ruas nas manifestações contra o presidente Michel Temer (PMDB), diferente do que aconteceu com o processo contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O paradoxo maior se revela no número da rejeição a Temer e no imobilismo para protestar. Dos ouvidos, 84% dizem que o presidente não deve continuar no poder, mas 60,3% afirmam que não têm vontade de ir às ruas.


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Durante o governo da petista, 55,1% dos entrevistados afirmaram que não foram favoráveis às manifestações, contra 41,7% que apoiaram. No entanto, só 8,8% dos ouvidos participaram de algum ato pedindo a saída da presidente. Entre os principais motivos para pedir sua saída estavam: melhorar o País, fim da corrupção, pedaladas fiscais e defenestrar o PT.

Para o coordenador da sondagem, o cientista político Adriano Oliveira, as pessoas estão em silêncio porque estão desacreditadas no poder da manifestação e temem violência. Ele observa ainda que, no Brasil, são necessários dois fatores para estimular a ida às ruas: algum fato explosivo, como notícias negativas de escândalos contra presidentes, e mobilização dos movimentos sociais. "Se esses indutores não estão nas ruas, isso reforça a não presença desses manifestantes", afirma.

No dia 2 deste mês, durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, havia expectativa de que seria o ápice da força do "Fora, Temer", mas os movimentos sociais, embora tenham comentado sobre protestos, não apareceram. O mesmo ocorreu com grupos organizados que costumam encabeçar manifestações contra a corrupção. A cena foi bem diferente do dia em que se votou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em que protestos com milhares de cidadãos pró e contra a medida ganharam destaque. Com Temer, o que chamou a atenção do lado de fora da Câmara foi a ausência de manifestantes.

Tão grande quanto à apatia é a rejeição à classe política, que beira a intolerância. A sondagem questionou os entrevistados sobre o sentimento quando estão diante de um político e 96,6% respondeu que sente tristeza, raiva e insatisfação.



As instituições também estão em baixa. Os bombeiros são os que têm maior confiança entre os recifenses (33,2%), seguidos da Polícia Federal (16,2%) e das Forças Armadas (15,3%). As instâncias da Justiça, como Ministério Público (5,9%) e o Poder Judiciário (4,8%), estão no fim da lista, à frente apenas do Congresso Nacional (1,9%) e dos partidos políticos (1,4%).

Adriano explica que a admiração pelos poderes é personalizada e não coletiva. Exemplo é a simpatia pela figura do juiz Sérgio Moro ou do promotor Deltan Dallangnol. "Não é pela instituição, mas pela pessoa", explicou.

O levantamento mostra também um desejo crescente em morar fora do País. Dos entrevistados, 39,1% disseram querer ir embora do Brasil. Os principais problemas apontados são corrupção, falta de segurança, políticos, saúde pública e desemprego.

REDES SOCIAIS

Quanto ao uso das redes sociais, a pesquisa mostrou uma realidade diferente da sentida pela maioria das pessoas. No material, 71,4% dos ouvidos afirmaram não emitir opiniões políticas em grupos de WhatsApp e outros 72,7% disseram não tratar do tema pelo Facebook. "A gente superdimensiona o papel da rede social na política. É importante ter cuidado para não supervalorizar. Existe a participação, mas ela não é majoritária", afirmou Adriano Oliveira.

A pesquisa ouviu 624 entrevistados entre os dias 7 e 8 de agosto no Recife. O nível de confiança é estimado em 95% e a margem de erro é de quatro pontos percentuais.


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