Jornal do Commercio
Olinda

Beijupirá comemora dois anos no alto

Charmoso restaurante da Cidade Alta lança novos pratos para marcar o aniversário

Publicado em 06/10/2012, às 11h06

Como entrada, vá de Pra distrair: queijo em cubinhos, camarão no vapor, ceviche de agulha, torradas amanteigadas e azeitonas / Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Como entrada, vá de Pra distrair: queijo em cubinhos, camarão no vapor, ceviche de agulha, torradas amanteigadas e azeitonas

Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Flávia de Gusmão

Pois é, lá se vão dois anos desde que a grife Beijupirá resolveu se instalar na Cidade Alta, em Olinda, quebrando mais um paradigma. Em pleno furor da lei seca e suas blitzes, não faltou quem dissesse que a nova localização não ia “pegar”, que ninguém iria percorrer tantos quilômetros para conferir, e que isso e aquilo.

Pegou, e pegou bem, eu diria, e olha que acessibilidade não é o forte desse restaurante. Encravado de tal forma entre a Ladeira da Misericórdia, lá em cima, e a Rua do Amparo, muitos metros abaixo, o projeto arquitetônico do Beiju previa o auxílio de um elevador panorâmico que, depois de deslumbrar os visitantes, parou sem que o proprietário João Didier conseguisse consertá-lo, e olha que tentou. A solução, então, não é para todo mundo: descer as escadas via Misericórdia/Amparo ou cobrir o percurso, na direção oposta, com a desvantagem de subir os degraus, embora uma distância menor.

O esforço, normal para quem não tem problemas de mobilidade, mas considerável para quem o tem, é recompensado ao chegar no ambiente incomparável do Beiju. Uma espécie de casa na árvore com vista para o Recife e Olinda, do alto. A melhor mesa – obviamente a mais difícil de conseguir – é a que fica na varanda, literalmente debruçada e isolada do resto da casa. Quando eu penso no Beijupirá, eu penso em diversão, prazer para os olhos e bons drinques, mais do que penso em sentar e comer uma refeição inteira. E a culpa disso é de Adriana Didier, a mente criativa (e bota isso nisso) por trás da marca.

Experiência extrassensorial é pedir um vinho branco e começar a pensar na vida na companhia da entrada, apropriadamente batizada de Pra distrair: uma bandejinha com concavidades que dão suporte a coisinhas de beliscar: queijo em cubinhos, camarão no vapor, ceviche de agulha, torradas amanteigadas e azeitonas.
Depois, parte-se para os bolinhos: o de bacalhau e o de charque, tão cremoso nunca vi. E ainda sobra espaço para o filezinho de saramonete com aspargos crocantes e ovo poché por cima. Veem porque eu nunca consigo alcançar o prato principal?

Mas, falemos deles. Para comemorar o aniversário de dois anos, o Beijupirá Olinda lançou dois novos pratos: o Frevada, que também comemora o prêmio concedido pela revista Veja Comer & Beber Recife 2012 ao restaurante na categoria de Frutos do Mar, e o Maracangu. O Frevada reúne lagosta, polvo, lula, camarão, peixe e marisquinhos fervidos no leite de coco, acompanhados de arroz e cuscuz.  É como se fosse uma paella de frutos do mar, carro-chefe do restaurante, numa leitura regional.

O outro prato escolhido para celebrar o aniversário do restaurante leva charque crocante desfiada, arroz com angu e queijo manteiga, além de cubos de batata-doce no mel de engenho. Inicialmente criado para o 9º Festival Rio Bom de Mesa, que aconteceu no Rio de Janeiro, em junho, o Maracangu só agora poderá ser provado pelos pernambucanos. O prato virá acompanhado de um brinde no clima de Olinda: um dos bonecos gigantes de Olinda.

Serviços

Rua Saldanha Marinho, Alto da Sé, s/n, ao lado da Igreja da Misericórdia. Reservas: 3439-6691/ 9734-1144. De sexta a segunda, almoço e jantar, a partir de 12h; quarta e quinta, apenas jantar, a partir das 18h. Fecha na terça-feira




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