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Patrimônio

Forte das Cinco Pontas: o museu do Recife

Criado em 1982, o Museu da Cidade do Recife fica no histórico bairro de São José, dentro de uma fortificação do século 17

Publicado em 08/11/2015, às 09h10

Com entrada franca, o museu abre da terça-feira ao domingo, das 9h às 17h / Foto: Edmar Melo/JC Imagem

Com entrada franca, o museu abre da terça-feira ao domingo, das 9h às 17h

Foto: Edmar Melo/JC Imagem

Cleide Alves
cleide@jc.com.br

O bairro de São José tem um forte do século 17. No forte há um museu. E o museu conta a história do Recife. Não só com a sua preciosa coleção de fotos e mapas, livros, litografias, azulejos e material arqueológico. O Forte de São Tiago das Cinco Pontas é a porta de entrada dessa história.

Desde que foi criado, em 1982, o Museu da Cidade do Recife funciona nessa fortaleza, uma construção portuguesa de pedra e cal que está por cima do forte holandês feito de madeira e terra.

O primeiro forte foi construído em 1630, para proteger cacimbas de água doce e garantir o abastecimento em tempos de guerra, diz o arqueólogo Ulisses Pernambucano. Com o fim da ocupação flamenga, em 1654, os portugueses assumem o lugar e fazem outro forte, cobrindo o mais antigo. Ulisses descobriu os vestígios da fortificação holandesa em escavação realizada nos anos 70.

É nesse reduto que o Museu da Cidade do Recife recebe os visitantes. “Um museu dentro do outro, como a boneca russa matrioska”, compara o arqueólogo, que também resgatou fragmentos de louça, pedaços de cachimbo e tijolos holandeses, além de objetos de uso diário dos ocupantes do forte. “A quantidade de peças é imensa”, afirma a diretora do centro cultural, Betânia Corrêa de Araújo.

Todo esse material arqueológico compõe acervo do museu. E mais 250 mil imagens, 2.560 títulos (livros e revistas), 1.898 peças digitalizadas (mapas, plantas, projetos de arquitetura), 146 azulejos dos séculos 17 ao 19, três portas e duas imagens de santos da Igreja dos Martírios, demolida para a abertura da Avenida Dantas Barreto.

Livros, revistas, fotos e mapas estão à disposição da população para pesquisas. Não se acanhe e faça uso do material. É só ligar e agendar o horário pelo telefone (81) 3355-9556, avisa Sandro Vasconcelos, responsável pelo setor. Se você escreveu livros, dissertações e teses sobre o Recife ou tem publicações em duplicata, que tratem da cidade, pode doar que a casa aceita e agradece.

O museu abre da terça-feira ao domingo, das 9h às 17h. Embora não esteja no percurso da ciclofaixa de lazer dos domingos – o caminho sobe o viaduto das Cinco Pontas – vale a pena fazer um desvio na rota e conhecer o lugar. Claro que nem todas as peças estão à mostra, mas sempre há exposição em cartaz.


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Pare uns instantes, descanse as pernas e aproveite para contemplar a mostra de longa duração sobre o Capibaribe, com paisagens curiosas de bairros do Recife banhados pelo rio, registradas nos anos 40 e nos dias atuais.

Há ainda, a exposição temporária Caderno que vira livro que vira caderno, aberta até 29 de novembro de 2015, com trabalhos de artistas plásticos de Pernambuco e de outros Estados. Nesse caso, o visitante não vai apenas olhar as obras. Ele também pode participar e julgar o material exposto.

“Vamos colocar revistas, tesoura, cola e lápis numa mesa e a pessoa também pode criar a sua arte”, avisa Betânia. No encerramento da exposição, um dos artistas pernambucanos será premiado, a partir da votação popular.

Essa interação faz parte da filosofia do museu. “Não somos um lugar passivo, o público sempre é convidado a colaborar com nossos trabalhos. E assim, feito um bolo, vamos crescendo”, diz ela.

A lojinha também abre aos domingos. Lá, o visitante pode comprar livros, camisetas, canecas, postais e fôlder-cartaz com texto em português, inglês e francês relatando a história do forte. Há quatro opções do fôlder, cada uma ilustrada com fotos diferentes (só o texto é o mesmo) do arquivo do museu.

É só escolher entre uma planta do Recife em 1644, a cidade do século 17, durante o período holandês; a imagem de um azulejo português do século 19; uma foto de Alexandre Berzin, eternizando foliões no Carnaval de 1948; e o flagrante de Antônio Tenório, de meninos pulando de uma ponte no Açude de Apipucos, em 1986. Na dúvida, leve todos.

Que o dinheiro das vendas ajuda a manter o espaço, não há dúvidas. Mas, transformar o acervo em produto é uma forma de divulgar o museu para o mundo, observa Betânia. “Nossa proposta é, aos poucos, ampliar o número de objetos que podem ser disponibilizados.”

O centro cultural é mantido pela Associação de Amigos do Museu da Cidade do Recife, numa parceria com a prefeitura. A entrada é gratuita. Porém, em tempos de crise já, já um mealheiro será colocado no prédio, para doações voluntárias.

Ninguém é obrigado a engordar o porquinho, é só uma sugestão criativa para ajudar a preservar o acervo e manter o local como ele vem se firmando: um espaço de reflexão sobre a cidade.




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