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Comportamento

Turista cauteloso vale por dois

Ficar de Olho na bagagem, não detalhes da viagem a estranhos e ter cópia autenticada do passaporte são essenciais

Publicado em 27/07/2012, às 16h46

Luísa Ferreira

?Lá fora, precisamos manter a mesma atenção que temos aqui?, diz Carolina Ferraz / Igo Bione/JC Imagem

?Lá fora, precisamos manter a mesma atenção que temos aqui?, diz Carolina Ferraz

Igo Bione/JC Imagem

Em grandes cidades como o Recife, estamos acostumados à cartilha da insegurança: não sair sozinhos depois de certa hora, fechar as janelas do carro ao parar no semáforo, manter bolsas e carteiras sempre à vista e por aí vai. Mas quando chega a hora de cruzar as fronteiras para um país estrangeiro – principalmente quando se trata de uma nação dita de “primeiro mundo” –, muitos adotam o comportamento contrário e relaxam até demais.

“No exterior, normalmente sentimos uma falsa sensação de segurança. Geralmente, roubos e furtos acontecem por descuido mesmo. Lá fora, precisamos ter a mesma atenção que temos aqui”, observa a diretora da Experimento, Carolina Ferraz.

O cuidado se justifica ainda mais porque o simples fato de ser turista – evidenciado pelos mapas e câmeras fotográficas na mão – já chama a atenção de pessoas mal-intencionadas. “Os ladrões veem os turistas distraídos e sabem que estão com dinheiro, máquina fotográfica, entre outros itens de valor”, acrescenta.

A gerente da agência de intercâmbio STB, Marina Motta, lembra que as ocorrências em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália e na Europa costumam ser diferentes do que acontece no Brasil. “Não se vê muito assalto à mão armada, mas batedores de carteiras são comuns. Eles são profissionais e normalmente vão agir de tal forma que você nem vai perceber.”

Por isso, para curtir a viagem com tranquilidade, o ideal é se precaver. E a preparação começa antes mesmo do embarque. Uma das principais dicas é levar o dinheiro em diferentes formas. “Normalmente, recomendo que os clientes levem de US$ 800 a US$ 1 mil (ou a mesma quantia em euros) em espécie e o resto em um cartão pré-pago, para sacar no país de destino. Também é bom levar cartão de crédito internacional, para emergências”, diz Marina.

Ela lembra ainda da importância de escanear os principais documentos e enviar as imagens para o próprio e-mail, para que possam ser acessados de qualquer lugar em caso de perda ou roubo.

Dada largada à viagem, a diretora da WM Tours, Fátima Bezerra, observa que a atenção deve ser redobrada no aeroporto, local de grande circulação de turistas. “É preciso ter cuidado com as malas.

Orientamos que estejam etiquetadas, incluindo as de mão. Na hora do check-in, é importante ficar atento, porque muita gente se aproveita do momento de distração enquanto você despacha as malas para roubar alguma coisa”, diz.

E até no momento de passar pela segurança não dá para descuidar. “Já presenciei o caso de um cliente que colocou três pacotes para passar pelo raio-X, foi calçar o sapato e quando procurou as coisas, não achou”.

Também se aconselha não dar detalhes sobre a viagem a pessoas desconhecidas. “É melhor não dizer muito sobre onde vai ficar, o que vai fazer ou com quem vai ficar, para não despertar a atenção. Se for bater papo, evite dar informações pessoais”, observa Marina Motta.

INCIDÊNCIA

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, há mais relatos de roubos e furtos de brasileiros em Buenos Aires, Barcelona e Miami. Mas isso não significa que essas cidades sejam mais perigosas do que outras metrópoles. “Elas têm mais casos relatados porque são destinos turísticos de muitos brasileiros”, diz a assessoria de comunicação do órgão.

Por isso, qualquer que seja seu destino, é bom ter maior atenção em pontos turísticos, ônibus, metrôs e qualquer outro lugar com grande aglomeração. “É preciso muito cuidado em épocas mais movimentadas, como julho, na Disney, ou durante as Olimpíadas, em Londres, por exemplo”, acrescenta Carolina.

Em transportes públicos, o mandamento é nunca perder de vista os pertences. “Mochila nas costas é péssimo, porque fica fácil de alguém abrir e tirar algo sem que você perceba”, alerta Marina. Outra dica é dividir o dinheiro e guardar cada parte em um lugar diferente. “Assim, se acontecer alguma coisa, o prejuízo é menor”, lembra.
Se possível, o ideal é não sair com o passaporte, seu principal documento no exterior. Há lugares em que é necessário mostrá-lo, como na hora de usar o cartão de crédito, trocar traveller checks ou fazer câmbio de moedas. Mas se souber que não vai usar o documento, melhor deixá-lo guardado. “Se precisar levar, coloque em uma bolsa por dentro da roupa”, ensina.
Marina tem o costume de recomendar aos clientes que no dia a dia, durante o intercâmbio, saiam apenas com a carteira internacional de estudante e uma cópia do passaporte. “Em locais de entrada e saída de pessoas, como estações de trem e aeroportos, é bom estar com o documento, porque pode acontecer de alguma autoridade pedir. Mas nunca ouvi falar de alguém ser abordado no meio da rua por um policial pedindo o passaporte.”

PROVIDÊNCIAS

Se, mesmo tomando cuidado, você for vítima de alguma ocorrência como as relatadas pelos personagens citados na página 2, fique calmo e procure ajuda das autoridades. A primeira providência a ser tomada é ir até a delegacia mais próxima para fazer o boletim de ocorrência (BO).

Caso o passaporte seja perdido ou roubado, o viajante deve buscar um consulado brasileiro, onde pode solicitar a emissão de outra via, mediante o pagamento de uma taxa e apresentação do BO. Para facilitar o procedimento, o ideal é ter uma cópia autenticada das páginas de identificação do passaporte, que devem ser guardadas em lugar seguro, separado do original.

Quando o passaporte perdido tiver um visto de estudante ou de trabalho, o viajante deve procurar as autoridades migratórias do país onde está para que um novo visto seja emitido.

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