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Saúde

Degeneração macular relacionada à idade exige cuidados

Graças a novas medicações e ao ômega-3, é possível controlar os efeitos causados pela DRMI, doença que compromete a visão

Publicado em 16/07/2012, às 16h38

Cinthya Leite

SAN JOSÉ – Imagine um tabuleiro do jogo de damas com as suas casas bem delimitadas por linhas retas. Quem tem a saúde ocular sob controle olha fixamente para as casas e tem uma boa visão do jogo. Pessoas que convivem com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) veem as linhas do tabuleiro distorcidas e onduladas, especialmente ao redor da região central. Esse é um dos primeiros sinais de alerta dessa doença pouco conhecida, embora seja a principal causa de perda de visão e cegueira em pessoas com mais de 65 anos.

Dessa maneira, neste mês de julho marcado pelo Dia Mundial da Saúde Ocular (no último dia 10), especialistas chamam a atenção para o fato de a maioria dos pacientes com DMRI não receber o tratamento ideal para manter a saúde ocular e prevenir a perda acelerada da visão. Para alertar em relação a esse problema, experts reuniram-se recentemente na capital da Costa Rica, durante o 5º Congresso da Sociedade Panamericana de Retina e Vítreo, para apresentar o Consenso latino-americano sobre DMRI.

“Graças a novas medicações, conseguimos administrar a perda da visão e reduzir o risco de cegueira nos pacientes com DMRI úmida, tipo da doença que tem tratamento”, diz o oftalmologista Walter Takahashi, chefe do setor de retina e vítreo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

A outra forma de DMRI é a seca, que abrange 80% dos casos da enfermidade, mas que não dispõe de terapêutica farmacológica. Diferentemente da úmida, a seca geralmente não causa perda abrupta e total da visão central.

“Ainda assim, portadores da forma seca da enfermidade podem se beneficiar com o consumo suplementar de ômega-3 e de substâncias antioxidantes, como as vitaminas C e E. Pesquisas já comprovaram que essa ingestão pode ter o papel de retardar a evolução da doença”, complementa Takahashi.

No caso dos pacientes com a forma úmida, que contam com medicação, a comunidade médica informa que, na última década, houve uma evolução na forma de tratar a doença. “O padrão ouro são as terapias antiangiogêneses, que agem para cauterizar o crescimento anormal dos vasos sanguíneos sob a mácula, localizada no centro da retina. Dessa maneira, a medicação pode estabilizar a perda da visão”, explica o oftalmologista Marcelo Ventura, do Hospital de Olhos de Pernambuco (Hope).

Atualmente, para a DMRI úmida, pacientes brasileiros contam com o ranibizumabe. Aprovado em 2006 para conter a doença, é um inibidor da angiogênse – fenômeno caracterizado pelo crescimento indesejado de vasos sanguíneos. Estudos clínicos mostraram que cerca de 40% das pessoas tratadas com o fármaco apresentaram melhora significativa da acuidade visual. Um fato curioso é que o ranibizumabe é aplicado mensalmente no olho, pelo oftalmologista, através de uma injeção.

“Primeiramente, os pacientes ficam apreensivos. Em geral, 50% não sentem dor durante o procedimento. A outra metade sente um leve incômodo, como uma picadinha”, diz a oftalmologista Ana Paula Teles, do Med Center – Centro de Olhos. De 2010 até hoje, ela já conduziu aproximadamente 600 injeções intraoculares. “Felizmente, os planos de saúde cobrem esse tratamento.”
A dona de casa Ivonete Arruda, 63 anos, faz parte do universo de 3 milhões de pessoas no mundo que convivem com DMRI úmida.

 “A doença foi detectada há menos de um ano, num exame de rotina. Como também tenho outros problemas de visão, não achava que a minha dificuldade para ler e a vista embaçada eram por causa da DMRI”, conta Ivonete, que já se submeteu às aplicações da medicação no olho. “Estou tranquila porque a minha oftalmologista disse que o tratamento pode fazer com que o problema não evolua rápido.”

Um detalhe importante é que, antes de o ranibizumabe ser aprovado, alguns oftalmologistas experimentaram outro agente: o bevacizumabe, indicado para câncer de colorretal – outra doença em que se observa o crescimento de novos vasos sanguíneos. A questão é que o bevacizumabe não recebeu aval das autoridades regulatórias para uso no olho.

Também conforta saber que outro inibidor da angiogênese, direcionado para DMRI úmida, está para chegar ao Brasil. Trata-se do aflibercept, aprovado em 2011 nos Estados Unidos e recentemente na Austrália. Já foi submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em estudos clínicos, com uma aplicação a cada dois meses, o aflibercept mostrou resultados equivalentes ao já consagrado ranibizumabe, que requer injeção intraocular uma vez por mês.

“É importante trabalharmos para os portadores terem acesso a terapêuticas”, diz a presidente do Grupo Retina Brasil, Maria Júlia de Silva Araújo. Em San José, ela acompanhou as discussões sobre o assunto. “A América Latina ainda precisa tomar medidas imediatas e a longo prazo, capazes de vencer barreiras relacionadas ao diagnóstico precoce e ao tratamento da doença”, conclui.

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Por Retina Brasil,25/07/2012

No dia 26 de julho se comemora o Dia dos Avós! Preparamos uma mensagem de conscientização sobre a importância do acompanhamento médico e detecção da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Visite-nos no Facebook, participe e ajude-nos a divulgar! http://migre.me/a0M7N

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