Apaixonado pelo mar, o goleiro do Sport, Alessandro Beti Rosa, o famoso Magrão, gosta de acordar cedo todos os dias para apreciar a paisagem de sua janela, que dá para a beira-mar da Praia de Boa Viagem. Casado com Marylu e pai de três filhos, Rafael, 11; Lucas, 12, e Gabriela, 17, o atleta de 35 anos ainda celebra o título de Cidadão Recifense, recebido há menos de uma semana. No papo com Thiago Wagner, ele lembra histórias da infância e confessa que se não continuar morando no Recife após pendurar as chuteiras, adoraria viver na Europa.
JC – Como foi a vinda para o Recife?
MAGRÃO – Vim sem a família para ver o apartamento primeiro. Fiquei em hotel longe de mulher e filhos por uns dez dias. Depois eles vieram. Isso há uns 7 anos. Como sou de São Paulo, sempre quis morar na beira-mar. No início, vivi num apartamento um pouco afastado do mar. Depois fui para uma casa. Só que as pessoas começaram a me reconhecer. Voltei para um apartamento, que é esse que estou agora.
JC – Por que esse gosto pelo mar?
MAGRÃO – Gosto muito de nadar e da ideia de liberdade que sinto no mar. Aqui é um pouco complicado por causa do tubarão, então fico mais admirando. Acordo cedo e fico olhando... Vi até uma raia certa vez. É uma terapia para mim. Gosto de visitar praias. Já fui a Gaibu, Itamaracá, Porto de Galinhas e Carneiros.
JC – Pratica ou já praticou outros esportes quando mais novo?
MAGRÃO – Era bom no tênis de mesa. Jogo desde pequeno. Parei porque tive uma lesão nas costas e fiquei com medo de ter de novo. Quem sabe um dia não volto? Também fiz vôlei na adolescência. Era reserva porque o time era muito bom e ganhava muitos campeonatos, mas eu sempre jogava. Tenho medalhas dessa época.
JC – Foi uma criança peralta?
MAGRÃO – Era uma criança normal como qualquer outra. Brincava de tudo. Hoje, as crianças ficam só no computador. Também não há muitos espaços para brincar como antes. Construíram um parque do lado de casa, o Dona Lindu, mas é só cimento.
JC – Arrepende-se de algo?
MAGRÃO – Tem uma história em que quase matei um amigo meu sem querer na escola. Era uma brincadeira de puxar cadeira. Puxei a do garoto e ele bateu a cabeça na parede. Na hora todo mundo riu, mas depois ele desmaiou e fiquei preocupado. O menino teve que ir para o hospital e ficou em observação. Chorei e fiquei com medo. Depois disso, sempre que havia alguma brincadeira de mau gosto, eu alertava que alguém poderia se machucar.
JC – O que sonha realizar?
MAGRÃO – Quero ir para a Europa algum dia. Morar em algum país europeu.
JC – Quer dizer que vai embora do Recife quando encerrar a carreira?
MAGRÃO – Eu e minha família ainda não definimos, mas moraria no Recife também. Gostamos demais daqui, bem mais do que de São Paulo, que é onde moram nossos parentes. Existem grandes chances de seguirmos nossa vida aqui também.
JC – Ficou surpreso com o título de cidadão recifense?
MAGRÃO – Fiquei meio bobo quando me disseram. Não acreditei. Depois pensei em tudo o que já fiz aqui. Eu era bem humilde e cresci até chegar onde cheguei. É muito gratificante.
JC – Já se sente um recifense?
MAGRÃO – Sim, me sinto. Não peguei o sotaque, como meus filhos, mas me sinto sim.
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