Jornal do Commercio
FORÇA

A fé que move a cura

Projeto intitulado Além da Cura pretende reunir recursos para elaborar documentário com testemunho de mulheres que venceram a doença

Publicado em 25/10/2015, às 07h15

Como encontrar o otimismo em situações difíceis? A resposta pode estar na esperança com que muitas mulheres encaram o tratamento do câncer, com a queda de cabelos e desconstrução de sua própria imagem.  / Foto: Bruna Monteiro/Divulgação

Como encontrar o otimismo em situações difíceis? A resposta pode estar na esperança com que muitas mulheres encaram o tratamento do câncer, com a queda de cabelos e desconstrução de sua própria imagem.

Foto: Bruna Monteiro/Divulgação

Talita Barbosa
tbarbosa@jc.com.br

O que você faria se descobrisse hoje que tem câncer? Dos questionamentos e do choque provocados por um diagnóstico como esse, surge um sentimento de incerteza que amplia a necessidade de repensar prioridades e valores. É daí que nasce, em muitas mulheres diagnosticadas com a doença, uma força renovadora que vai de encontro ao mais sombrio dos prognósticos.

Ainda hoje, a descoberta do câncer soa como algo ameaçador, que põe em xeque planos futuros e traz mudanças profundas no estilo de vida e na aparência de quem é diagnosticado com a doença. Nas mulheres, de forma mais específica, esse impacto é ainda mais delicado. Uma série de transformações físicas causadas pelos efeitos da enfermidade e do tratamento provocam mudanças nos cabelos, sobrancelhas, pele, mama e na libido feminina. 

Na tentativa de se defender dessas consequências, muitas tendem a se distanciar do convívio social e do próprio corpo, abandonando os cuidados com a aparência e a alimentação. Decerto, enfrentar o diagnóstico de um câncer não é uma tarefa fácil para nenhuma mulher. Mas a beleza também pode ser uma ferramenta contra a doença. A beleza que vem de dentro e muda o jeito de enxergar o mundo e a jornada até a cura. Autoestima e esperança caminham juntas.

 Para a enfermeira e artista plástica Mônica Fidelis, 31, o otimismo é a fé em ação. Enxergar cada minuto da vida como um a mais e reencontrar antigas paixões foram experiências proporcionadas pelo câncer, segundo ela. “Quando me vi doente, foi muito chocante. Eu não sabia lidar com isso. Hoje eu quase sou grata por toda essa mudança de vida que o câncer me proporcionou. Todo amor ao meu redor, pelas pessoas que conheci, pela forma que eu vejo o mundo hoje. Asseguro que, agora, levo a vida de uma maneira muito melhor. O câncer tem todo um estigma e as pessoas chegam para você com uma certeza delas sobre sua vida e acham que você tem que ficar triste, no fundo do poço, mas não fiquei”. 

Mas de onde tirar toda a força e a esperança necessárias para encarar o tratamento? Descobrir o quanto é importante para si mesma, viver olhando pra frente e recomeçar se reinventando são atitudes imprescindíveis para transpor esse momento. Mônica conta que usou o otimismo e a autoestima como armas para se impor diante da doença. Segundo ela, isso foi fundamental para encontrar um significado maior no desafio de lutar contra essa enfermidade.

“Tratando minha doença vi o câncer das outras pessoas, a falta de dinheiro, o relacionamento mal-resolvido... Elas não tinham consciência do que estavam vivendo, então eu que tinha que estar triste? Pois eu ficava linda, colocava a peruca, tinha um cílio só e colocava rímel em um cílio só mesmo. Me valorizava!”, conta ela.

E agora, o que você faria se descobrisse que alguém próximo tem câncer? O fato é que ninguém está preparado para um diagnóstico como esse, inclusive quem está perto, é amigo ou da família. Muitos preferem nem citar o nome, chamam de “aquela doença”. O primeiro contato da jornalista e cineasta Bruna Monteiro com a doença foi quando um amigo de infância contou que estava com câncer. Ela, que não sabia nada sobre o assunto, decidiu transformar o projeto de conclusão do curso de jornalismo no livro-reportagem O peso do vento, que contou as histórias de quatro mulheres em processo de tratamento, abordando o impacto da queda de cabelo e da doença sobre elas. 

Tratando minha doença vi o câncer das outras pessoas, a falta de dinheiro, o relacionamento mal-resolvido... Elas não tinham consciência do que estavam vivendo, então eu que tinha que estar triste? Pois eu ficava linda!

Mônica Fidelis, enfermeira e artista plástica

Bruna encontrou no projeto uma forma de transformar sua experiência pessoal em uma forma de sensibilizar e ajudar a desestigmatizar a doença. Já as entrevistadas, que compartilharam de corpo e alma suas vivências, puderam manifestar o que sentiam e ajudar outras mulheres que estivessem trilhando a mesma estrada, derrubando estereótipos essencialmente negativos. 

Este ano, Bruna e o cientista da computação Victor Maristane decidiram ampliar o final feliz dessa história. Os dois decidiram largar tudo e utilizar a arte, sensibilidade, fotografia e a criatividade resultantes da parceria para mostrar a importância da autoestima no tratamento de mulheres com câncer. 

A ideia é percorrer os cinco continentes e entrevistar mulheres diagnosticadas com a doença para produzir o documentário Além da Cura. O principal objetivo do projeto, segundo Victor, é trazer exemplos de força para inspirar outras tantas que enfrentarão o desafio.

“A grande questão é: como mulheres lidam com essa questão em diferentes contextos culturais, sociais, econômicos, e, principalmente, como espalhar boas práticas?”, explica ele. Serão entrevistadas cerca de 200 mulheres com câncer, entre maio de 2016 e maio de 2017. A história de até 20 delas serão mostradas no documentário e os vídeos das demais serão postados nas redes sociais no formato de websérie. Além disso, haverá um site interativo lançado no começo de outubro de 2015 e outras campanhas de conscientização e inspiração. “Queremos ajudar pessoas em situações parecidas a terem experiências de vida mais ricas e gratificantes, mas também inspirar toda e qualquer pessoa em busca de alguma superação”, diz Bruna. 

Quem quiser apoiar o Além da Cura pode efetuar uma doação através do sitewww.catarse.me/alemdacura até 13 de dezembro deste ano

De acordo com os idealizadores, uma das propostas do Além da Cura, é que o próprio processo de contar suas histórias impacte positivamente a vida das mulheres entrevistadas. Os dois também querem transformar a viagem em uma campanha, reunindo as pessoas e chamando atenção para discutir e desmistificar o assunto, criando juntos uma nova cara para o câncer. Para pôr o projeto em prática os dois iniciaram uma campanha de financiamento através da plataforma Benfeitoria. A meta é alcançar o valor de R$ 50 mil, mínimo necessário para tirar o projeto do papel e cobrir os custos de produção. A iniciativa já conta com o apoio de centenas de pessoas nas redes sociais e até da atriz e comediante recifense Fabiana Karla. 

“Este projeto é tudo ou nada. Caso a gente não consiga arrecadar o dinheiro suficiente, ele será devolvido para quem doou e perdemos a chance de mudar vidas. No entanto, se conseguirmos arrecadar esse valor, nós iremos, juntos, recontar essa história”, afirma Bruna. 

Quem quiser apoiar o Além da Cura pode efetuar uma doação através do site www.catarse.me/alemdacura até 13 de dezembro deste ano.




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