Jornal do Commercio
Política da arte

O riso como forma de protesto

Coletivo Lugar Comum está em processo de criação da performance Motim, que usa o riso como ação política

Publicado em 14/04/2014, às 07h00

Coletivo Lugar Comum usa o riso como forma de protesto na performance Motim / Edmar Melo / JC Imagem

Coletivo Lugar Comum usa o riso como forma de protesto na performance Motim

Edmar Melo / JC Imagem

Bárbara Buril

As poéticas (ou ausência delas) das cidades é o cerne de alguns trabalhos que estão em processo de criação. É o caso da performance Motim, em ritmo de elaboração pelo Coletivo Lugar Comum, que será apresentada nas ruas do Recife a partir de outubro. Com a vontade explícita de evidenciar a racionalidade e mecanicidade dos homens urbanos, os integrantes do grupo trabalharão o ato de rir como um comportamento subversivo nas sociedades modernas. “O riso sempre foi ignorado nas religiões e em diversos campos sociais da modernidade, que sempre buscaram a sobriedade e equilíbrio do homem. O riso sempre pareceu um excesso, assim como a sexualidade e as emoções”, explica a dançarina Roberta Ramos. 

Todos os integrantes do Lugar Comum vão rir, sem parar, diante das pessoas que caminham sempre, automaticamente, de um lugar para outro. A interpretação pode parecer simples, mas não é, uma vez que os dançarinos passam pelo trabalho de desassociar o riso de causas externas, uma vez que não há motivos para rir. Além do processo de criação da performance Motim, o coletivo também realiza a pesquisa Trânsito coletivo, para analisar os lugares por onde passam as pessoas na cidade: estações de ônibus e de metrô, grandes avenidas, aeroportos, entre outros.

“Depois de uma performance que fizemos nas ruas com o grupo Contempos, de Salvador, tivemos vontade de voltar para ela. Por isso estamos desenvolvendo esses dois projetos”, justifica Roberta. O processo criativo deMotim aconteceu pela primeira vez, semana passada, na Rua da Aurora. O laboratório da performance será, na maior parte do tempo, em vias públicas, para que os dançarinos entrem em sintonia com a natureza urbana.

Também está sendo criada a revista de artes visuais Recibo, idealizada pelo artista plástico e curador Roberto Traplev. Com forte componente estético e político, a publicação é um suporte para realizações artísticas, assim como são os quadros, as paredes e o papel canson. A 14ª edição dela, financiada pelo Funcultura pela primeira vez, será publicada no final de maio e terá como tema o Recife. “Vários artistas convidados trabalharão, nas páginas da revista, questões que são debatidas pelos grupos Direitos Urbanos e Direitos Culturais, como o planejamento urbano, a Via Mangue e a verticalização”, detalha Traplev. 

Entre eles: Cassio Bonfim, criador da marca de roupas Acre, e Rodrigo Almeida, diretor do curta-metragem Casa Forte, sobre o bairro tradicional da Zona Norte. Todos os exemplares da Recibo serão distribuídos gratuitamente, uma vez que a proposta é tornar a arte acessível para mais pessoas. 




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