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Estudo

Pesquisa Uninassau mostra que eleitores almejam o novo na esfera política

O levantamento ouviu 624 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 4 e 5 de outubro deste ano.

Publicado em 11/10/2017, às 05h04

Segundo o cientista político Adriano Oliveira, a prática política é vista como algo ruim por parte dos entrevistados / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Segundo o cientista político Adriano Oliveira, a prática política é vista como algo ruim por parte dos entrevistados
Foto: Guga Matos/JC Imagem
RENATA MONTEIRO
rmonteiro@jc.com.br

Há pelo menos quatro anos, escândalos de corrupção surgem quase todos os dias no Brasil. Os sucessivos golpes à confiança do eleitor nesse período deixaram uma marca, exposta na pesquisa O Eleitor e suas Visões de Mundo, feita pelo Instituto de Pesquisas Uninassau em parceria com o JC e o Leia Já. O estudo, desenvolvido no Recife, ouviu 624 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 4 e 5 de outubro deste ano.

De acordo com o levantamento, para 90% dos entrevistados a corrupção não está presente apenas na classe política, ela também pode ser identificada em várias outras esferas da sociedade. O descrédito em relação aos políticos, entretanto, é mais visível. Questionados se todos eles seriam iguais, 57% dos pesquisados disseram sim, contra 24% que concordaram parcialmente com a pergunta e 18% que discordaram.

NOVO

A pesquisa do Instituto Uninassau indica ainda que 41% dos entrevistados acreditam que pessoas que não estão na política podem mudá-la. O mesmo percentual de pesquisados disse que, em um cenário eleitoral que tivesse um político tradicional com vários mandatos de deputado, um com apenas um mandato de deputado e outro que nunca disputou uma eleição, escolheria o novato. Para 56% dos que responderam a pergunta, porém, talvez essa nova cara fique igual às demais caso seja eleita.



“As respostas que obtivemos sugerem um espaço para o novo na política, mas será que esse candidato novo estará disponível em 2018? Além disso, a pesquisa mostra que não basta o candidato se apresentar como uma novidade, ele precisa provar que pode, de fato, mudar a realidade das pessoas”, explicou o cientista político Adriano Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco.

DESCONFIANÇA

Medindo o índice de confiança do eleitorado, o estudo apontou que 40% dos pesquisados responderam que desconfiam muito de políticos e 37% disseram que apenas desconfiam. Só 5% dos que participaram da pesquisa disseram confiar na classe política. A incredulidade dos eleitores é tão grande que 62% deles afirmaram que não colocariam a mão no fogo pelo filho, caso ele fosse político e recebesse uma denúncia por corrupção. “A prática política é vista como algo ruim por parte dos entrevistados”, observou Oliveira.

O levantamento mostra ainda que a descrença não vai afastar os pesquisados das urnas em 2018. 51% deles disseram que vão votar no próximo ano e 21% responderam que não vão. Quando perguntados sobre o motivo da resposta, 46,2% afirmaram que esperam mudanças e 20,8% ressaltaram que só votarão por obrigação.


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