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Ariano Suassuna revela devoção à literatura, ao Recife e ao Sport

Aos 85 anos, escritor bateu um papo descontraído sobre o começo da carreira, a relação com o Recife e o time de coração

Publicado em 05/01/2013, às 13h00

"Tem um livro chamado Scaramouche, que já li várias vezes. Outro dia, emprestei a um neto, aí fiquei com inveja e li de novo."

Alexandre Gondim/JC Imagem

Bruna Cabarl

Dramaturgo, romancista e poeta, Ariano Suassuna, 85 anos, um dia sonhou em ser palhaço. Mas descobriu os livros e virou o coletivo ambulante do verbete causo. Com sua retórica irresistivelmente nordestina e cômica, o bacharel em direito, pai do Movimento Armorial e membro da Academia Brasileira de Letras falou a Bruna Cabral de seu amor pela literatura, pelo Recife e pelo Sport. "Dizem que sou rubro-negro doente, mas não. Sou rubro-negro saudável. Doentes são os torcedores de outros times, que não sabem escolher", salientou ele na entrevista.

JC – Quando decidiu encher o mundo de letrinhas?
ARIANO SUASSUNA – Comecei a querer ser escritor aos 12 anos, quando fiz meu primeiro conto. Na época, era um assassino terrível. Quando não sabia o que fazer com um personagem, matava.

JC – Lê bastante? Quem são os autores que não saem de sua cabeceira?
ARIANO – Minha leitura é muito variada, compreende? Mas tem uma coisa: gosto mais de reler do que de ler. Quando gosto de um livro, leio ele a vida toda. Tem um livro chamado Scaramouche, de Rafael Sabatini, que já li várias vezes. Outro dia, fui emprestar a um neto, aí fiquei com inveja e li de novo. Sou um escritor de poucos livros e de poucos leitores e também sou um leitor de poucos livros.

JC – Qual seu cenário recifense cativo?
ARIANO – O Recife tem muito lugar pra eu gostar. Mas tem um que me toca, particularmente. É o Marco Zero. Foi lá que vi meu pai pela última vez. Ele era deputado federal, estava indo para o Rio de Janeiro e fomos levá-lo para tomar o navio. Ainda hoje tenho na memória a visão dele dando adeus, emoldurado pela janela do camarote.

JC – Está feliz com seu time?
ARIANO – Estou, não. Dizem que sou rubro-negro doente, mas não. Sou rubro-negro saudável. Doentes são os torcedores de outros times, que não sabem escolher.

JC – É um andarilho entusiasmado, não é?
ARIANO – Já fui. Além de não ter mais tempo para andar, a idade não deixa.

JC – E do Carnaval, gosta?
ARIANO – Depende. É engraçado que tenho fama de carnavalesco, porque já desfilei numa escola de samba do Rio e numa de São Paulo. Aí, pensam que sou um grande entusiasta. Não sou não. Gosto é de ficar sossegado em casa, lendo. Mas depois que fui ao do Rio, eu aí decidi prestigiar a festa recifense e comecei a ir. Gosto muito dos espetáculos populares, como o maracatu rural.

JC – Falaram muito no fim do mundo. Se fosse para o senhor escrevê-lo, como seria?
ARIANO – Aí você me coloca numa situação muito difícil. Pelo seguinte: a última pessoa que eu respeito que escreveu sobre esse assunto chama-se São João Evangelhista, no Apocalipse, que é um livro lindo. Decorei uma frase dele quando menino que tem me servido muito. “E viu-se um grande sinal do céu: uma mulher vestida de sol, tendo a lua sob os seus pés e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela estava grávida, com dores do parto e gemia com ânsia de dar à luz.” Como terei o atrevimento de concorrer com ele?

Leia a entrevista completa na ediçao de Arrecifes no Jornal do Commercio deste domingo.




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