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carne

Jeito gaúcho na Avenida do Chopp

Baby beef (acima), bife de tiras, bife ancho e bife de chorizo de origem argentina

Publicado em 23/03/2012, às 11h11

Do JC Online

Como todo gaúcho, Valcir Pinheiro traz no sangue a arte de churrasquear. Nisso, ele não difere em nada de seus conterrâneos, que não podem ver uma grelha, doméstica que seja, que não se arvorem a senhores dos truques e segredos de uma chuleta ao ponto. No entanto, a história de Valcir tem voltas que só um espeto sobre a brasa pode dar. Numa dessas, eis ele de novo no Recife, comandando a casa Avenida do Chopp, cujo início foi marcado sob o nome Bar da Praia.

O retorno de Valcir a esta cidade que, declaradamente, adora – ele já esteve à frente do Portão Grill, em Casa Forte – deve-se exatamente a esta requalificação de um dos pouquíssimos endereços gastronômicos fincados na valorizada beira-mar de Boa Viagem/Pina. Além de mudar o nome e interferir no menu, embora mantendo a linha-mestra que ousa contemplar dos petiscos à sobremesa, na versão empratados e para dividir, o Avenida do Chopp quer definitivamente fazer a diferença no quesito carnes. Aí entra em cena o expert Valcir Pinheiro que, depois de examinar atentamente a concorrência, optou por um formato bem específico: um híbrido entre steak house e churrascaria tradicional, com passadores.

O preço é realmente tentador: por R$ 29,90, diariamente na hora do almoço, o cliente poderá participar do rodízio de carnes nobres, que encampa, ainda, um bufê de frios e quentes. Este último é, pode-se dizer, modesto se comparado a outras propostas mais fartas e diversificadas, mas satisfatório. De um lado, saladas, frios e conservas, do outro carboidratos como base de variadas receitas. O foco, aqui, não se desvia das carnes, às quais Valcir dedica desvelo de pai, apresentando o produto in natura sempre que o cliente mostra interesse.

Há motivos para tanto orgulho. Os cortes servidos no Av. do Chopp em nada ficam a dever, em termos de procedência, aos melhores do ramo: baby beef, bife de chorizo, bife ancho e bife de tiras da marca argentina Coto, preparadas em charbroiler, equipamento que permite selar a carne por fora, mantendo os sucos no interior e a textura perfeita. Este cortes serão oferecidos aos clientes à la carte e não no espeto.

A vantagem, segundo Valcir, é que ela não perde qualidade no vaivém do salão e o desperdício é menor, pois os nacos são preparados sob medida para atender necessidades individuais. “Mantivemos alguns cortes no espeto, mesmo porque este já é um hábito enraizado entre os clientes das churrascarias tradicionais. Mas é certo que, ao provarem os cortes nobres à la carte, todas as atenções se voltarão para eles”, garante o especialista.

Valcir Pinheiro saiu do município de Palmeira das Missões quando tinha apenas 18 anos. “Foi só cumprir a promessa que fiz ao meu falecido pai – de casar as irmãs – que eu peguei a mala e parti, decidido a fazer a vida numa cidade maior”, lembra Valcir. O destino foi o Rio de Janeiro, cidade que, segundo haviam lhe falado, contratava qualquer gaúcho que chegasse lá com disposição para trabalhar. “Um amigo me entregou um cartão da churrascaria Marius, ainda hoje uma referência no Rio de Janeiro, me dizendo que era só me apresentar que estaria empregado”. Obviamente, não foi bem assim, ficou faltando avisar à direção da empresa que essa lenda corria mundo.

“Bom, mas eu estava lá e não queria desistir. Passei a ir todos os dias até que venci pelo cansaço e ele me aceitaram. Antes disso, dormi e tomei banho em rodoviária. Havia passado tantos dias sem comer que, na minha primeira refeição como funcionário, eles pensaram seriamente se haviam feito um bom negócio”, diverte-se Valcir.
A chance não foi desperdiçada. No Marius, diz Valcir, ele percorreu todos os postos disponíveis, de varredor de salão a gerente de várias casas. É esse know-how que Valcir Pinheiro quer mostrar ao público do Recife.

Avenida do Chopp – Av. Boa Viagem, 760, fone: 3326-8403

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Comentários

Por Cervejaria Kremer,30/08/2012

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