Confira o depoimento da advogada carioca Ana Beatriz, 53 anos, que em 2010 passou sete meses viajando com o marido Bruno, 53, recifense e também advogado. Com três filhos crescidos, o casal decidiu deixar o Recife por tempo indeterminado e ir atrás do sonho de conhecer a realidade de vários outros países. Para saber maishistórias de outros viajantes que partiram em longas jornadas como essa, leia a matéria de capa do caderno de Turismo desta quinta-feira (19), no JC.
"Na verdade, essa decisão de viajar já havia sido tomada por nós desde jovens, mas adiamos o início dessas viagens até 2002, diante dos compromissos de criar filhos e das nossas atividades profissionais. Desde então, conhecemos cerca de 30 países na Europa, no Oriente Médio e no Norte da África.
Em 2010, após 25 anos de casados e com cerca de 30 anos de formados, estávamos vivendo alguns impasses profissionais. Percebendo que essa situação não se resolveria no curto prazo, resolvemos realizar o projeto antigo e acelerar o nosso sonho de conhecer o mundo e a sua diversidade de pessoas, histórias e culturas.
Também sentimos a necessidade de pensar um pouco sobre a fase seguinte da nossa vida pessoal e profissional. Viagens são ótimas também para isso, pois possibilitam conhecer outras vidas e lugares e olhar a nossa própria vida um pouco à distância. Já não éramos iniciantes em viagens, mas nada se comparava ao que estava por vir.
Fechamos o nosso escritório, avisamos aos amigos e aos parentes e, com muita surpresa, percebemos que ninguém nos desestimulou. Pelo contrário, notamos uma grande expectativa pela nossa aventura. Havíamos nos preparado para a crítica e para a recriminação por parte de amigos e familiares, mas descobrimos que a quase totalidade deles sonhava em fazer algo igual. Isso também nos estimulou bastante.
O percurso
No final de 2009 e início de 2010, começamos a viagem, planejando e executando ajustes nas nossas responsabilidades com família, casa e compromissos profissionais. Ao mesmo tempo, resolvemos questões como exames físicos, vacinas e vistos e lemos muitos livros de turismo e de história dos locais que queríamos conhecer.
Começamos a viagem no dia 2 abril de 2010, embarcando com destino a Los Angeles (onde o Bruno tinha família), com a finalidade inicial de conhecer um escritório de advocacia e a prática da nossa profissão na América.
Em seguida, passamos três meses pelos EUA e Canadá. Conhecemos a Costa Oeste de Los Angeles a Vancouver e a Costa Leste de Nova York a Ottawa. Depois seguimos para o sul, conhecendo a Flórida, Luisiana, Tennessee, passando pelas Bahamas. Seguimos para o México e fomos até Cancun, pesquisando as ruínas maias, os zapatistas e a riquíssima cultura mexicana.
Partimos para Paris, onde tivemos a felicidade de ganhar a companhia de três senhoras que, apesar da idade, têm a disposição de jovens e nos deram a alegria de participar de parte da nossa aventura: Christina Ribeiro, minha sogra, Inah Lins de Albuquerque e Ignez Cordeiro de Farias.
Junto com elas, a viagem seguiu pela Rússia, Polônia e Hungria, de onde elas retornaram. Então voltamos a viajar sozinhos e seguimos para a Escandinávia (Noruega, Suécia e Dinamarca), retornando a Paris pela Holanda e pelo Norte da França. De lá, de volta ao Brasil no início de setembro.
Aprendizado
Aprendemos muito sobre a cultura de cada cidade, conhecendo seu povo, seus hábitos, seus museus, sua música, seus mercados públicos. Moramos durante sete meses em mochilas, viajando e dormindo em hotéis, em automóveis, em trens, em navios e em aviões. Em todos os lugares por onde passamos, escolhemos hotéis e motéis de conforto básico e de baixo custo, pois só os utilizávamos para dormir.
Usamos bastante a internet para todas as reservas de hotéis, aviões, carros, trens, navios, ingressos de espetáculos, etc. Recorremos a uma companhia de turismo apenas para adquirir (ainda em Recife), as passagens de ida e de volta.
Não íamos com tempo pré-definido para nenhuma cidade ou país. Ficávamos mais tempo onde gostávamos mais. No final, tínhamos conhecido 13 países e 83 cidades, dentre os locais de principal interesse turístico (afora uma infinidade de pequenas cidades por onde passamos de carro ou trem). Tiramos quase 25 mil fotos.
Locamos 14 automóveis e somente neles andamos um total de 27,5 mil quilômetros. Gostamos muito de caminhar a pé pelas cidades e ruas e diariamente medíamos o percurso com a ajuda indispensável de um passômetro (uma média diária oscilando entre 15 a 20 km a pé).
Algumas vezes, um ou outro amigo questiona sobre os custos da viagem. Nós respondemos lembrando que optamos por investir na nossa vida e na nossa paz, mas que respeitamos quem prefere colocar uma viagem como a nossa na garagem da casa, comprando um bom carro. Uma escolha bem diferente da nossa, embora tenha o mesmo custo. Questão de gosto...
Foi uma experiência maravilhosa para mim e para o meu marido, pois vivemos sozinhos uma aventura inesquecível, que aconselho a todos a inserir em seus planos e sonhos. Foi também uma agradável confirmação de nossas afinidades e de nosso sentimento, pois passamos seis meses juntos, desde acordar a dormir, sem monotonia ou qualquer desentendimento.
Desde o nosso retorno, nos alimentamos com bastante freqüência das muitas e inesgotáveis recordações. Quando estamos vivendo algum problema comum a casais e a famílias, sempre encontramos força e ânimo comentando entre nós, com bom humor, que melhor faríamos se naquele momento estivéssemos na China, na Índia ou no Quênia. E esperamos, e sempre confirmamos um ao outro, que logo estaremos em todos esses lugares ainda por conhecer".
Comentários
Sou uma amiga q acompanhou e curtiu (de Recife) a trajetória deles e torço p q logo estejam na estrada novamente, p completar o ciclo de viagem deles.
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