Jornal do Commercio

A força do candomblé

A religião que não aparece nos livros de história atravessou séculos de peconceito e perseguição para manter-se viva

Publicado em 31/08/2012, às 18h13

Mãe Valda é árdua defensora da  liturgia do candomblé / Foto: Igo Bione/JC Imagem

Mãe Valda é árdua defensora da liturgia do candomblé

Foto: Igo Bione/JC Imagem

Bruna Cabral

Nem catimbó, nem macumba. Candomblé é verdade e foça para milhares de brasileiros de todas as cores e condições financeiras Brasil afora. Segundo o babalorixá do terreiro Obá Ogunté Sítio de Pai Adão, Manoel Papai, só Pernambuco contava com  mais de cinco mil terreiros em funcionamento nos idos de 2002.

Mesmo assim, essas famílias formadas com a bênção dos orixás são vítimas de um preconceito histórico que revela chagas sociais abertas ainda no período colonial. "O branco tem mania de dançar nossa música, comer nossa comida, mas não quer respeitar nossa crença", lamenta Ivo de Xambá, pai de santo do terreiro Ilê Axé Oyá Meguê, erguido no meio de um dos poucos quilombos urbanos do País.

Segundo ele, o candomblé nunca teve sua história contada no papel, nunca foi respeitado como religião pela maioria dos brasileiros e mesmo assim persiste. "Se houvesse historiadores entre os leões, a história não seria contada pela ótica do caçador", diz Ivo, citando um trecho de um poema negro que perpetuou-se pela tradição oral.  

O que ele Manoel Papai e Mãe Valda, do terreiro Ilê Asé Sango Ayrá Ibonã, ainda precisam lutar todo santo dia para conquistar em pleno século 21 é o direito de crer e celebrar sua crença. Conheça melhor esses líderes espirituais, sua força e sua fé na matéria de capa do caderno Arrecifes deste domingo.

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